A Profecia: Capítulo 5

Aldeia Iroquois – Google Imagens

Na manhã seguinte todos acordam na aldeia e notam o desaparecimento de Iboni e os quatro guerreiros, Kinobi é avisado e convoca uma reunião:

– Chame o Corvo Azul, ele precisa estar presente.

Panimbi então vai até a tenda do Corvo Azul e percebe que está vazia, Panimbi corre para avisar Kinobi mas tem uma surpresa, no caminho de volta ele encontra o Corvo Azul e o questiona:

– Corvo Azul, onde você estava? Kinobi convocou todos a uma reunião.

O Corvo Azul então responde:

– Estava na mata, não consegui dormir, então fui rezar ao Grande Espírito.

Panimbi olha com desconfiança e avisa:

– Precisamos ir, Iboni e quatro guerreiros estão desaparecidos.

O Corvo Azul se aproxima de Panimbi e pergunta:

– Você não os viu Panimbi?

Panimbi olha nos olhos do Corvo Azul e responde com receio:

– Não… e você Corvo Azul? Não encontrou com eles na mata?

O Corvo Azul se afasta, olha no fundo dos olhos de Panimbi e responde:

– Vi! Eu vi Iboni conversando com alguém antes de entrar mata adentro.

Antes que Panimbi pudesse questioná-lo Ynibi chega e os avisa:

– Corvo Azul, Panimbi, mau pai os aguarda!

Os três se dirigem a tenda de Kinobi, após a reunião todos chegam a conclusão de que Iboni e os guerreiros foram atrás da Rainha Negra, sendo assim o Corvo Azul achou melhor partir logo antes que algo de ruim pudesse acontecer com Iboni e os guerreiros. O Corvo Azul inicia sua jornada ao castelo da Rainha Negra, ele monta em seu cavalo e entra mata adentro, não demorou muito até encontrar um acampamento de soldados do reino.

– Olá! – Disse o Corvo Azul.

Os soldados o cercam e questionam:

– Quem é você Índio?

O Corvo Azul responde:

– Me chamo Tamaki! Quero que me levem a sua Rainha!

Os soldados o prendem e levaram-no ao castelo.

Castelo da Rainha Negra – Google Imagens

No castelo a Rainha Negra estava sentada em seu trono recebendo os informes matinais do reino até que é interrompida por um dos seus soldados:

– Minha Rainha, ele está aqui! Os soldados o encontraram na mata!

A rainha imediatamente levantou-se e respondeu:

– Tragam-no até mim!

Os guardas entram com o Corvo Azul preso:

– Finalmente está aqui! – Disse a Rainha.

– Ouvi muito sobre você, dizem que veio para salvar os Iroquois, pensei que fosse mais intimidador, não se parece um herói de guerra. – Disse a Rainha com um tom de deboche.

O Corvo Azul olha para a Rainha e revida:

– Não sou um herói de guerra, não vim para lutar, eu não estou aqui para derramar sangue, meu dever aqui é restaurar a paz, a paz que seu pai Rei Marx e o Chefe Inoby haviam estabelecido.

A Rainha, com um olhar tomado pelo ódio, se aproxima do Corvo Azul e responde:

– Essa Paz se foi, está morta e enterrada, junto a ela!

A Rainha vira-se e começa a caminhar em direção ao seu trono quando é interrompida pelo Corvo Azul:

– Eu posso ajuda-la, podemos fazer isso juntos!

 A Rainha para sua caminhada, vira-se para ele e responde com um olhar lacrimejante:

– Não tem como você trazer alguém de volta, não do mundo dos mortos.

O Corvo Azul responde:

– Kinobi não superou, mas eu posso ajuda-lo, ele tem outra filha, nunca esqueceu Tamaki e nem o que você fez, mas eu posso ajudá-lo a superar, mas antes preciso que você ceda, preciso que me ajude a restaurar a paz.

A Rainha então dá um sorriso e diz:

– Não estou falando da morte de Tamaki, levem-no daqui.

O Corvo Azul não entendendo muito do que a Rainha estava falando implora:

– Por favor Elisabeth, precisamos parar essa matança, me deixe ajudá-la, me explique os motivos e eu poderei conversar com Kinobi!

Os guardas se aproximam do Corvo Azul e quando ele percebe olha diretamente a Rainha Negra e diz:

– Você não pode me prender, jamais poderia.

 A Rainha então se levanta do trono e revida:

– Eu aposto que posso! Prendam-no AGORA!

O Corvo Azul então olha para a Rainha e com um sorriso começa a refletir uma luz sobre todo o seu corpo, uma luz que começa a crescer e crescer cada vez mais, a Rainha perplexa se senta em seu trono e diz:

– O que é você?!

De repente a luz começa a diminuir e o Corvo Azul com um olhar amoroso olha para a Rainha e responde:

 – Sou a luz da vida! Sou o amor do mundo! Sou a solução para você e os Iroquois!

Na aldeia, todos ficam alvoraçados com a chegada de um índigena, Batiki o único guerreiro que sobreviveu ao ataque da besta na floresta, Kinobi chega em meio a multidão e apavorado com o estado do jovem guerreiro questiona:

– Batiki? O que aconteceu? Onde está Iboni e os outros?

Com a voz tremula, Batiki responde:

– Estão todos mortos! Existe um mau na floresta, uma besta terrível! Ela nos atacou, tentamos fugir, mas ela nos alcançou, sobrevivi porque cai no rio, mas graças ao grande espírito Iboni me encontrou, disse que tem um jeito e ele vai deter a Rainha Negra!

