A Última Existência: Texto II – A Outra Terra

Texto II: A Outra Terra. (Autor desconhecido, texto retirado da internet)

Sinto falta do céu azul
E de só um sol amarelo
De pássaros voando para o sul
E das florestas de verde singelo
Vejo a noite estrelas estranhas Sem uma lua cinza a brilhar
Cidades em cúpulas tamanhas
Onde o vento não pode brincar
Apenas o deserto esta lá fora
Sem nenhum ser vivo para olhar
No céu uma gigantesca e verde esfera Com anéis e uma lua azul a girar
Vejo no velho banco de dados
Imagens de nossa mãe Terra
O lar azul donde fomos tirados
Pela ignorância de uma guerra
Hoje ela gira solitária
Sem a humanidade que criou
Pois o inimigo pária
Até hoje nela ainda não habitou
Nossas cidades e monumentos Estão em total abandono
Corroídos pelas chuvas e ventos Tendo a natureza por dono
Não sei quando irá mudar
Os rumos desta guerra
Mas espero poder voltar
Para a nossa mãe Terra

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A Grande Família

Autor: Fábio Anhaia.

Em uma tarde de domingo, ele está sentado debaixo de uma árvore. Ele adora esse lugar, pois ali ele tem a melhor visão de toda aquela grande confusão.

Aquela é uma reunião especial, a família toda participa e esse momento é impagável. No fundo do jardim está a tia dele, uma mulher bonita e estilosa, sempre preocupada com o cabelo, maquiagem e afins, com o celular na mão ela posta alguma coisa, ou talvez esteja conferindo o batom.

Do outro lado está o tio mais novo, cantando e dançando, sempre com uma lata de cerveja na mão. É o mais divertido dos tios com toda a certeza. A frente dele encontra-se a prima rica, metida e entojada, toda família tem esse personagem, mas no fundo é uma boa pessoa.

Um pouco mais a direita, o casal de tios conservadores, aquela tradicional família brasileira, ele os observa e percebe o quão cômico e antiquados são. Mais a esquerda o primo gay e a prima militante, se a sua família não tem, então me desculpe informar, mas não é família.

Mais a Frente os avós conversam e contam aos netos o início de tudo, histórias encantadoras sobre como se conheceram e as batalhas enfrentadas juntos. Ele percebe alguma estória sobre uma fuga dos dois quando eram jovens, ele sorri de lado.

Aquela mistura de gente, aquele misto de opiniões, aquele amontoado de pensamentos, em meio aquelas flores sobre o gramado verde o impressionam. “Como podem se amar? Com tantas divergências, mas com tanto afeto, que coisa curiosa!” Pensava ele.

Frente a toda aquela linda cena no pôr de sol do jardim florido da casa dos avós, ele observa todo orgulhoso por saber que faz parte dessa grande confusão, ele faz parte dessa Grande Família.

A Última Existência: TEXTO I

Autor: Desconhecido (Texto encontrado na internet)

