O Preço de um Segredo: Capítulo 7 – O Preço de um Segredo.

Capítulo 7 – O Preço de um Segredo.

Na casa de Felipe, ele e sua irmã preparam tudo para o funeral de Álvaro, Vitória estava inconsolável e Felipe mantém a mesma postura firme. O fato é que ele não sente remorso por ter assassinado o pai, é como se de certa forma o rapaz estivesse aliviado.

Longe dali Elisa recebe a visita de uma velha amiga, Jade a enfermeira que trabalhou com Elisa durante muitos anos soube do estado de saúde da ex-colega e foi visitá-la.

— Que bom que você veio, a quantos anos não nos falamos? — Perguntou Elisa.

— A muito tempo Elisa. — Respondeu Jade.

— Como você se sente? — Questionou Jade.

— Ai Jade, não ando muito boa, as vezes passo o dia bem, mas as vezes não tenho vontade nem de levantar. Fiz alguns exames, mas não constam nada, minha saúde é de ferro. Acho que o que está me fazendo mal é o coração e os segredos que ele guarda. — Respondeu Elisa.

— Eu morro de medo de que Pedro descubra tudo um dia, ele nunca me questionou, mas e se ele resolver saber a origem dos pais? — Disse Elisa.

— Sabe Elisa, todos temos segredos, eu mesma tenho os meus, e o que você está me falando faz todo sentido, eu também não me sinto bem com meu coração, talvez tenha chegado o momento de Pedro saber. — Aconselhou Jade.

 — Eu não posso, fiz uma promessa a Lilian, não posso descumprir. — Afirmou Elisa.

— Elisa, eu também fiz uma promessa a uma pessoa a muito tempo atrás, mas vendo você aqui agora adoecendo por conta desse segredo, acho que chegou a hora de me acertar com o passado, e acho que você deveria fazer o mesmo! — Concluiu Jade.

— Do que você está falando? Que promessa? — Perguntou Elisa.

— É coisa minha Elisa, mas pense no que eu disse, você está velha como eu, não se deixe terminar, tenho toda a certeza que Pedro entenderá que tudo o que você fez foi por amor a ele! — Respondeu Jade.

— Agora preciso ir, fique bem minha amiga, e se precisar de algo é só chamar. — Despediu-se Jade.

Elisa ficou pensativa, que segredo Jade teria guardado por todos esses anos, a enfermeira pensa e repensa e não chega a conclusão alguma.

Na loja de suplementos Erick e Pedro encerram mais um dia de muitas vendas, mais cedo Erick havia recebido a visita da Aline, a maluca da fábrica de bolos, mas o que ela queria ali, todos ficaram de ouvidos em pé.

— Mais um dia concluído! — Disse Pedro.

— Mais um dia! Até amanhã Pedro. — Despediu-se Erick.

— Até amanhã! — Respondeu Pedro.

Pedro observa o quanto Erick está pensativo e preocupa-se.

— O que será que aconteceu lá em cima? — Se perguntou Pedro.

Mais um dia amanhece na cidade do Rio de Janeiro, Pedro chega cedo a loja de suplementos, no meio da manhã uma discussão se inicia entre Andressa, vendedora da loja, e Aline, a maluca da fábrica. Pedro pensa em ir verificar a confusão, mas Erick chega antes e leva Aline para o escritório, alguns minutos se passam e Erick chama Pedro na sua sala.

— Pedro, preciso da sua ajuda! — Revelou Erick.

— Claro, aconteceu alguma coisa Erick, eu vi a Aline sair daqui mais cedo… — Disse Pedro.

— Sim, Pedro a Aline veio até aqui para me fazer uma proposta e eu aceitei, foi ontem ainda, faria tudo sozinho se pudesse, mas hoje ela me disse que nós precisamos de testemunhas. — Disse Erick.

— Testemunhas? Mas o que aconteceu? — Questionou Pedro.

— Nós vamos nos casar! — Respondeu Erick.

— Casar? Você e a fera? Quer dizer, você e a Aline? — Perguntou Pedro.

— Sim, é tudo de fachada, ela vai fechar um contrato e me ofereceu uma grana para casar com ela. — Revelou Erick.

— Você sabe que a situação da loja não anda bem e tem aquele dinheiro que emprestei para o Afonso, você nos ajuda? — Perguntou Erick.

— Claro Erick, pode contar comigo! — Declarou Pedro.

Enquanto isso na casa de Felipe, ele e Vitoria decidem que a irmã irá estudar no exterior, como ele ficaria muito tempo no escritório não faria bem a ela ficar sozinha em casa.

            Alguns dias depois…

Felipe se levanta cedo e vai para o escritório, no meio da manhã ele está lendo em suas redes sociais e passa por um anúncio da loja de suplementos de Erick, Felipe lembra de Pedro no mesmo instante e começa a ficar irritado. Ele nunca esqueceu de tudo que Pedro fez a ele, como ele teve coragem, que espécie de amigo ele era? Essas perguntas martelavam na cabeça de Felipe desde a infância. Felipe recebe uma ligação da secretária, uma senhora estava aguardando para falar com ele.

— Bom dia! — Disse Jade, a ex enfermeira.

— Bom dia! — Respondeu Felipe estranhando a visita.

— No que posso ajudá-la? — Perguntou Felipe.

— Estou aqui porque preciso consertar um erro meu de muitos anos atrás! — Respondeu Jade.

— Erro? Do que a senhora está falando? — Perguntou Felipe.

— A muito tempo atrás eu era enfermeira e no hospital que trabalhava nasceram duas crianças ao mesmo tempo, uma delas era você. — Começou Jade.

— E daí? Praticamente todo mundo nasce no hospital, minha senhora, não tenho tempo para bobagens, por favor se a senhora puder sair… — Dizia Felipe.

— Não! Eu só saio daqui depois de dizer tudo o que vim para dizer! — Repreendeu Jade.

— Eu vi no jornal que o senhor Álvaro faleceu. — Recomeçou a enfermeira.

— Exatamente, morreu e agora eu como herdeiro legitimo assumi tudo, mas o que a senhora tem a ver com isso? — Questionou Felipe.

— Você não é o herdeiro legitimo, você nunca foi, porque você não é filho do senhor Álvaro! — Revelou Jade.

Felipe entra em estado de choque, ele não consegue acreditar no que ouviu, como pode? Aquela senhora aparece do nada e diz que ele não é filho de Álvaro. Felipe senta-se em sua cadeira incrédulo.

— Do que você está falando velha doida? — Questionou o rapaz.

— Eu troquei os bebês, naquela noite houveram dois partos ao mesmo tempo, menti que um dos bebês havia morrido, te sequestrei e te vendi a senhorita Marieta, ela me disse que precisava de um filho porque tinha medo de perder o marido, ela usou uma barriga falsa, apresentou ultrassons falsos que eu arrumei a ela, o senhor Álvaro sempre acreditou, eu roubei você e te entreguei a ela assim que você nasceu! — Continuou Jade.

— Os seus pais biológicos nunca souberam que roubava seus ultrassons e exames, acompanhei seu pré-natal e toda gestação, já havia planejado o sequestro meses antes de você nascer, a minha sorte foi o outro parto, foi ai que tive a ideia de trocar os bebês, minha colega que estava na sala comigo nem percebeu que você estava vivo, assim que você nasceu logo te tirei da sala, quando voltei informei a ela e o médico que você havia morrido, nós três entramos em consentimento e decidimos entregar a outra criança ao casal, a mãe biológica do outro bebê era moradora de rua, a criança não tinha mais ninguém. — Concluiu Jade.

— E o que você faz aqui agora? — Perguntou Felipe.

— Estive visitando uma colega doente, a enfermeira que me ajudou a trocar você e percebi que se eu morrer que seja com o coração leve! — Declarou Jade.

— Você contou essa história para mais alguém? — Perguntou Felipe.

— Não, nunca, guardei esse segredo comigo a minha vida toda. — Respondeu Jade.

Felipe limpa as lagrimas que escorriam no seu rosto e se levanta, ele começa a andar sorrateiramente pela sala, claramente estava pensando em algo. Felipe chega as costas da senhora e se aproxima.

— Tudo bem, vamos resolver isso da melhor maneira. — Diz o rapaz.

— Vou levá-la para casa! — Continuou Felipe.

— Está tudo bem meu filho, posso ir sozinha, não se preocupe. — Disse Jade.

— Eu faço questão, aproveito e vou para casa também, toda essa história me deixou abalado. — Respondeu o rapaz.

Felipe e a senhora saem do escritório e vão para o carro do rapaz, no caminho para a casa de Jade o rapaz a questiona sobre seus pais biológicos. Jade conta a Felipe que não sabe quem são, mas que o hospital tem um acervo com os registros de nascimento e óbito das pessoas, a enfermeira explicou para ele que os pais dele registraram a criança como Afonso Pinto, se encontrasse esse nome Felipe encontraria o nome de seus pais.

— Chagamos, obrigada pela carona. — Respondeu Jade.

— Imagina! — Respondeu Felipe.

— Você não quer subir, tomar um café, uma água? — Perguntou Jade.

— Seria um prazer! — Respondeu Felipe.

O rapaz entra com Jade no apartamento e eles vão até a cozinha, na cozinha Jade começa a preparar um café enquanto Felipe está sentado na mesa. Jade fica de costas o tempo todo para o rapaz.

— A senhora vive aqui sozinha? — Perguntou Felipe.

— Sim, não me casei e nem tive filhos, sempre vivi sozinha. — Revelou Jade.

— E a senhora não sente medo? Na sua idade é perigoso viver sozinha. — Disse Felipe.

— Ah meu filho, não tenho medo não, depois de velha a gente já não sente mais medo de nada. — Revelou Jade.

— E a senhora não tem nenhuma câmera? Deveria ter, é mais seguro! — Disse o rapaz.

— Não, que isso, não tenho nem dinheiro para essas coisas não, sou só uma velha enfermeira aposentada. — Respondeu a senhora.

Felipe levanta da cadeira e pega um jarro de vidro que está sobre a mesa, ele se aproxima de Jade que ainda está de costas para ele e nem percebe a aproximação.

— Obrigada por ter me contado tudo, e principalmente por ter guardado esse segredo por tanto tempo. — Disse Felipe.

Quando Jade se vira para o rapaz é atingida com o jarro na cabeça e cai desmaiada, ele então a leva até a escada de incêndio do prédio e a atira lá de cima. Jade vivia no terceiro andar e com a idade que tinha jamais resistiria, Felipe observa a senhora morta do topo da escada e volta para o apartamento. No apartamento ele limpa tudo que poderia ter deixado de digitas e sai pela porta da frente.