Kinobi vai até sua tenda com Ynibi e Panimbi e os três começam a conversar:

– Eu não quero que ninguém saia da aldeia, vamos reforçar a segurança, precisamos nos proteger, se essa besta que matou nossos guerreiros resolver nos atacar precisamos estar preparados, não podemos arriscar. – Disse Kinobi.

– Vou reunir os guerreiros, vamos proteger nosso lar! – Disse Panimbi.

– E eu vou reunir as mulheres e crianças, precisamos nos proteger e ficar unidos! – Disse Ynibi.

De volta ao castelo, a Rainha Negra e o Corvo Azul conversam:

– Como você pode me ajudar? – Pergunta a Rainha.

– Nós precisamos começar a tratar dessa escuridão de dentro para fora Elisabeth, para que no final só haja luz! – Disse o Corvo Azul.

A Rainha olha para ele com um olhar de desconfiança e questiona:

– Como você sabe meu nome? Em nenhum momento eu te disse?

O Corvo Azul responde:

– Eu sei muita coisa sobre você Elisabeth, mas vamos começar devagar, uma coisa de cada vez.

Elisabeth percebe que ali pode estar nascendo uma amizade, o Corvo Azul não é como os outros indígenas, ele é compreensível e entende a ela e tudo o que se passa, mas esse pensamento se vai assim que ela lembra do que aconteceu naquela noite, na terrível noite da morte de Tamaki, a noite da Grande Tragédia, dos Anos de escuridão.

– Kinobi nunca irá me perdoar, eu mesma não me perdoaria, eu sinto muito Corvo Azul, mas acho que está errado, a paz nunca será restaurada e você sabe o motivo. – Disse a Rainha.

O Corvo Azul explica a Rainha que ele sabe de muita coisa que aconteceu no passado, ele sabe, pois consegue enxergar através da alma das pessoas, porém a alma da Rainha Negra é escura e de alguma forma há ali algo que ele não consegue ver.

– Eu não sei o real motivo, não sei o que te levou a fazer aquilo, mas se você me contar talvez possamos resolver, podemos fazer um novo tratado e acabamos com essa matança. – Disse o Corvo Azul.

A Rainha olha para ele com um olhar pensativo e responde:

– É tarde, nada vai voltar a ser como antes, está livre para ir!

– Eu vou ficar! Não saio daqui enquanto não mudarmos essa situação. – Disse o Corvo Azul.

– Pois bem, se você deseja ficar então fique, mas deixo claro que nunca vou deixar de caçá-los, nunca vou desistir, não haverá outro tratado. – Declara a Rainha.

General Kurtz – Google Imagens

Na mesa do jantar estavam todos reunidos, a Rainha Negra, o Rei Romeu, o general Kurtz que é o braço direito da Rainha e o Corvo Azul.

Em meio ao jantar o Rei questiona ao Corvo Azul:

– Então você é um espírito?

O Corvo Azul com um sorriso responde:

– Eu sou a resposta do chamado de ajuda, uma forma ancestral invocada pelos Iroquois.

– Um espírito! – Diz o general Kurtz e todos riem, menos o Corvo Azul que ficou pensativo.

– Chamem do que vocês quiserem, sou a ajuda e isso é o que importa. – Respondeu o Corvo Azul.

De repente um soldado desesperado entra no salão de jantar e grita:

– ELE ENTROU!!! TENTAMOS IMPEDIR, MAS NÃO TEM COMO PARA-LO!!!

Então uma terrível besta atravessa o corpo do soldado com suas garras enormes e o atira em cima da mesa.

O general levanta-se e convoca os guardas para proteger a Rainha que fica completamente apavorada com a cena que acabará de presenciar, o Rei pega em sua mão, mas ela não esboça reação alguma, simplesmente está em choque.

O Corvo Azul também muito impressionado com o que viu, se dirige a frente dos soldados e fica cara a cara com a fera:

– O que é você? – Questiona o Corvo Azul enquanto encara a terrível fera.

A besta o observa com um olhar como se compreendesse a pergunta e ao mesmo tempo procura a melhor forma de atacar. O Corvo Azul olha para o fundo dos olhos da besta e sente algo estranho.

–Magia Negra! Embaku! – Conclui o Corvo Azul.

Então a besta o ataca, o Corvo Azul ergue uma de suas mãos e de forma inacreditável segura a mão da besta e em seguida proferiu algumas palavras estranhas e a besta fuge do castelo sem se quer olhar para trás.

No meio da floresta a besta cai e começa a se contorcer como se estivesse passando por uma transformação, se arrastando pelo chão e sentindo seus músculos se contorcerem, a besta se transforma em um homem, não só um homem, ela se transforma em Iboni, e ali em meio àquela floresta completamente nu, Iboni desmaia.

Iboni volta aquela caverna e encontra o monstro de fogo que olha fixamente a ele e diz:

– Você é fraco, eu te dou o maior dos poderes e você fracassa, você precisa deixar suas crenças antigas para trás e só assim poderá se tornar o mais poderoso dos guerreiros

– Eu vou, vou conseguir! Me deixe voltar e dessa vez eu não falharei! – Respondeu Iboni.

Tudo escurece novamente e Iboni acorda em meio a mata.

Publicado por fabioanhaia

Autor de Primeira Viagem

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