Estava sentada olhando para o horizonte em meio a todo o caos que tomara conta do mundo. Em todo lugar, presumia, pessoas buscavam abrigo inutilmente para o que estava por vir. Podia praticamente ver toda a correria e desespero de famílias unidas buscando lugar em alguma nave rumo à Marte ou a alguma lua de Júpiter ou Saturno. Podia imaginar os solitários conectados que buscavam informações que lhe acalmassem e que mesmo sabendo do inevitável, recusavam-se a sair de suas poltronas e consoles. Sentiu pena em imaginar o que fariam quando a energia acabasse.
Outros se lançavam às ruas e pavimentos para exercer uma liberdade irrestrita abandonando o último laço de qualquer coesão social que ainda restava naquelas mentes. Voltaram eles todos ao tempo das cavernas, apesar de toda a tecnologia desenvolvida por tantos milênios pela humanidade, onde o ser humano possuía total liberdade e nenhuma segurança. A situação atual fez a balança da liberdade e segurança, que sempre insistia em pender de um lado para outro, girasse freneticamente. Famílias buscando toda segurança que não podiam ter e andarilhos avulsos que corriam para desfrutar de uma liberdade que não poderia exercer.
Ela também estava solitária. Sentada em posição de flor-de-lótus, sobre uma colina próxima do centro urbano encarava o astro-rei em seus suspiros finais. O sol pulsava já fazia algumas semanas enviando ondas de calor que já haviam destruído algumas cidades inteiras em questão de segundos. Os cientistas não podiam prever nem direção, nem momento, sequer a intensidade da próxima rajada de calor. As informações eram desencontradas, o que deixava os conectados em polvorosa, mas havia o consenso em relação a gravidade da situação.
O sol, o astro-rei, o objeto mais importante para a manutenção de toda a vida e existência na Terra e nas colônias dentro do sistema solar estava entrando em colapso. Aquele evento que nunca preocupava a humanidade até então estava eminentemente perto. O momento em que o sol explodiria e passaria de uma estrela do tipo anã amarela para se tornar uma gigante vermelha. As gigantes vermelhas eram bem mais frias que as amarelas, porém não morreremos de frio, mas com o calor, pois o diâmetro de nossa estrela ocupará toda a órbita dos planetas rochosos.
Aqueles que correm para fugirem em busca de abrigo em alguma lua orbitante de Júpiter ou Saturno, querem acreditar que estarão seguros nessas colônias, se agarram com todas as forças nesta mínima possibilidade. Contudo sabem que essas colônias serão devastadas pela radiação que emanará desta explosão. Seus habitantes sabem perfeitamente o que lhes aguarda.
Ela escolheu um final diferente para sua existência. Preferiu colocar um par de óculos de lentes douradas especiais e preferiu encarar de frente a estrela prestes a entrar em colapso. Trata-se de um evento histórico importante, pensou ironicamente e continuou, seria interessante observar atentamente para relatar tudo. Em seguida ficou amarga, em pensar que não existiríamos mais. Ficou aliviada por nunca ter sido mãe e remexeu várias decisões de sua vida, mas afastou esses pensamentos afirmando a si mesma que são inúteis numa hora dessas. Questionou-se, o que seria útil numa hora dessas?
Pensar no passado era o que restava para que não poderia mais pensar no futuro. Sendo uma historiadora, que muito dedicou de sua vida a isso, não faltaria material mental para refletir, alegrou-se brevemente, mas a história serve para refletir sobre o que faremos no futuro e…. Seu raciocínio foi interrompido por um
estrondo e uma luz que durou pouco mais que segundos. Se não fossem os óculos estaria cega. Uma região habitada a quase perder de vista ardia em chamas e radiação. O calor aumentara e podia observar o sol pulsar para os lados como se empurrando alguém que estivesse ao seu lado lhe incomodando.
O grande momento estava perto, pensou, ao contrário do que havia visto em filmes de “fim do mundo”, não havia lugar para niilismo sóbrio nem para ela que estava apenas contemplando o sol pela última vez em toda a história da humanidade. Não havia escatologia que nos preparasse para o que se iniciara, nem haveria um crepúsculo para a coruja de minerva e ela se sentia impotente pela última vez.
Pôde ver o astro rei aumentar de tamanho rapidamente e sentir as suas lentes derreterem em seu rosto antes de ficar completamente cega. O calor tomou conta de seu corpo, mas em seguida não sentiu mais nada. Estranhamente sentiu-se como no fundo do oceano quando mergulhara em sua juventude, mas sem o aperto da roupa de mergulho. Buscou olhar para os lados e raciocinar, mas não conseguiu e então a última existência chegava ao fim.

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SAUDADE

É sobre os momentos bons
É sobre a falta que isso me faz
É sobre a felicidade que você me traz

É sobre se importar
É sobre abraçar
É sobre saber marcar

É sobre amar
É sobre sorrir
Mas também é sobre chorar

É sobre quebrar a cara
É sobre juntar os cacos e recomeçar
É sobre saber a hora de voar

É sobre os momentos
É sobre os sorrisos
É sobre o instante

É sobre felicidade
E também sobre tristeza
Mas acima de tudo, é sobre saudade!

O Maior Amor do Mundo

Autor: Fábio Anhaia

O maior amor do mundo, um amor capaz de superar barreiras, capaz de enfrentar tudo e todos, o maior amor do mundo.

Um amor incondicional, um amor sensacional, sem rótulos e sem defeitos, o maior amor do mundo.

Um amor direcionado, um amor certeiro, daqueles que deixa qualquer um com inveja, o maior amor do mundo.