Em casa Felipe pensa em tudo que ouviu de Jade e ao mesmo tempo não tira o assassinato que cometeu da cabeça.

— Esse é o preço pelo seu segredo! — Disse Felipe tomando um gole de Whisky.

A Encruzilhada

Autor: Fábio Anhaia.

Existe um momento em nossas vidas que estamos em uma encruzilhada e é chegado a hora de decidir, seja qual for o assunto todas as pessoas chegam a esse momento. Até aqui carregamos as nossas incertezas, nossos medos, nossos dramas, desejos, amores e assuntos mal resolvidos. Essa hora um sentimento enorme invade nosso peito e a vontade de chorar é imensa, a de sorrir é maior ainda, a sensação de liberdade se mescla com o medo da rejeição, a tristeza se une a felicidade e o medo de decepcionar quem amamos abraçasse a coragem de ser quem somos e realizarmos o que queremos.

As pessoas que já passaram por isso tomaram seus caminhos e hoje, ou estão vivendo seus sonhos em sua mais perfeita harmonia ou estão decepcionadas por escolherem o caminho errado. Infelizmente essa escolha deve ser tomada por você unicamente e ninguém mais, não há colo para correr, não há abraço para amenizar, todo esse peso que se encontra em suas costas é seu.

Então se você está lendo esse texto e sente que chegou a esse momento saiba que não é o primeiro e nem será o último, todos vamos passar por isso e todos decidiremos que caminho seguir, se é certo ou errado, não cabe a ninguém julgar, mas saiba que essa chance de escolha é única e ela pode não voltar.

O Preço de um Segredo: Capítulo 6 – Uma Nova Chance.

Capítulo 6 – Uma Nova Chance.

Alguns dias depois da demissão de Pedro, o jovem volta a procurar emprego, ele passa pela Rio de Janeiro inteira e não consegue nada, na volta para casa Pedro passa em frente a uma loja de suplementos.

— Não custa tentar. — Pensou Pedro.

Ao entrar na loja Pedro se depara com um jovem que vem lhe receber, ele é alegre, animado e têm um brilho diferente, uma pessoa que faz com que o outro se sinta bem com um simples sorriso.

— Boa tarde, tudo bem? Posso ajudar? — Perguntou o rapaz.

— Boa tarde, meu nome é Pedro e gostaria de saber se poderia deixar um currículo aqui. — Disse Pedro.

De repente o telefone da loja começa a tocar, o rapaz pede para que Pedro aguarde um instante, nesse meio tempo que o rapaz atende o telefone chegam na loja alguns clientes, após desligar a ligação o rapaz pede para que Pedro aguarde mais um pouco até que ele consiga se liberar. Pedro observa todo aquele movimento e fica animado.

— É, ele realmente precisa de ajuda! — Pensou Pedro.

Nesse momento mais alguns clientes entram na loja e Pedro toma a liberdade de auxiliar o rapaz. Pedro mostra alguns suplementos aos clientes e o dono da loja o observa de canto.

— Eu vou levar! — Respondeu o cliente a Pedro.

— Pago onde? — Questionou o cliente?

— Isso já é com ele, mas você pode aguardar ali próximo ao caixa! — Respondeu Pedro.

Após se liberar o rapaz retorna para conversar com Pedro.

— Me desculpe, a loja é assim todo dia, uma correria. — Disse o rapaz.

— Seu nome é Pedro, não é? — Perguntou o rapaz.

— Isso! — Respondeu Pedro.

— Ótimo! Eu sou Erick! — Disse o rapaz cumprimentando Pedro.

— Bem, e se você começar agora? — Questionou Erick.

— Agora? — Disse Pedro.

— É, te ensino tudo, eu realmente preciso de ajuda como você mesmo percebeu. — Respondeu Erick.

— Tudo bem! Vamos lá! — Disse Pedro animado.

Durante o resto da tarde Erick explica tudo sobre a loja e o sistema de vendas a Pedro, ele aprende tudo com muita facilidade pois sempre foi um rapaz aplicado. No fim do dia Pedro e Erick fecham a loja.

— Foi um grande dia não é mesmo? — Questionou Erick.

— É, foi mesmo, e então, gostou dos meus serviços? Posso voltar amanhã? — Disse Pedro apreensivo com a resposta.

— Você está brincando? É claro que você volta amanhã, depois e depois hahaha. Está contratado! — Declarou Erick.

Pedro corre para casa contar a novidade para a avó, ele está muito animado com o emprego novo. Ao chegar em casa ele e Elisa comemoram a notícia.

— Eu não disse para você! — Disse Elisa.

— É, a senhora tinha toda razão! — Respondeu Pedro abraçando a avó.

No dia seguinte Pedro retorna para seu segundo dia de trabalho na loja de suplementos, ao chegar ele se depara com o primeiro cliente do dia, Felipe, sim o rapaz compra suplementos com Erick desde que ele havia aberto a rede Fit for Fit.

— Bom dia! — Disse Pedro.

— O que você faz aqui? — Questiona Felipe.

— Eu trabalho aqui agora. — Respondeu Pedro.

Erick chega para abrir a loja e se depara com os dois.

— Bom dia! — Disse Erick todo animado.

— Erick, não sabia que você contratava ladrãozinho para trabalhar com você! — Declarou Felipe.

— Ladrãozinho? — Questionou Erick.

— É, esse ladrãozinho trabalhou em um dos nossos supermercados, ele tentou roubar meu relógio. — Revelou Felipe.

— Isso é mentira Erick! Eu nunca tentei roubar nada! — Defendeu-se Pedro.

— Pedro, é melhor você subir e se trocar, depois a gente conversa. — Disse Erick sério, sem aquele sorriso cativante no rosto.

— Bom, você precisa de alguma coisa Felipe? — Perguntou Erick.

— Sim, o mesmo de sempre! — Respondeu Felipe.

— E Erick, abre o olho com esse Pedro! — Aconselhou Felipe.

Erick se libera do atendimento e em seguida Pedro desce, o patrão olha para o rapaz que está apreensivo sobre o que aconteceria.

— Pedro, vou te fazer uma única pergunta e quero que você responda olhando nos meus olhos! — Disse Erick.

— Você tentou roubar aquele relógio? — Questionou Erick.

— Não! Nunca faria aquilo! — Afirmou Pedro.

— Ótimo, acredito em você! — Respondeu Erick.

— Foi tudo uma armação Erick, o Felipe não gosta de mim e isso não é de hoje… — Revelou Pedro.

— Eu conheço esse tipo de gente, pessoas que se sentem superiores e ao mesmo tempo ameaçadas por gente como nós, são a pior raça! — Declarou Erick.

— Então você não vai me demitir? — Perguntou Pedro.

— Não, jamais faria isso! — Respondeu Erick.

Pedro se emociona com a atitude do patrão.

— Obrigada Erick! — Agradece Pedro.

Pedro e Erick trabalham o dia todo, aquele foi mais um dia produtivo para loja, além de trabalhar eles conversaram muito um sobre a o outro. Nos dias que passaram eles foram criando uma amizade forte, sempre apoiando um ao outro. Nos meses seguintes Erick precisou contratar novas pessoas, os dons administrativos de Pedro fizeram a loja expandir, em menos de três meses Erick abriu uma filial, os negócios só cresciam e muito desse crescimento foi influenciado por Pedro.

Janeiro de 2021.

Mais um ano chega e Erick se prepara para inaugurar mais uma filial da sua rede de suplementos, Pedro agora está com vinte e quatro anos e desde que começou a trabalhar com Erick a Fit for Fit só cresceu, atualmente eles são a maior rede de suplementos de toda a Rio de Janeiro. Pedro passou de vendedor a gerente da rede e de quebra se tornou o braço direito de Erick nos negócios.

— “Vambora” rapaziada! —  Disse Pedro aos funcionários da loja.

— Já tenho duas remessas de suplementos que estão para chegar. — Declarou Pedro.

O dia estava ótimo, a primeira remessa foi descarregada e tudo está às mil maravilhas, até que uma pequena confusão se inicia em frente à loja.

— Não, você não pode estacionar aqui! — Disse Pedro ao motorista do caminhão da fábrica de bolos Doce Mel que fica em frente à loja.

A fábrica é de uma moça chamada Aline, ela e Erick vivem em pé de guerra desde que se conheceram.

— Mas moço, é questão de cinco minutos, eu carrego os bolos e já saio! — Declarou o motorista.

— Negativo, nosso caminhão já vem ali! — Insistiu Pedro.

Em meio a essa discussão Erick aparece e tenta resolver o assunto, porém antes que pudesse concluir Aline aparece e tudo vira uma confusão, voou bolo para todo lado. Após a confusão todos voltam a loja de suplementos para se limpar.

— Essa mulher é maluca! — Esbravejou Erick subindo para o escritório.

— Também acho ela maluca, mas também acredito que você goste dela! — Declarou Pedro.

— Nunca! Nunca que eu ia gostar de uma fera dessa! — Respondeu Erick.

— Erick, está na cara, não adianta se enganar! — Declarou Pedro.

— Você está maluco Pedro, entrou bolo dentro da sua cabeça é? — Revidou Erick.

Após mais um dia de trabalho Pedro retorna para casa, sua avó ultimamente não se sente muito bem e por esse motivo Pedro volta cedo para vê-la. Em casa Pedro prepara o jantar e senta-se para assistir à novela das nove com a avó.

— Eu adoro essa novela! — Disse Elisa.

— Eu também, adoro ver essa novela com você! — Respondeu Pedro olhando para a avó com ternura.

Pedro não sabe por que, mas ele sente que deve aproveitar esse tempo com a avó ao máximo, ele sabe que não será eterno e teme o dia da despedida.

Na casa de Felipe as coisas também haviam mudado, sua irmã Vitória está cursando direito, e o rapaz está prestes a assumir os negócios da família. Felipe não aparece mais na loja de suplementos desde que Erick optou por não demitir Pedro, ele ficou com raiva e desde aquele dia jurou que se vingaria de Pedro e Erick. Vitória se preocupa com o irmão, já faz um tempo que ela observa um comportamento estranho e agressivo nele.

No dia seguinte Felipe se veste no quarto, seu pai Álvaro está em seu último dia como presidente da empresa e anunciará nessa manhã quem assumirá seu lugar a frente da rede de supermercados. O rapaz está vestindo a gravata em frente ao espelho.

