O Tal do “Assumir-se”

Por: Fábio Anhaia

No Post de hoje vamos falar um pouquinho sobre esse assunto “polêmico”, o “assumir-se”. A sociedade é muito curiosa, para não dizer outra coisa, eu sempre achei muito estranho essa situação de que o homossexual deve se assumir, então eu lhes pergunto, assumir o que? Porque? Qual são as justificativas para que o LGBTQIA+ tenha que “se assumir”? Eu acredito que nenhum ser humano deve se submeter a essa situação, isso é constrangedor, não é confortável, as pessoas devem ser como são sem precisar esfregar na cara do outro o que é ou não é.

Porque só o gay deve “se assumir”? Porque o hétero não precisa? Qual a diferença?

Vamos lá, o heterossexual nasce, cresce, é educado e quando atinge a maioridade arruma uma namorada e pronto, segue seu ciclo. O gay nasce, cresce, é educado e quando atinge a maioridade arruma um namorado e ai… ah mas pera lá onde está a parte de que ele precisa “se assumir”? Porque o LGBTQIA+ tem que passar por essa parte?

“Ah, mas a sociedade precisa saber! Onde já se viu!”. Por favor gente, então isso significa que mesmo com todos esses anos de evolução, mesmo depois de várias pessoas terem perdido a vida, lutado por um mundo melhor e diversificado, ainda assim o gay precisa expor isso? Ainda assim ele precisa expor em um outdoor que é gay para que depois, ai sim, ele vá seguir sua vida normalmente?

Não querer se expor, ou “se assumir” não significa que a pessoa tenha vergonha de ser quem é, significa que a pessoa só quer viver em paz, sem precisar expor aos quatro ventos que é homossexual e está tudo bem, então parem de cobrar o “assumir-se” do próximo e comece a exercer o RESPEITO, afinal você sabe que a pessoa é, então para que fazer ela passar por essa situação?

A sociedade hoje em dia é diversificada, existem vários estilos de vida e a minha opinião ainda é de que as pessoas devem viver da forma que quiserem sem precisar se assumir, os indivíduos devem aceitar os outros como são e não cobrar deles um posicionamento que já está explícito.

Esse post é para que você pense e se coloque no lugar do outro, não estou aqui ditando como deve ser, mas sim expondo como eu acredito que deveria ser.

Arco Íris Futebol Clube – Parte III (final)

Autor: Fábio Anhaia

No dia seguinte quando chegam para o jogo o time de Roberto fica chocado, seus uniformes haviam sido tingidos de rosa e nos nomes dos jogadores haviam ofensas como viadinho”, “sapatão”, “florzinha”, “mariquinha” além de diversas outras.

Mas isso não abalou o Arco Íris Futebol Clube, Matheus que era formado em um curso de costura, customizou os uniformes que ficaram incríveis, as ofensas foram tapadas com pedaços de tecidos que tinham neles palavras de amor e gratidão, os uniformes foram customizados como forma de resistência, não seriam ofensas que abalariam o time, eles tinham um objetivo e estavam ali para cumprir.

— O que eles fizeram com nossos uniformes foi uma forma de tentar nos intimidar! Mas isso não vai nos parar, temos um objetivo aqui e ele vai ser cumprido! Não é pelo motivo de vocês serem da comunidade LGBTQIA+ que vocês não podem jogar futebol, estamos na final, estamos aqui porque gostamos e sabemos jogar, esse preconceito de que futebol é “coisa de homem” já é ultrapassado, nós somos homens, somos mulheres, somos Drags, somos o que somos e amamos futebol, e estamos aqui para provar isso, para mostrar ao mundo que esporte não tem gênero, esporte tem alma, e alma de esportistas nós temos de sobra, vamos para aquele campo e sairemos daqui campeões! Juntos somos fortes! — Declarou Roberto ao seu time.