Um amor caótico, um amor psicótico, daqueles que te faz perder a cabeça, o maior amor do mundo.

Um amor ancestral, de vidas, de passagens, o maior amor do mundo.

Um amor que fica, que nunca vai, que permanece independente de qualquer coisa, o maior amor do mundo.

Amar não é dizer “eu te amo” a todo momento, amar é agir de tal forma que expresse o carinho, afeto e admiração que se tem por algo ou alguém, o maior amor do mundo.

Amor, amor de pai, amor de tia, amor de mãe, amor de vó, amor de dois, o maior amor do mundo.

Amor meu, amor teu, amor nosso, frio na barriga, “borboletas no estomago”, o maior amor do mundo.

E quando se perguntar, “o que é isso?” a resposta é simples,

Amor, o maior amor do mundo!

O Julgamento do Divino

Autor: Fábio Anhaia

Divino é um homem bom, ele vive em uma cidade caótica e desde criança aprendeu os valores da família, do trabalho e da fé. Na cidade onde mora, Divino observa os jovens de sua idade se perderem entre as drogas e bandidagem do bairro. Certa vez Divino estava entrando na igreja e percebeu os amigos o caçoarem por não poder ir a boate nova que inaugurava naquela noite. Divino não entendia qual o motivo da graça, para ele bons homens deveriam ir a igreja.

Nos anos que se passaram Divino se tornou um homem de bem, cheio de valores, um exemplo entre a geração com qual cresceu, por outro lado seus amigos se tornaram “homens maus”, sem valores, completamente perdidos em meio ao caos, pelo menos na visão que Divino tinha. Em uma tarde Divino fazia compras em um supermercado e quando estava se dirigindo a fila, percebeu uma mulher distraída conversando e passou a sua frente, no estacionamento do supermercado um morador de rua o solicitou um pedaço de pão e Divino simplesmente o ignorou.

Após chegar em casa Divino toma um banho reúne a família e todos partem para a igreja. No dia seguinte Divino vai para o trabalho, ele trabalha no estoque de uma grande empresa e naquele dia os auditores constataram um furo no estoque de Divino, ele justificou e disse que foram produtos perdidos.

No fim do dia Divino vai para casa e ao chegar descarrega do carro uma caixa lotada de produtos, aqueles que faltaram hoje cedo em seu estoque. Divino entrega-os a sua esposa que os revende a uma vizinha. A noite chega e Divino e a família voltam ao culto, agradecem a Deus tudo que ele os têm proporcionado e no fim da noite voltam para casa agradecidos e “renovados espiritualmente”.

Na semana seguinte indo para o trabalho Divino se envolve em um acidente e acaba indo a óbito, mas a morte é o fim? Não nessa história. No céu Divino se encontra em um tribunal, o juiz é Deus, e o Diabo, o promotor. Divino percebe a presença de alguns conhecidos, pessoas que não iam a igreja, que viviam suas vidas consideradas infames por muitos, mas que no fim do dia sempre que chegavam em suas casas agradeciam o trabalho, a comida, a família, a proteção diária e tudo que Deus os proporcionava. Divino observa tudo e chocasse com as sentenças, as pessoas estavam sendo salvas por Deus.

Na vez de Divino, Deus o chama e ele percebe um semblante triste, ao receber sua sentença Divino se desespera, o Diabo já o aguardava nos portões do inferno, pois conforme Deus disse a ele: “ De nada adianta ir para igreja a noite, se vai roubar, mentir, e ignorar seus irmãos que mais precisam, durante o dia! ” Moral da história, não é porque você vai para a igreja e o outro não, que você será salvo por Deus. No dia do julgamento seremos cobrados por nossas atitudes e não por ter ido à igreja.

Cheia de Charme

Autor: Fábio Anhaia.

Andando pelo calçadão de Ipanema, ela vem cativando a todos por quem passa, uma morena bem brasileira com aqueles olhos verdes cor de esmeralda.

Quem a vê, nem imagina pelo que já passou, as lutas e batalhas que enfrentou, os falsos romances que já superou.

Hoje anda de cabeça erguida, cheia de orgulho da mulher que se tornou. A inveja ainda a rodeia, vinda de pessoas que ela jamais imaginou.