— Hoje é o dia! Pena que não poderemos nos despedir! Mas isso tudo é culpa sua! — Disse Felipe olhando seu reflexo no espelho.

Na sala Vitória beija o pai e vai para a faculdade, enquanto Álvaro espera por Felipe. Em seguida o rapaz aparece.

— Antes de sairmos, gostaria de brindar sua aposentadoria, pai você dedicou uma vida a essa empresa, vamos brindar! — Disse Felipe servindo uma taça de espumante para ele e para Álvaro.

— Você tem razão filho, uma vida digna de um filme, e você e sua irmã são a prova disso! Eu nunca errei em nenhuma escolha, tudo que fiz sempre foi por vocês! — Declarou Álvaro.

Felipe entrega a taça para o pai, os dois brindam e bebem o espumante.

— Mas você não está chateado com minha decisão meu filho? — Questionou Álvaro.

— Jamais estaria pai, até porque, ela não vai se concretizar! — Respondeu Felipe com um sorriso no rosto.

— Do que você está falando? — Perguntou Álvaro sentando-se no sofá.

— O que… eu estou tonto… Felipe? — Disse Álvaro enquanto sentava-se no sofá.

— Isso é pela minha mãe, ela morreu porque descobriu todas as suas traições. — Disse Felipe.

— Mas agora, vou resolver tudo! E de quebra, me vingo de todos que me abandonaram, a começar por você! — Continuou o rapaz.

— Não se preocupe pai, digo a Vitória que você mandou lembranças! — Concluiu Felipe bebendo o último gole de espumante e saindo de casa.

Não demora muito para uma funcionária da casa encontrar Álvaro na sala já sem vida, ela chama uma ambulância e avisa os filhos, Vitória corre para casa e Felipe faz um aviso na reunião com os acionistas.

— Meu pai faleceu essa manhã, mas deixou uma procuração assinada com a sua decisão… — Disse Felipe.

— A partir de hoje quem vai gerenciar a rede de supermercados sou eu! — Declara Felipe deixando a sala de reunião.

Na loja de suplementos Pedro emite alguns cupons fiscais para enviar as vendas do dia, o rapaz aderiu a um sistema de delivery nas lojas e isso alavancou ainda mais as vendas. Erick desce do escritório e percebe a quantidade de entregas que teria naquela manhã.

— Uau, Pedro com toda a certeza você é a melhor contratação que já fiz! Eu te amo cara! — Disse Erick.

— Que isso, eu que agradeço você, se não tivesse me dado uma nova chance para recomeçar, nem sei o que faria, obrigado irmão! — Respondeu Pedro.

Uma nova chance, Pedro teve essa nova chance com Erick, o rapaz poderia ter sido demitido em seu segundo dia, afinal a acusação de Felipe foi muito grave, mas Erick optou por confiar nele e talvez essa tenha sido a melhor decisão que Erick já tomou. Por outro lado, Felipe também tem uma nova chance, ele vai assumir as empresas da família, se vingou de seu pai que era o causador da morte da sua mãe, o que mais ele poderia querer? O jovem tem uma chance de apagar todas as suas magoas e seguir em frente, mas o lado sombrio dele o puxa cada vez mais para o fundo.

O Preço de um Segredo: Capítulo 5 — Vidas Opostas.

Capítulo 5 — Vidas Opostas.

Julho de 2008.

Pedro chega aos doze anos e como qualquer criança nessa idade ele é muito travesso. Elisa é chamada a escola por conta de uma travessura aprontada por Pedro e um coleguinha, Felipe.

— Senhora Elisa, é a diretora da escola, por gentileza solicitamos que a senhora compareça a diretoria imediatamente. — Disse a diretora.

— O que foi que ele fez dessa vez? — Questionou Elisa.

— Bem, aqui explicaremos melhor, mas já adiantando ele e Felipe devem ser separados de turma. — Respondeu a diretora.

Elisa corre até a escola para resolver o problema com Pedro, ao chegar no local a enfermeira tem uma surpresa, o pai de Felipe também foi chamado, e ao perceber quem é o pai do menino, Elisa entra em choque.

Dona Elisa, senhor Álvaro acompanhem-me até a direção. Na sala da direção a diretora contava as peripécias e confusões que Pedro e Felipe aprontaram, mas Elisa não consegue se concentrar pois entrou em choque ao ver Álvaro ali.

— Façam o que for melhor para escola, se eles não podem ficar juntos, então separem os dois de turma. — Disse Elisa a diretora.

— Pois bem, está resolvido! Se a senhora me dá licença eu preciso ir, desde que minha esposa morreu meus filhos e minha família dependem de mim! — Declarou Álvaro.

— Independente da situação, foi um prazer Senhora…? — Continuou Álvaro estendendo a mão a Elisa.

— Elisa! Meu nome é Elisa! — Respondeu a enfermeira cumprimentando o empresário.

— Tenham um bom dia! — Concluiu Álvaro deixando a sala.

No fim do dia Elisa e Pedro estão em casa, enquanto a avó prepara o jantar Pedro termina a lição de casa.

— Vó, a senhora está bem? — Questionou Pedro.

— Está triste por minha culpa? — Continuou o menino.

— O que, não meu filho, claro que não, só estou cansada, o dia no hospital foi puxado. — Respondeu Elisa.

— A senhora não deveria mais trabalhar tanto assim! — Disse Pedro.

— Ah que isso, tenho cinquenta e dois anos, não sou tão velha. — Respondeu Elisa fazendo os dois rirem.

— Mas também estou chateada com você, meu filho nós não temos condição de pagar aquela escola, a bolsa que você tem é preciosa, você não pode arriscar perder. — Disse Elisa.

— Eu sei, me desculpe vó, não farei mais esse tipo de brincadeira. — Respondeu Pedro abraçando a avó.

— Pedro, tem mais uma coisa que quero te pedir, quero que se afaste do Felipe! — Pediu a enfermeira.

— O que? Mas por quê? Eu já disse que não vou mais aprontar na escola. — Questionou Pedro.

— Pedro, não me questione, apenas faça o que digo, é para o seu bem! — Declarou Elisa.

— Mas Felipe é meu melhor amigo vó! — Insistiu o menino.

— Pedro! — Declarou Elisa.

— Tudo bem… — Disse Pedro renegado.

No dia seguinte Pedro chega à escola e encontra Felipe a sua espera.

— Oi Pedro! E aí, o que vamos aprontar hoje? — Perguntou o menino.

— Me desculpe Felipe, minha vó disse que não podemos mais nos falar. — Respondeu Pedro.

— O que? A sua vó é uma velha doida! Você é meu melhor amigo! Não pode parar de falar comigo! — Disse Felipe indignado.

— Não fale assim da minha vó, ela não é doida e tudo que faz é para o meu bem! — Respondeu Pedro chateado.

Felipe sai correndo para a sala de aula enquanto Pedro fica para trás. Na porta da sala Pedro é atacado pela professora que o impede de entrar.

— Venha comigo Pedro, a partir de hoje essa não será mais sua turma! — Declarou a Professora.

Pedro segue com a professora até sua sala nova, para ele não foi difícil entender o pedido da avó, ele a ama e quer dar muito orgulho a ela. Felipe já não aceitou a separação deles tão fácil, ele sempre foi uma criança problemática e nunca aceitou a morte da mãe, Felipe sempre teve certeza de que seu pai tinha alguma coisa a ver com a morte dela.

            Fevereiro de 2016.

Quatro anos se passaram desde que Pedro deixou de falar com Felipe, mas o menino sempre reparou que o amigo não conseguiu lidar com esse distanciamento como ele. Agora com dezesseis anos Pedro resolve dar um oi, eles já não são mais crianças, eles não irão aprontar e sua avó não os impedirá de serem amigos.

Na escola Pedro cumprimenta Felipe.

— Oi!

Felipe olha para Pedro com desprezo.

— O que o favelado da escola pensa que está fazendo?

— Felipe, eu só… — Dizia Pedro.

— Ei, ei ei ei… nem mais uma palavra, não falo com gentinha da tua laia não! — Respondeu Felipe.

Pedro sente-se constrangido e percebe que todos na escola estão olhando para ele. O rapaz não entendia por que daquela atitude de Felipe, ou talvez entendesse, afinal ele abandonou o amigo no momento mais difícil de sua vida.

— Tudo bem, entendo… — Dizia Pedro.

— Você não entende nada, gentinha como você não deveria estar no mesmo ambiente que gente como eu, vocês só servem para uma coisa, limpar a nossa sujeira! — Declarou Felipe.

Após a escola Pedro chega em casa e encontra a avó preparando o almoço, Elisa agora é aposentada e não precisa mais trabalhar, já é hora de Pedro cuidar do futuro dele, e o rapaz está ansioso para conseguir um emprego.

Pedro largou currículo em diversas empresas, mas ninguém ainda havia chamado o rapaz, mas ele mantém firme a esperança, ele sabe que quando fosse para ele o emprego virá.

Por outro lado, Felipe nem precisa procurar, ele já tem a vida feita, assumirá o lugar do pai no comando das redes de supermercados da família, fora isso ele ainda tem uma herança bem gorda da falecida mãe.

— Felipe, troque de roupa, vá vestir algo adequado, hoje você irá comigo para o escritório! — Disse Álvaro ao filho.

— Tudo bem, vou me tocar vossa excelência! — Respondeu Felipe irritando o pai.

No escritório Álvaro mostra e ensina todos os seus afazeres a Felipe, por todo o tempo que esteve aprendendo Álvaro se surpreendeu com o filho, ele parecia outra pessoa, dedicado e interessado em aprender.

Enquanto isso no RH de um dos supermercados a responsável seleciona um currículo, é o de Pedro eles selecionam e o chamam para uma entrevista, o rapaz como sempre muito carismático consegue o emprego.

Alguns meses depois…

Pedro está a alguns meses trabalhando como repositor do supermercado gerenciado pela família de Felipe, ele adora o emprego, têm bons amigos e é um funcionário excelente. Enquanto isso Felipe continua a aprender tudo o que o pai o ensina com muito empenho, Felipe têm tudo para se tornar um presidente ainda melhor que o pai para as empresas.

— Essa noite é seu aniversário filho, vamos fazer um jantar e comemorar! — Disse Álvaro.

— Não quero comemorar, meus aniversários perderam a graça desde que a mamãe se foi. — Respondeu Felipe.

Álvaro percebe a angústia do filho, mas nunca teve coragem de admitir que a esposa se suicidou porque descobriu de todas as suas traições.

— Você que sabe! — Respondeu Álvaro.