O jogo se inicia e o time de Pedro faz o primeiro gol, as coisas pareciam ser fáceis, e Pedro subestimou o time de Roberto, mas no decorrer da partida tudo pareceu mudar, o Arco Íris Futebol Clube faz o primeiro gol, alguns minutos depois faz o segundo e o terceiro, não foi muito tempo e fizeram o quarto e o quinto encerrando a partida com a maior goleada do campeonato.

O Arco Íris Futebol Clube foi o campeão do torneio surpreendendo a pequena cidade, nem todo mundo ficou contente com a vitória, mas diversas pessoas comemoraram com o time, desde aquele dia a cidade começou a olhar para as pessoas “diferentes” com outros olhos, ninguém mais selecionava os amigos pelo gênero, as pessoas começaram a ser mais empáticas e menos preconceituosas e tudo por conta de um menino que teve que mostrar a eles que o mundo pode ser mais colorido e que ninguém é melhor do que ninguém. Somos todos iguais, só que cada um da sua forma, até porque amor é só amor!

Arco Íris Futebol Clube – Parte II

Autor: Fábio Anhaia

No dia seguinte Matheus chega a escola e é questionado por Roberto.

— Matheus, você é gay? — Questionou Roberto.

— Bem, eu… Roberto, se eu responder que sim, vai deixar de falar comigo? — Respondeu Matheus.

— Não, porque deixaria? — Declarou Roberto.

Os olhos de Matheus começam a brilhar de alegria e então ele responde:

— Sim, eu sou gay!

— E porque não me contou antes? — Questionou Roberto.

— Bem, os garotos daqui não gostam de mim, eles se afastam quando digo que sou gay… — Respondeu Matheus cabisbaixo.

— Essa é uma cidade pequena, com pessoas pequenas que vivem em seus mundinhos, aqui todos vivem como a “tradicional família brasileira” Matheus, eu vim de São Paulo, uma cidade grande onde todos podem ser quem são sem medo de se expressar, é claro que existe o preconceito, nem todos aceitam, mas é um pouco mais fácil. — Disse Roberto.

— Então não vai deixar de falar comigo? — Perguntou Matheus receoso.

— Não, você não é o único amigo gay que tenho! — Revelou Roberto.

— Obrigada Roberto, isso significa muito para mim! — Agradeceu Matheus abraçando o amigo.

No dia seguinte ao chegar no treino de futebol Roberto é cercado pelos colegas de time.

— Então vocês estão me expulsando do time? — Questionou Roberto.

— Sim! Não queremos “bichinhas” no nosso time! — Disse Pedro.

— Muito bem, se é assim que vocês querem… — Declarou Roberto retirando-se do estádio.

Algumas semanas depois o torneio de futebol municipal se inicia e para surpresa de todos um novo time havia sido inscrito para disputa do torneio, o Arco Íris Futebol Clube.

Formado por diversos jovens da comunidade LGBTQIA+ da cidade o time se apresenta para o campeonato, o capitão do time entrega o nome dos jogadores aos organizadores da partida, o capitão era Roberto o único jovem hétero do time.

O campeonato se inicia, os times foram divididos em dois grupos, os dois melhores do grupo se classificavam para as semifinais, os vencedores das semifinais se classificavam para as finais.

Após duas semanas de jogos os times que chegaram as finais foram anunciados, como de costume o time dos meninos da cidade que tinham como capitão o jovem Pedro se classificou, mas a surpresa estava na classificação do adversário. O Arco Íris Futebol Clube que tinha Roberto como capitão enfrentaria o time de Pedro na final.

— HAHAHAHA, vai ser moleza, vamos acabar com as “mariquinhas”, vocês vão ver! — Anunciou Pedro aos seus colegas de time.

Uma noite antes do jogo da final Pedro invade a sala dos uniformes do torneio e arma uma maldade contra o time de Roberto.

Continua…

O que será que Pedro armou? será que o time de Roberto vai conseguir ser campeão? Na terça-feira você vai descobrir a conclusão dessa história cheia de representatividade.

E não se esqueça, futebol não é coisa de homem, futebol é coisa de GENTE, sem gêneros, sem rótulos, é esporte!

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