Álvaro deixa Felipe no escritório e parte para a uma das lojas da rede de supermercados, no meio de seu passeio pela loja ele observa um funcionário, ele é muito eficiente, cativante e muito prestativo, chamou tanto a atenção de Álvaro que o próprio foi até ele cumprimentar.

— Boa tarde Rapaz! — Disse Álvaro.

— Boa tarde! Posso ajudar? — Respondeu Pedro.

— Primeiro me diga seu nome? — Perguntou Álvaro.

— Meu nome é Pedro. — Respondeu o rapaz.

— Eu sou Álvaro! — Apresentou-se o empresário.

— Senhor Álvaro, o dono da rede? Nossa, é um prazer conhecê-lo — Falou Pedro estendendo a mão.

— Bom preciso ir, só queria te parabenizar pelo trabalho, você é muito bom mesmo, e me tem um rosto familiar… bem preciso ir! — Disse Álvaro indo em direção a saída do mercado.

A noite Pedro chega em casa e conta para a avó que conheceu o patrão, Álvaro, o dono da rede de supermercados.

— O que? — Diz Elisa derrubando um copo.

— Vó!! Cuidado, a senhora está bem? — Perguntou Pedro preocupado.

— Sim, estou, só… Pedro você o conheceu? — Disse Elisa ainda em choque.

— É, mas ele só me parabenizou pelo trabalho, cuidado com os cacos, deixa que eu limpo. — Disse Pedro a avó.

— E ele falou mais alguma coisa? — Questionou Elisa.

— Bem, ele disse que tenho um rosto familiar para ele, mas nem questionei, ele estava com pressa. — Respondeu Pedro.

— Pedro, eu não acho bom você continuar nesse emprego… — Disse Elisa.

— O que? Como assim vó? — Perguntou o rapaz.

— Não é nada demais, só estou com um pressentimento, você deveria sair desse mercado! — Declarou Elisa.

— Vó, levei anos para conseguir esse emprego, não vou desistir dele, está tudo bem, não precisa se preocupar! — Respondeu Pedro.

Depois do jantar eles vão para seus quartos e Elisa conversa consigo mesmo.

— Eu preciso arrumar um jeito de tirá-lo desse supermercado, ele não pode mais se encontrar com o Álvaro.

Na casa de Felipe, mesmo contra a vontade do rapaz, o pai e a irmã fazem um jantar para comemorar seu aniversário, o rapaz recebe alguns presentes e todos vão dormir. Em seu quarto Álvaro pensa no interesse de Felipe em comandar as empresas, ele conhece muito bem esse interesse pois ele fez o mesmo com seu pai.

— Preciso pôr mais alguém naquele escritório! — Disse Álvaro.

— Alguém que eu possa confiar. — Concluiu Álvaro.

No dia seguinte todos levantam e tudo se reinicia, Álvaro e Felipe vão para o escritório e Pedro vai para o trabalho, na chegada da loja Pedro dá de cara com Felipe que não gosta nada de rever o “ex-amigo”.

— O que esse cara faz aqui? — Pergunta Felipe ao gerente da loja.

— Ele é nosso funcionário senhor, um dos melhores inclusive! — Respondeu o gerente.

Algumas horas depois, Felipe está na sala da gerência cheio de ódio e arma um plano para demitir Pedro, ele não pode simplesmente demitir, existem todas as leis a favor do funcionário, mas Felipe é ardiloso e sabe bem o que fará. Ele vai até o vestiário, descobre o armário de Pedro e põem seu relógio dentro, Felipe chama o gerente e arma uma confusão afirmando ter sido roubado.

— Fechem as lojas! Revistem os armários! — Ordenou Felipe.

Pedro e os colegas ficam em choque com a possibilidade de um deles ser o culpado. Em meio a revista os seguranças encontram o relógio no armário de Pedro.

— O que? Eu não roubei nada! — Afirmou Pedro incrédulo.

— Não é o que parece, ladrão! — Declarou Felipe.

— Junte seus trapos e suma da minha loja, e agradeça por não chamarmos a polícia! — Continuou Felipe.

— Sempre soube que você passava fome, mas nunca achei que seria capaz de roubar! — Concluiu Felipe olhando com desprezo a Pedro.

— Eu não roubei nada! Isso tudo é uma injustiça! — Declarou Pedro.

— Suma daqui e nunca mais tente pedir emprego em uma das MINHAS lojas! — Disse Felipe o expulsando.

Pedro vai para casa e conta para a avó tudo que aconteceu, Elisa tenta acalmar o neto e o consola.

— Meu filho, tudo acontece por uma razão, não fique assim, Deus sabe de todas as coisas. — Disse Elisa.

— Você vai encontrar coisa melhor, eu te garanto! — Concluiu a avó.

Curiosidades: Uma matéria sobre Dragões.

Fonte: Wikipédia

Dragões ou dragos (do grego δράκων, drákōn) são criaturas presentes na mitologia dos mais diversos povos e civilizações. São representados como animais de grandes dimensões, normalmente de aspecto reptiliano (semelhantes a imensos lagartos ou serpentes), muitas vezes com asas, plumas, poderes mágicos ou hálito de fogo. A palavra dragão é originária do termo grego drákōn e é usada para definir grandes serpentes.

Em vários mitos são apresentados literalmente como grandes serpentes, como eram inclusive a maioria dos primeiros dragões mitológicos, e em suas formações quiméricas mais comuns. A variedade de dragões existentes em histórias e mitos é enorme, abrangendo criaturas bem mais diversificadas. Apesar de serem presença comum no folclore de povos tão distantes como chineses ou europeus, os dragões assumem, em cada cultura, uma função e uma simbologia diferentes, podendo ser fontes sobrenaturais de sabedoria e força, ou simplesmente feras destruidoras.

Os dragões talvez sejam uma das primeiras manifestações culturais ou mitos criados pela humanidade.

Muito se discute a respeito do que poderia ter dado origem aos mitos sobre dragões em diversos lugares do mundo. Em geral, acredita-se que possam ter surgido da observação pelos povos antigos de fósseis de dinossauros e outras grandes criaturas, como baleias, crocodilos ou rinocerontes, tomados por eles como ossos de dragões.

Por terem formas relativamente grandes, geralmente é comum que estas criaturas apareçam como adversários mitológicos de heróis lendários ou deuses em grandes épicos que eram contados pelos povos antigos, mas esta não é a situação em todos os mitos onde estão presentes. É comum também que sejam responsáveis por diversas tarefas míticas, como a sustentação do mundo ou o controle de fenômenos climáticos. Em qualquer forma, e em qualquer papel mítico, no entanto, os dragões estão presentes em milhares de culturas ao redor do mundo.

Se você for curioso como eu, no link abaixo você pode acompanhar uma matéria muito legal sobre esse mito.

https://super.abril.com.br/mundo-estranho/dinossauros-deuses-mito-dos-dragoes-ao-longo-dos-milenios/

O Preço de um Segredo: Capítulo 4 – O Jantar.

Capítulo 4 – O Jantar.

Chegando em casa Elisa põe Pedro no banho e vai para cozinha preparar o jantar, da cozinha ela ouve o pequeno cantarolar, aliais cantarolar é o que Pedro mais faz, ele passa horas cantarolando. A enfermeira pega uma tábua de cozinha e começa a cortar os temperos, mesmo concentrada não tira Nicolau da cabeça, em meio a seus pensamentos algo a traz de volta a realidade, a campainha toca. Elisa vai até a porta e uma surpresa, é Nicolau, chegou a hora de esclarecer tudo.

— Você! — Disse Elisa.

— Precisamos conversar Elisa! — Respondeu Nicolau.

— É! Precisamos! — Concordou Elisa.

— Tudo bem, Pedro está no banho, entre, vamos até a cozinha. — Diz Elisa ao motorista.

Na cozinha os dois tem uma conversa reveladora, Nicolau conta tudo a Elisa, conta sobre Lilian, sobre Álvaro e revela que foi ele quem deixou o menino na porta dela.

— Isso é loucura Nicolau! — Disse Elisa.

— Porque você nunca me contou, para que esperar tanto tempo, você nos vigiava quando podia apenas me dizer a verdade! — Declarou Elisa.

— Eu não podia Elisa, tinha medo que você me devolvesse o menino, tinha medo de que desistisse de cuidá-lo. Acompanhei a sua busca pela família dele Elisa, não podia arriscar o futuro da criança! — Defendeu-se Nicolau.

— Agora… a mãe dele quer vê-lo, a coitada está no fim da vida, uma mulher tão nova, mal chegou aos trinta anos, uma doença grave a pegou e ela não pode ir para o hospital, Elisa se Álvaro descobre que ela está viva, que não cumpri meu serviço, tudo pode estar perdido. — Disse Nicolau.

— Vê-lo? — Questionou Elisa.

— Ela não pode sumir da vida do menino e simplesmente aparecer assim, Nicolau ele só tem seis anos! Como vou explicar tudo a ele? — Completou Elisa.

— Mas Elisa, ela é a mãe! E está morrendo! — Insistiu Nicolau.

— Não! Ela não é a mãe dele! A mãe dele morreu e eu sou a avó! Ele é meu neto Nicolau! — Decretou Elisa.

— Elisa? — Revidou o motorista.

Elisa pensa no que disse ao motorista e lembra-se de que não é avó de Pedro, o menino foi deixado a ela, Elisa não tem direito algum sobre o pequeno.

— Pense no que eu disse, pense na situação dela, nós podemos achar uma solução para que eles se vejam e ele não saiba da verdade. — Disse Nicolau.

— Tudo bem, vou pensar, mas até me decidir, não quero que ele saiba de nada! — Declarou a enfermeira.

— Tudo bem! Obrigada Elisa, por tudo que fez pelo menino até agora! — Agradeceu Nicolau.

Após a conversa Nicolau parte e Elisa tira Pedro do banho, os dois jantam e a enfermeira leva o menino para o quarto.

— Boa noite vovó! — Disse Pedro.

— Boa noite meu amor! — Respondeu Elisa beijando a testa do menino.

No outro lado da cidade Marieta põem os filhos para dormir e vai para o quarto. No quarto Marieta toma um banho e senta-se na cama, já é tarde da noite e Álvaro ainda não chegou, Marieta sabe muito bem por que ele ainda não está em casa, Álvaro só pode estar traindo a esposa.

No dia seguinte Elisa chama Nicolau até sua casa, ela finalmente tomou uma decisão sobre o encontro de Lilian com Pedro.

— Eu concordo com o encontro dos dois Nicolau, mas tenho uma condição! — Revelou Elisa.

— Tudo bem, e qual é essa condição? — Questionou Nicolau.

— Ela não revelará em momento algum que é a mãe de Pedro! Ela pode abraçá-lo, beijá-lo, enfim pode se despedir dele, mas ela não vai revelar nada a ele! — Concluiu Elisa.

— Tudo bem, vou levar essa condição a Lilian, mas estou quase certo de que ela irá aceitar, mais uma vez obrigada pela sua compreensão Elisa. — Agradeceu Nicolau deixando a casa de Elisa.

Na casa de Álvaro ele e a esposa discutem sobre onde ele havia passado a noite.

— Onde você esteve Álvaro? — Questionou Marieta.

— Já disse, estive no escritório a noite toda Marieta! — Respondeu Álvaro.

— Com quem? — Insistiu Marieta.

— Com ninguém sua maluca! — Gritou Álvaro indo em direção ao quarto.

— Maluca? Você acha que sou maluca? Álvaro sei muito bem que você está de caso com aquela “secretariazinha” de quinta! — Gritou Marieta.

— Não sei do que você está falando, me deixe me paz! Você é maluca! — Respondeu Álvaro.

No quarto Marieta vai até a varanda e ameaça se atirar.

— O que você está fazendo? — Perguntou Álvaro.

— Diga a verdade ou me atiro! — Declarou Marieta.

— Marieta, desça dai antes que você caia, pare com essa loucura, não estou te traindo! — Pediu Álvaro aproximando-se da esposa.

— Álvaro… você… — Disse Marieta em meio as lágrimas.

— Marieta, desça dai, as crianças estão chegando, pelo amor de Deus… — Disse Álvaro.

— Você jura que não está me traindo? — Questiona Marieta.

— Eu juro meu amor, juro para você! — Respondeu Álvaro.

Do portão da mansão o pequeno Felipe observou a mãe descer da varanda, mesmo tão pequeno ele já foi obrigado a ver diversas discussões dos pais.

Na sala de casa Nicolau entra com as crianças que correm de encontro da mãe.

— Por que você estava na varanda mamãe? — Questionou o pequeno Felipe.

— O que? Ah, não era nada meu bem, não se preocupe, suba para o banho. — Respondeu Marieta.

— A senhora precisará de mim para mais alguma coisa dona Marieta? — Perguntou Nicolau.

— Não, pode ir Nicolau, já está dispensado. — Respondeu Marieta.

O motorista vai até a casa do interior onde Lilian ficou confinada esses anos todos, na casa ele revela a Lilian as condições de Elisa para o encontro com Pedro.

— Se essa é a única forma de vê-lo Nicolau, aceito! Mas por favor tragam-no logo, não sei quanto tempo mais vou resistir! — Disse Lilian.

Lilian está muito doente, não sabe ao certo o que tem, sente fortes dores constantes no abdômen, mas sabe que sua vida não se estenderá muito.

— Marcarei um jantar, vamos organizar tudo aqui, Elisa trará o menino e você poderá passar algumas horas com ele, essa é a única forma Lilian, não podemos arriscar ir para cidade, se Álvaro descobre que está viva estará tudo acabado. — Disse Nicolau.

— É, você tem razão! — Concordou Lilian.

No dia seguinte Nicolau vai até Elisa, revela que Lilian concordou com a condição e marca um jantar na sexta a noite, o motorista ficou responsável por buscar Elisa e o menino para levá-los até Lilian, o jantar estava marcado.

A sexta-feira chega e Elisa explica ao pequeno Pedro que os dois vão a um jantar na casa de uma amiga da enfermeira, Pedro adora visitar as pessoas e por isso fica contente com a notícia.

Não demora muito e Nicolau chega para levá-los, os três se dirigem a casa de Lilian, no carro Elisa e Nicolau tem uma conversa.

— Meu Deus, em que buraco essa mulher teve de se enfiar? — Questionou Elisa.

— Longe, bem longe dos olhos do senhor Álvaro! — Respondeu o motorista.

— Tudo isso para morrer sozinha, qual o preço que se paga por um amor não correspondido? Isso é horrível! — Declarou Elisa.

Mais uns quilômetros e eles chegam a casa de Lilian, a mulher estava no interior da casa apreensiva, em todos esses anos ela sempre acompanhou o desenvolvimento de Pedro através de fotos que Nicolau trazia a ela, mas vê-lo pessoalmente seria um momento único.

— Chegaram! — Pensou Lilian ao ouvir o som do motor do carro.

Elisa e Pedro descem do carro, o menino agarra a mão da avó e olha para ela.

— Está tudo bem meu amor! — Disse Elisa.

Eles entram na casa e lá estava Lilian emocionada, Elisa a cumprimenta e apresenta Pedro a ela, Lilian não aguenta a emoção e cai em lagrimas.

— Como você está grande! E tão lindo! — Diz Lilian se aproximando de Pedro.

Pedro corre para as pernas da avó.

— Está tudo bem Pedro, pode abraçá-la ela é sua… — Dizia Elisa.

— Ela é amiga da vovó! — Concluiu a enfermeira.

Pedro então toma coragem e abraça Lilian que cai em desespero, ela chora e beija o filho, Elisa observa a cena e entende toda a dor que ela sentia, uma dor que só uma mãe é capaz de suportar. Elisa se emociona com o reencontro deles.

— Por que você está chorando? — Questiona o pequeno Pedro.

— Porque fazia tanto tempo que não te via! — Respondeu Lilian.

— Eu e sua avó nos conhecemos a muito tempo atrás e nunca mais fui visitá-los. — Explicou Lilian.

Todos se sentam no sofá, a noite passa e eles conversam muito, Lilian não desgrudou de Pedro um minuto e Nicolau ficou feliz em vê-los juntos. Todos jantam e após o jantar Pedro adormece nos braços de Lilian, havia chegado a hora de se despedir.

— É hora de irmos, amanhã é sábado e Pedro tem aula de futebol. — Disse Elisa.

— Claro! Elisa, queria te agradecer por ter cuidado do meu filho. — Disse Lilian.

— Me apeguei a ele muito rápido, esse menino tem um brilho especial Lilian. — Respondeu Elisa.

— Eu faria tudo de novo se fosse preciso! — Concluiu a enfermeira.

Lilian olha para o rosto de Pedro pela última vez e conclui em meio as lagrimas.

— Elisa, quero que me prometa que nunca irá contar a verdade a ele, nunca! Nem que ele te insista no futuro se descobrir que não é seu neto! Não diga a ele quem eu fui ou quem é o pai dele, não conte nada! Ele é seu agora!

— Eu juro Lilian! — Respondeu Elisa pegando Pedro em seu colo.

Em casa Elisa põem Pedro na cama e pensa no juramento que fez a Lilian, seria melhor que Pedro nunca soubesse de nada? A enfermeira não tem certeza, mas também não quer que o pequeno sofra, Elisa decidiu que guardará esse segredo até o fim de sua vida.

Alguns dias depois Lilian passa mal e é levada por Nicolau ao hospital.

— Que susto você me deu! — Disse Nicolau.

— É, mas acho que minha hora está chegando Nicolau, me sinto fraca…— Disse Lilian com a voz baixa.

— Fique calma, vai ficar tudo bem! — Respondeu Nicolau.

Naquela tarde, Nicolau volta ao hospital, mas dessa vez com sua patroa Marieta, a mesma não estava se sentindo muito bem e foi se consultar. No corredor do hospital indo em direção ao consultório de seu médico Marieta passa em frente ao quarto de Lilian.

— O que! Você! —  Declarou Marieta entrando no quarto.

— Marieta… como… o que… — Dizia Lilian muito fraca.

— O que faz aqui, como você… eu achei que já estivesse morta! — Disse Marieta surpresa.

— Marieta, eu fugi de Álvaro, ele tentou me matar! — Revelou Lilian.

— O que? Está maluca? Só pode estar delirando, Álvaro nunca seria capaz de uma monstruosidade dessa, você não aceita que perdeu, não é? Ele deve ter te abandonado e agora está inventando essa história, porque em? a troco de que? — Revidou Marieta.

— Não, você não sabe, Álvaro é um monstro Marieta! — Insistiu Lilian.

— Cala essa boca! Está mentindo! Deixe-nos em paz, desapareça, morra como havíamos pensado! — Ameaçou Marieta.

— Não se preocupe, vou morrer logo! Mas antes preciso que saiba de uma coisa! — Disse Lilian.

— Não vou ficar aqui ouvindo asneiras e mentiras de uma mulherzinha como você! — Disse Marieta indo em direção da porta.

— Eu e Álvaro tivemos um filho! — Declarou Lilian.

Marieta para em frente a porta do quarto de Lilian e vira-se para a moça novamente.

— O que você disse? — Questionou Marieta perplexa com a notícia.

— Dei a luz a um filho de Álvaro! — Declarou a moça.

— Você… mas, mas como… Álvaro e você? Isso é loucura… vocês? — Disse Marieta ainda em choque.

— Sim, quando ele descobriu tentou me matar, por isso eu fugi, mas agora não tenho mais medo dele, já estou no fim da vida mesmo, só queria que você soubesse, dizem que a verdade nos acalma no fim da vida, então está tudo certo! Esse era o segredo que me mantinha presa aqui, agora já posso partir! — Concluiu Lilian.

— Já! Pode partir, boa viagem ao inferno! — Declarou Marieta arrancando os fios dos aparelhos que mantinham Lilian viva.

Marieta sai do quarto e fecha a porta, ela vai em direção a sala de espera e encontra Nicolau.

— Mas já, rápido hoje dona Marieta! — Disse o motorista.

— É, agora vamos, me leve para casa e depois vá buscar as crianças. — Ordenou Marieta.

Nicolau faz o solicitado. Em casa Marieta vai para o quarto e escreve uma carta de despedida aos filhos, após terminar a carta Marieta vai para o banheiro e se tranca, no banheiro Marieta pega uma tesoura e se suicida, a mulher já não suportava mais aquela vida que levava com Álvaro.

Alguns dias depois Álvaro contrata uma governanta para tomar conta das crianças e focou em sua empresa, Álvaro sabia que era o culpado pela morte da esposa, e por isso, fez uma promessa a si mesmo de que nunca mais se relacionaria com mulher alguma e desde a morte de Marieta, a promessa foi cumprida.

A Última Existência: Texto III – O Dia em que a Terra ficou sem Água.

Texto III: O dia em que a Terra ficou sem Água. (Autor desconhecido, texto retirado da internet.)

Era final de fevereiro no verão de 2019. Acordei cerca de 4 da tarde nesse dia, mas não porque tinha qualquer compromisso cedo.   

Fui rapidamente despertar minha esposa e meus filhos já adolescentes: 

― Boa tarde! Vamos tentar novamente hoje antes que seja tarde demais. ― Sussurrei.

Isto vem acontecendo há alguns meses, a primeira vez foi realmente estranho, agora se tornou parte da nossa rotina, mas lembro-me ainda do primeiro aviso deste tipo no noticiário local, lia-se: 

 “ALERTA: amanhã esta cidade será incluída no rodízio nacional de conservação de água, durante os próximos 3 dias não haverá qualquer fornecimento de água para sua casa”. 

Três dias, pensei. Como nós vamos permanecer 3 dias sem água! 

Todas as casas agora tinham pelo menos duas caixas d’água para conseguir sobreviver durante os dias secos, não se tratava mais de conservação de água, em alguns casos tornou-se uma questão de sobrevivência.  

Alguns locais foram criados pelas autoridades, de modo que poderíamos ir pegar água em casos extremos, mas as pessoas tinham que esperar na fila durante cerca de 4 horas e houveram relatos de muitas brigas e discussões.   

Isto foi há um ano, agora a situação era diferente aqueles foram tempos mais fáceis, lembro-me que não muito tempo atrás, talvez dez anos, tudo era tão diferente me lembrei do tempo quando eu abria as torneiras enquanto escovava os dentes, olhando para o espelho enquanto a água descia, o som e o cheiro de água limpa e fresca fluindo continuamente, de quando abríamos nosso chuveiro por alguns minutos aguardando o banheiro ficar quente.  

Tudo isso soava tão natural, algumas vezes esquecíamos e começávamos a fazer outras coisas na casa, e talvez após 5 minutos voltávamos para encontrar o banheiro enevoado, úmido e quente. Ainda recordo a sensação gostosa daquele vapor no meu rosto, na frente de casa havia uma pequena lagoa que vimos secar em um mês quando a crise atingiu mais duramente.   

Agora ficamos sem água corrente durante cerca de 2 meses, a prefeitura libera água no encanamento no início da tarde, mas a pressão é muito baixa. Portanto, temos que acordar cedo da noite e preparar-nos para bombear o quando pudermos de água, quando o problema se tornou crítico as autoridades mudaram o horário de trabalho, com a escassez de água e o aumento das temperaturas nós agora dormimos durante o dia e saímos durante à noite.   

Banhos agora são um luxo, banheiros são lugares do passado, tudo foi adaptado para funcionar sem água. É inacreditável como somos criativos quando atingidos por uma catástrofe, e egoístas.  

A água, que é atualmente a mais cara de todas as coisas, uma vez foi desperdiçada de todas as maneiras possíveis, agora a água é exclusiva para beber e para produção de alimentos.   

Quase todos os rios e lagos desapareceram. As plantas de dessalinização da água do mar não estão sendo capazes de acompanhar a redução drástica em água doce ao longo dos últimos anos, os governos estão prometendo grandes investimentos em infraestrutura, mas levará tempo. 

Meus filhos voltam e me dizem que conseguiram bombear água suficiente para encher uma caixa, que provavelmente vamos ter que fazer durar pelo menos uma semana.  Ouvimos notícias que a produção de alimentos está em risco em algumas partes do mundo e que grande imigração deve ser esperada, o destino principal é a América do Sul, o lugar onde reside a última cachoeira do mundo. Nós estávamos planejando ir visitar com as crianças, pois eles não se lembram de como é um rio, mas tivemos que desistir, uma cidade foi construída em torno e é quase impossível chegar lá, você tem que literalmente brigar para passar pela cidade e o exército local está encarregado de proteger o lugar. Um Trabalho duro.  

Bem, vamos voltar a dormir, vai ser uma longa noite de trabalho, é engraçado como as decisões que não tomamos são tomadas por nós, no entanto, não necessariamente do modo que gostaríamos.   

O Preço de um Segredo: Capítulo 3 – O Homem nas Sombras.

Capítulo 3 – O Homem nas Sombras.

Fevereiro 1996.

Elisa prepara o bebê e vai até uma amiga advogada para preparar tudo para a adoção, a advogada organiza todos os documentos e juntas vão ao cartório, no cartório Elisa toma uma nova decisão.

— Bem, o nome será… — Pensou Elisa.

— Pedro! O nome dele será Pedro Assunção.

A advogada olha para Elisa e entende o recado.

— Nome da mãe? — Questionou a atendente.

— Maria Assunção! — Respondeu a advogada.

— Sou eu, eu sou a mãe adotiva dele. — Concluiu Maria.

Após saírem do cartório Maria questiona o motivo de Elisa não ter registrado o bebê em seu nome.

— Não posso Maria, já tenho quarenta anos, daqui dez anos esse bebê será como um neto, não podia registrá-lo, vou cuidar dele e você não precisa se preocupar com nada. Obrigado pelo favor. — Disse Elisa.

— Tudo bem, sabe que pode contar comigo, mas o que dirá a ele quando perguntar pela mãe? — Questionou Maria.

— Direi que era minha filha e morreu! — Respondeu Elisa.

— Mas Elisa e se ele me procurar? — Perguntou a advogada.

— Ele não vai, e quem sabe até lá eu encontre a família dele não é mesmo? — Declarou Elisa.

— Tudo bem, qualquer coisa é só me chamar. — Concluiu Maria.

Elisa chega no portão de sua casa com o bebê e tem a sensação de estar sendo observada, aquela sensação a perseguiu a manhã toda, mas a enfermeira não sabe de onde vem. Ao pegar as chaves do portão ela percebe uma movimentação próximo à esquina, quando se vira para olhar Elisa vê apenas a sombra de um homem.

Elisa entra com Pedro e começa a olhar pela janela, ela não percebe ninguém estranho, a única pessoa que está na rua é Nicolau, o irmão de sua vizinha, Nicolau é motorista de um homem muito rico na cidade e isso é tudo o que Elisa sabe sobre ele.

Elisa da um banho no bebê, e o põem para dormir, após a criança adormecer ela liga ao hospital e informa que precisa de uma licença, a enfermeira explica tudo e consegue a licença, serão três meses em casa com o bebê.

A noite chega e Elisa deita-se para dormir, o dia foi longo e ela passou o dia arrumando o quarto para Pedro, a enfermeira não podia negar que estava se apegando cada vez mais pela criança. No meio da noite Elisa ouve um barulho vindo do quarto de Pedro, a enfermeira corre para verificar, a janela estava aberta e mais uma vez ao olhar Elisa percebe a sombra de um homem fugindo de seu pátio.

— Meu Deus! O que é isso! — Disse Elisa assustada.

Elisa pega Pedro no colo e o leva para seu quarto, no dia seguinte ela liga para Maria e a convida para um café, a advogada e amiga aceita e vai até a casa da enfermeira, ao chegar Elisa conta tudo o que aconteceu na noite passada.

— Meu Deus Elisa, você precisa ir à polícia! — Aconselhou Maria.

— Não, eu resolvo isso, deixa comigo! — Revelou Elisa.

— E o que você está pensando? — Questionou Maria.

— Aguarde e você verá! — Respondeu Elisa.

Do outro lado da cidade Marieta e Álvaro aproveitavam belos dias ao lado do pequeno Felipe.

— Ele é lindo, não é? — Disse Álvaro.

— É, ele é perfeito! — Concordou Marieta.

— Você o acha mais parecido comigo ou com você? — Questionou Álvaro.

Marieta assustasse, e de repente têm uma sequência de lembranças assustadoras sobre tudo que fez para conseguir o bebê.

— Com você! Com certeza com você! — Respondeu Marieta.

Álvaro sorri e olha para a esposa a beijando.

— Eu te amo Marieta! — Declarou-se Álvaro.

— Eu te amo Álvaro! Amo vocês dois! — Disse Marieta.

Naquela tarde Elisa chamou um metalúrgico que colocou grades em sua casa, Elisa também aproveitou e mudou todas as fechaduras naquele dia.

— Se alguém pensa que vai invadir minha casa, está muito enganado! — Disse Elisa.

— Boa tarde! — Cumprimentou Nicolau.

— Boa tarde! — Respondeu Elisa.

— Colocando grades? — Questionou o motorista.

— Sim! Tentaram invadir minha casa ontem a noite! — Declarou a enfermeira.

— Meu Deus, mas levaram algo? — Perguntou Nicolau.

— Não, cheguei a tempo de evitar o pior. — Declarou Elisa.

— E você viu quem foi? — Questionou o motorista.

— Não, mas vou descobrir! — Concluiu Elisa.

A noite chega e Elisa está na sala assistindo televisão, a enfermeira está inquieta, não tira os acontecimentos da noite passada da cabeça. Elisa leva Pedro ao quarto e vai para o seu se preparar para dormir, a enfermeira ouve novamente um barulho vindo do quarto do bebê, mas dessa vez ao invés de ir até o quarto Elisa corre para o lado de fora da casa com um revólver na mão, quando chega no local vê um homem pulando o muro, Elisa dispara dois tiros para o alto e o homem corre para escapar.

— Volta aqui para você ver se não te meto um tiro nas fuças vagabundo! — Disse Elisa toda valente.

Os vizinhos logicamente, saíram na rua verificar o que estava acontecendo, Elisa conta a história e deixa todos em choque.

— Mas agora tenho certeza de que ele não retornará! — Declarou Elisa orgulhosa.

            Março de 2002.

Seis anos se passam e Pedro já está indo para seu primeiro dia de aula, Elisa arruma a lancheira do “neto” enquanto ele termina de escovar os dentes. Em todos esses anos a enfermeira buscou informações sobre o paradeiro da família de Pedro, mas nunca encontrou.

— Anda Pedro, estamos atrasados! — Disse Elisa.

— Já estou indo vovó! — Respondeu Pedro.

Elisa leva Pedro para a escola, no caminho ela pensa em como vai explicar para o pequeno que ela não poderá ficar com ele enquanto ele estiver na escola, ela olha pelo retrovisor e observa-o na cadeirinha balançando seus pés e cantarolando alguma cantiga. Pedro é uma criança extraordinária, ele sempre foi muito dócil, gentil e inteligente.

Em um bairro de classe alta do Rio de Janeiro, Marieta termina de arrumar a mochila de Felipe e Vitória, após dois anos do “nascimento” de Felipe, Marieta apresenta a Álvaro exames que mostram que a esposa não poderá mais ter filhos, juntos os dois resolvem adotar uma menina, a chegada de Vitória foi a maior alegria para Felipe.

— Anda Felipe, Nicolau já nos aguarda! — Disse Marieta.

— Estou pronto mamãe. — Respondeu o pequeno Felipe.

Ao contrário de Pedro, Felipe é um menino muito levado, adora aprontar com as pessoas e os próprios animais de estimação, certa vez Marieta o encontrou cortado os pelos do cachorro da família.

Na escola Elisa e Pedro descem do carro. Elisa leva-o até a porta da sala e começa a procurar palavras para explicar a situação a Pedro.

— Então meu amor, a vovó não vai poder ficar aqui com você, mas você vai perceber que aqui também é legal e tem…. — Dizia Elisa.

— Tudo bem vovó, você pode ir, vou ficar bem! — Declarou o pequeno.

Elisa fica espantada com a maturidade do menino, mas ao mesmo tempo está orgulhosa do neto.

— Eu te amo Vovó! — Disse Pedro a beijando.

— Eu te amo Pedro! — Respondeu Elisa.

— Agora vai, vai logo ou quem vai acabar chorando sou eu. — Diz Elisa levando-o em direção a porta da sala.

Pedro entra na sala de aula e Elisa dirige-se ao portão da escola, no caminho a enfermeira percebe a presença de um homem a observando, ele está de capacete em uma moto e por esse motivo ela não conseguiu identificá-lo, mas havia um detalhe que Elisa se lembra muito bem, a camisa xadrez.

Na noite que tentaram invadir sua casa pela segunda vez Elisa quase pegou o invasor, mas ele escapou, porém ela lembra-se muito bem da camisa que ele usava, Elisa tem certeza, era uma camisa xadrez. Ao perceber que Elisa o reconheceu o motoqueiro misterioso foge.

Em meio as lembranças, Elisa se esbarra com uma criança no portão.

— Opa, cuidado meu bem, se machucou? — Questionou Elisa.

— Não! — Respondeu a criança correndo em direção a sala de aula.

— Ah, me desculpe, meu filho não tem jeito. — Desculpou-se Marieta.

— Está tudo bem, não foi nada! — Respondeu Elisa.

Após esses acontecimentos a enfermeira vai para o trabalho. No hospital ela e Jade conversam sobre o que vem acontecendo com Elisa e Pedro.

— É desde o dia da chegada dele Jade, sempre vejo essa sombra desse homem. — Revelou Elisa.

— Mas ele já tentou alguma coisa? — Questionou Jade.

— Não, nunca! — Respondeu Elisa.

— E quem você acha que pode ser? — Perguntou Jade.

— Já pensei em milhares de possibilidades, mas a única que me vem a mente é… — Disse Elisa fechando a porta da enfermaria para que ninguém escute.

— Jade, e se for o pai daquele bebê que trocamos naquela noite? — Disse Elisa.

— Não Elisa! Por que ele te perseguiria? — Revidou Jade.

— E se o Pedro for aquele bebê? Não lembro do rosto dele, foi tudo tão rápido! — Declarou Elisa.

— É impossível, eles nunca vão descobrir que os bebês foram trocados! Tire essa ideia maluca de sua cabeça! Além de que, o filho deles morreu! — Concluiu Jade.

Após a conversa com a amiga, Elisa volta ao trabalho. No fim do dia a enfermeira passa na escola e pega Pedro para ir para casa, no caminho de casa eles passam no supermercado, Pedro adora ir ao supermercado, ele senta-se no carrinho e se sente um piloto de fórmula um. Por um momento Elisa deixa-o sozinho para pegar uma cartela de iogurte no freezer, quando retorna a atenção ao carrinho ela perde o chão, o menino havia sumido.

A enfermeira inicia uma maratona de busca pelo mercado, depois de passar por diversos corredores ela encontra Pedro conversando com um homem, ao reparar a camisa xadrez do rapaz Elisa entra em desespero novamente.

— Se afaste do meu neto! — Gritou Elisa ao rapaz.

— Pedro, saia de perto dele! — Ordenou Elisa.

Ao se aproximar Elisa percebe que o homem com quem Pedro conversava era Nicolau.

— Nicolau? — Disse Elisa.

— Olá Elisa! Tudo bem? Me desculpe, vi o Pedro e só queria mostrar a ele essas balas, não sabia que faria mal, nos conhecemos a tanto tempo… — Disse Nicolau.

Elisa o observa ainda em choque, pega na mão de Pedro e o leva até o carrinho.

— Está… bem… anda Pedro, vamos para casa! — Disse Elisa pegando a mão do neto.

No caminho para casa Elisa não diz uma palavra, ela não consegue tirar a camisa de Nicolau da cabeça, a enfermeira tem certeza de que aquela é a mesma camisa do Homem nas sombras!

O Preço de um Segredo: Capítulo 2

Capítulo 2 – A Escolha.

Maio de 1995.

Lilian acorda em uma bela manhã de domingo, ela vive em um apartamento de luxo no Leblon com vista para o mar. A jovem leva uma vida de rainha, sempre coberta por joias e as melhores roupas não poupa quando vai ao shopping junto de dois seguranças.

— Bom dia, minha rainha! — Cumprimentou Álvaro agarrando-a pela cintura e beijando seu pescoço.

— Bom dia amor da minha vida! — Respondeu Lilian beijando-o.

— Que noite tivemos, pena que passou tão rápido. — Disse Álvaro vestindo a calça.

— É, e quando você volta? Já estou com saudades! — Perguntou Lilian sentando-se na cama.

— Essa noite mesmo, você sabe que não aguento ficar muito tempo longe de você! — Respondeu Álvaro vestindo a camisa.

— Então por que não larga ela e me assume logo? — Questionou a jovem.

— Você sabe o porquê! — Declarou Álvaro.

— É complicado, tem muita coisa em jogo, não posso me divorciar! — Continuou Álvaro.

Álvaro termina de se vestir e vai até Lilian que está pensativa, ele se aproxima e a beija.

— E se eu estivesse grávida? Você me assumiria? — Questionou Lilian.

— Nem brinca com uma coisa dessa, isso é impossível, sempre uso preservativo. — Respondeu Álvaro.

— Deixe de pensar besteira, muita mulher gostaria de levar a vida que te proporciono! — Concluiu Álvaro em tom arrogante.

Álvaro deixa o apartamento e segue para sua empresa, o rapaz é herdeiro de uma grande rede de supermercados. Em sua sala Álvaro pensa no que Lilian disse mais cedo, e se Lilian estivesse grávida, como seria? Álvaro precisa tirar essa história a limpo.

No apartamento Lilian abre uma gaveta e retira um envelope, dentro havia um exame que comprovava sua gravidez, a jovem ajoelhasse aos pés da cama e começa a chorar.

— E agora? O que farei? — Disse Lilian aos prantos.

Em seu escritório Álvaro recebe a visita de sua esposa Marieta, uma mulher elegante e de boa família que assim como Álvaro tinha suas posses, seus pais são fazendeiros com milhares de cabeças de gado em Minas Gerais.

— Bom dia meu amor! — Disse Álvaro indo em direção a esposa.

Ao se aproximar Marieta dá um tapa no rosto do marido.

— Onde você esteve ontem a noite? — Questionou Marieta com lagrimas de raiva nos olhos.

Álvaro virasse e vai em direção a sua cadeira, ele é um homem ardiloso e enquanto caminha pensa em cada mentiria que sairá de sua boca.

— Passei a noite toda aqui! Trabalhando para manter o nível de vida que proporciono a você e as crianças, e é assim que você me agradece Marieta? — Declarou Álvaro.

— MENTIRA! Você acha que sou boba Álvaro? — Respondeu Marieta aos berros.

— Você estava com ela não estava? ADIMITA! Seja homem pelo menos uma vez na sua vida! — Continuou Marieta.

— Você está maluca! Marieta você é completamente maluca! — Revidou Álvaro.

— Eu te amo e já provei isso milhares de vezes! Quer comprovar que estive a noite toda aqui, pergunte a Nicolau! — Concluiu Álvaro.

Nicolau é motorista de Álvaro a anos, ele sempre soube e acobertou as escapadas do patrão, afinal ele recebe e muito bem para manter esses segredos.

— Álvaro vou te avisar pela última vez, se eu descobrir que você está se encontrando com aquela mulherzinha de novo, juro a você que me separo no mesmo instante, sem nem pensar duas vezes! — Concluiu Marieta deixando o escritório do marido.

— Droga! — Resmungou Álvaro sentando-se em sua cadeira.

Na saída da empresa Marieta encontra Nicolau e questiona o motorista sobre a noite de Álvaro.

— O Senhor Álvaro passou a noite toda aqui dona Marieta, eu posso garantir! — Respondeu o motorista.

— Nicolau, obrigada por me confirmar, hoje a tarde passe ao banco, vou deixar uma ordem de pagamento no seu nome pelos seus serviços, e não esqueça continue de olho no Álvaro para mim. — Disse Marieta.

Sim Nicolau criou um esquema, ele recebe de Álvaro para mentir a patroa que ele passa a noite no trabalho e recebe de Marieta para ficar de olho no patrão. Ambos os patrões são enganados e Nicolau sai com lucro em dobro.

O dia passa e Álvaro vai até o apartamento ver Lilian, no apartamento a jovem o espera pronta para mais uma noite, os dois jantam e vão para a banheira, na banheira Lilian resolve revelar a Álvaro que está esperando um bebê do empresário.

— O QUE? Você está maluca, já disse que isso é impossível! — Declarou Álvaro.

— Não é, meu amor não é! Furei suas camisinhas, todas elas! — Revelou Lilian.

Álvaro entra em estado de choque com o que Lilian o revelou, ele não pode acreditar no que ela fez, como ele explicaria a Marieta que está esperando um filho bastardo, um filho de uma mulher que era sua secretária a três meses atrás! Álvaro olha para Lilian em seus braços na banheira e só vê uma alternativa.

Sem pensar direito Álvaro agarra nos cabelos de Lilian e começa a afogar a moça na banheira, ele não pode deixá-la viva, ela arruinaria sua vida, seu casamento. Lilian começa a se debater e Álvaro não a solta, quando a jovem começa a perder as forças Álvaro perde a coragem e a moça finalmente sai da banheira e retorna a respirar, em choque ela cai no chão e olha para o rapaz que começa a chorar arrependido.

— Me desculpe Lilian… — Disse Álvaro em meio as lagrimas.

Lilian começa a se arrastar pelo chão do banheiro incrédula pelo que acabou de passar, Álvaro a segue pedindo perdão. Assim que se recuperam Álvaro tenta conversar com Lilian.

— Não quis fazer aquilo… — Defende-se o rapaz.

— Mas fez Álvaro! Você ia me matar! — Revidou Lilian.

— Estou desesperado, você tem noção do que fez Lilian? — Declarou Álvaro.

— Eu fiz por amor! Álvaro eu te amo e já não suporto mais viver escondida. — Respondeu Lilian em meio as lagrimas.

— Você me ama? — Questionou Álvaro.

— Amo! Muito Álvaro! — Declarou-se Lilian.

— Faria qualquer coisa por você! — Concluiu a jovem.

— Então tira esse bebê! Tira ele e juro que me separo em um mês e nos casamos! — Declarou Álvaro.

— O que? Tirar a criança? Álvaro? — Disse Lilian em choque com o pedido.

— Você precisa, prova para mim que me ama de verdade, prova e me caso com você! — Propôs o rapaz.

— Vai embora Álvaro! Saia daqui agora! — Ordenou Lilian.

— Lilian, pensa no que eu te disse, juro para você que me separo! — Insistiu Álvaro deixando o apartamento.

Álvaro parte para casa e Lilian fica pensativa, ela não consegue acreditar na proposta que recebeu, Álvaro era tão desumano a ponto de pedir para que ela abortasse a criança, isso é grave e Lilian jamais aceitaria, não aceitaria porque desde que descobriu que estava grávida ela já amava aquele bebê, não aceitaria porque ela decidiu que seria mãe e nem a proposta de Álvaro a faria voltar atrás em sua decisão, se Álvaro não quer assumir o filho ela o terá sozinha.

Na manhã seguinte Álvaro chega ao escritório e recebe a visita de seu pai, ele conta tudo o que aconteceu ao pai e lhe pede um conselho.

— O senhor precisa me ajudar pai, estou desesperado e não sei o que fazer! — Clamou Álvaro.

— Você é um imbecil Álvaro, como pode se deixar enganar por uma mulherzinha de quinta! — Respondeu o pai.

— Você precisa se livrar dela, você precisa sumir com essa mulher o mais rápido possível! — Aconselhou o pai de Álvaro.

Sumir com Lilian, era isso que Álvaro faria, mas como? Qual seria o próximo passo? Álvaro já havia tentado matá-la uma vez e não conseguiu, isso não é um serviço para ele.

Em casa Marieta recebe a visita de uma amiga enfermeira.

— Jade, que bom que você chegou, então conseguiu? — Questionou Marieta.

— Sim, aqui está! — Respondeu Jade entregando um envelope para Marieta.

Marieta abre o envelope e ali está a salvação do seu casamento com Álvaro.

— É isso! Com esses exames falsos consigo prender o Álvaro a mim pelo resto da vida! — Declarou Marieta.

— Isso não vai me complicar… não é Dona Marieta? — Perguntou Jade.

— Não se preocupe, não irei envolver você nessa história, aqui está, como tínhamos combinado. — Respondeu Marieta entregando um envelope de dinheiro a Jade.

No escritório Álvaro recebe a visita de Marieta, pela primeira vez em anos a esposa chega ao escritório dele com um sorriso no rosto.

— Marieta? O que faz aqui? — Questiona Álvaro surpreso.

— Estou aqui porque não pude esperar mais para te dar essa notícia! — Respondeu Marieta.

— O que foi? Aconteceu alguma coisa? — Pergunta Álvaro.

— Aconteceu! Álvaro meu amor, estou grávida! — Revelou Marieta.

— Grávida? — Questiona Álvaro surpreso.

— Sim, você não está feliz? — Pergunta Marieta estranhando a reação do marido.

— Estou, claro que estou! — Responde Álvaro abraçando e beijando a esposa.

Mas a verdade é que Álvaro está em choque, Marieta e Lilian estão esperando um filho seu, Álvaro sabe que terá que se livrar de Lilian o quanto antes.

No apartamento Lilian recebe uma visita de Nicolau que foi levar um recado de Álvaro a jovem, na carta o rapaz solicita encontrá-la naquela tarde, mas diferente das outras vezes Álvaro quer vê-la fora do apartamento.

— Será que ele vai me assumir de vez! — Pensou Lilian esperançosa.

A jovem se arruma e vai acompanhada de Nicolau para o encontro com Álvaro.

— Mas para onde estamos indo Nicolau? — Questionou Lilian.

— Vamos ao encontro do senhor Álvaro. — Respondeu o rapaz.

— Mas estamos saindo da cidade! — Pontuou Lilian.

— É.… ele a aguarda em um lugar distante Lilian, não se preocupe, logo chegaremos. — Concluiu o motorista.

Nicolau leva Lilian até uma estrada no interior do Rio de Janeiro, na estrada ele pede para que a moça desça do carro.

— Descer? Mas o que está havendo? — Questionou a moça assustada.

— Apenas faça o que estou lhe pedindo! — Declarou o motorista.

Lilian desce do carro junto a Nicolau.

— Aqui é o fim da linha para você Lilian! — Disse Nicolau.

— Você está maluco! Você não pode me abandonar aqui Nicolau! — Clamou Lilian.

— E quem disse que vou te abandonar? — Respondeu Nicolau sacando uma arma.

Nicolau ordena que Lilian vire de costas e comece a andar para bem longe, quando a jovem obedece ao motorista ele aponta a arma para as costas da jovem.

— Me perdoe senhorita Lilian! — Disse Nicolau.

Ao perceber o que está prestes a acontecer Lilian entra em desespero e suplica ao motorista:

— Nicolau, por favor não faça isso, estou grávida! — Anuncia a jovem.

O motorista então fica em choque com o que acabou de ouvir.

— Grávida? Do que você está falando? — Questiona Nicolau.

— Estou esperando um filho do Álvaro! — Conclui Lilian com lagrimas escorrendo pelo rosto.

Lilian conta toda a história ao motorista que se arrepende do que estava prestes a fazer.

— Eu não sabia que você estava grávida, o seu Álvaro solicitou o serviço, mas não me informou desse detalhe, jamais mataria uma mulher grávida! — Declarou Nicolau arrependido.

Nicolau é um homem de muitos serviços, além de motorista é envolvido em diversos assassinatos encomendados por seus patrões, mas ele nunca foi pego por nenhum desses crimes. O motorista tem uma ideia, ele leva Lilian até uma casa abandonada no interior.

— Você fica aqui até o bebê nascer, depois disso a gente vê o que faz, eu te trago comida e tudo o que precisar. — Disse Nicolau.

Lilian concorda com os termos estabelecidos pelo motorista e assim a jovem ficou durante nove meses. Em todo esse tempo Nicolau cumpriu o prometido, levava comida e tudo o que ela precisava, com o passar do tempo o motorista foi comprando moveis e foi reformando a casa velha.

Na cidade, Marieta conseguiu sustentar sua mentira durante os nove meses de gestação, tudo graças a Jade que arrumava exames e ultrassons a ela em troca de uma bela quantia em dinheiro.

— Aqui está, obrigada mais uma vez! — Agradeceu Marieta entregando mais um envelope de dinheiro a Jade.

— Tudo bem, já vou indo então. — Disse Jade.

— Espere Jade, tenho mais um pedido a fazer. — Revelou Marieta.

— Sim, o que a senhora precisa? — Questionou Jade.

— Preciso de um bebê! — Declarou Marieta.

— Um bebê? Mas dona Marieta… — Dizia Jade.

— Eu te pago o que for preciso, mas você precisa me ajudar, me traga um bebê Jade e vou deixa-la rica! — Declarou Marieta.

No último mês da gravidez Nicolau tirou suas férias e acompanhou o fim da gestação ao lado de Lilian, os dois criaram uma amizade, uma grande amizade. Nos últimos dias de gestação Lilian informa o motorista de sua decisão sobre o futuro da criança.

— Não posso ficar com ele Nicolau. — Informou Lilian com os olhos cheios de lagrimas.

— Mas o que faremos Lilian, quer que eu o entregue a algum orfanato da cidade? — Questionou o motorista.

— Não! Você precisa entregá-lo a alguém que você sabe que irá cuidá-lo. — Disse Lilian.

— Tudo bem, tem uma senhora na rua da minha irmã, ela é enfermeira e vive sozinha, vou deixá-lo na porta da casa dela! — Informou Nicolau.

            Fevereiro de 1996.

No Hospital Elisa e Jade trocam os bebês, o bebê de Leticia a moradora de rua é entregue a Mariana e o marido e recebe o nome de Afonso.

Jade pega o bebê de Mariana que supostamente havia morrido e entrega-o a Marieta que espera nos fundos do hospital.

— Oh, meu pequeno, meu amor, meu Felipe! — Declara Marieta com o bebê no colo.

Na casa do interior, uma parteira entrega o bebê no colo de Lilian.

— Meu bebê, a coisa mais linda desse mundo! — Declara Lilian emocionada.

— Me perdoe por não poder cuidar de você, mas tenho certeza que ainda vamos nos reencontrar, sempre estarei com você meu filho! — Despediu-se Lilian beijando a cabeça do filho e entregando-o a Nicolau.

Em frente a casa da enfermeira Elisa, Nicolau despede-se do pequeno filho de Lilian.

— Adeus meu pequeno! Não se preocupe, eu sempre estarei por perto! — Disse Nicolau ao bebê.

Dentro da casa Elisa se prepara para um banho quando ouve um trovão, a tempestade já está chegando, após o banho ela prepara-se para jantar quando ouve a campainha de sua casa, mas quem será uma hora dessa, já é passado da uma da manhã, a enfermeira vai até o portão de sua casa e encontra uma cesta, dentro dela mais uma surpresa, um bebê.

Casa de Loucos ❤

Era uma casa cheia de gente,

Cheia de ideias, cheia de opiniões.

Uma casa cheia de problemas, mas também de soluções.

Uma casa cheia de graça, e também de frente para a praça.

Uma casa cheia de esperança, de sonhos e de crianças.

Uma casa cheia de adultos, de brigas e tumultos.

Uma casa cheia de bicho, de flores e envolta de um muro.

Uma casa de amigos, de pais e de filhos.

Uma casa cheia de novelas, de filmes e futebol.

Uma casa cheia de vontades, de viver, de construir e se reconstruir.

Uma casa cheia de piadas, de brincadeiras e de muita ironia.

Era uma casa de loucos, doidos de pedra, tão malucos a ponto de se amarem tanto que não cabe no peito.

Uma casa de amor, de compreensão, diversidade, trabalho e união.

Uma casa de loucos! ❤

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