Mas hoje está blindada e ninguém vai a derrubar, seu futuro ela quem faz, do calçadão de Ipanema as passarelas de Milão, do Brasil para o mundo.

Não sabe o que o futuro lhe reserva, mas nas mãos de Deus entrega seu destino, pois sabe que com ele estará bem, linda e cheia de charme, graças a ela e mais ninguém.

Pais de primeira viagem

Autor: Fábio Anhaia

Era noite quando Taisa a última convidada do primeiro “mêsversário” do pequeno Lucas saiu da casa de Aline e Erick. Não havia sido uma festa grandiosa, Aline preparou um bolinho e alguns docinhos para a comemoração, apenas as pessoas mais “chegadas” foram convidadas, mas como se sabe, os “ mais chegados” de Aline e Erick davam para encher um enorme salão.

Os papais do pequeno Lucas o colocam para dormir, Aline e Erick estavam exaustos, o dia foi longo e havia tanto para organizar.

— Vamos dormir, amanhã organizamos essa bagunça! — Declarou Erick.

— Você tem razão, não aguento ficar um minuto se quer a mais em pé! — Concordou Aline.

Os dois passam pelo quarto do bebê e o observam dormir tranquilamente.

— Ele é a coisa mais linda desse mundo, tão pequeno, tão frágil… — Pontuou Aline.

— É, e foi nós que fizemos! — Concordou Erick beijando a esposa.

Erick e Aline tomam um banho e se preparam para dormir, finalmente eles poderiam descansar após aquele dia agitado. Ao fechar os olhos Aline percebeu aquele silêncio prazeroso, aquele tão esperado silêncio após um dia barulhento. Por um segundo Aline e Erick puderam relaxar, mas no segundo seguinte um som enorme atrapalhou aquele momento, como se fosse uma bomba que explodiu dentro do apartamento, mas era menos que isso, muito menos, o pequeno Lucas despertou e desandou a chorar.

O menino chorava como se não houvesse amanhã, Aline e Erick se olham e o marido já entende o recado.

— Tudo bem, é a minha vez! — Concordou Erick levantando-se.

No quarto do bebê, assim que Erick abre a porta o pequeno Lucas para de chorar e observa o pai com os olhos arregalados, ao ligar a luz Erick percebe um “sorriso” no rosto do filho.

— Sacanagem em? Será que você faz de propósito? — Questionou Erick.

Erick pega o pequeno em seus braços, confere a fralda, tenta amamentar, mas esse não era o problema.

— Então se está tudo certo, é hora de dormir! — Disse Erick sentando-se na cadeira de balanço e começando a cantarolar.

Trinta minutos depois, Lucas já estava dormindo como uma pedra, Erick o põem no berço e volta para o quarto.

— Está acordada? — Questionou Erick ao perceber que Aline ainda não havia pegado no sono.

— Sim, não consegui dormir sem você… — Respondeu Aline.

Os dois preparam-se para dormir, Aline deita sobre o peito de Erick e quando fecham seus olhos, Lucas desperta e volta a chorar.

Aline levanta e vai até o quarto do pequeno, ela pega-o em seus braços e começa a cantarolar de um lado para o outro, quinze minutos se passam e o bebê já está dormindo feito um anjo.

A jovem mãe retorna ao quarto e encontra Erick a esperando.

— Agora sim, podemos finalmente dormir! — Declarou Aline.

Mas antes mesmo que Aline pudesse deitar na cama, Lucas desperta e retorna a chorar. Erick entra no quarto e ascende a luz, no berço estava o bebê com os olhos bem arregalados.

— Então? Qual é? Vai dormir hoje não? — Questionou Erick.

O bebê sorri para o pai e ele se derrete todo, nesse momento Aline entra no quarto.

— E ai? Qual é o problema agora? — Questionou a jovem.

— O problema é que ele não quer dormir, a fralda está ok, não quis mamar, ele só não quer dormir! — Respondeu Erick.

— Bem, mas nós queremos! Então seu safadinho, “dooooormeeee”! — Disse Aline abraçando o marido que já estava com o filho no colo.

O bebê sorri para Aline, os três vão para o quarto do casal e começam a assistir algum filme que passava em um canal qualquer, Aline adormece e Erick está quase pegando no sono quando Lucas chora.

— O que é, o que houve? O seu problema é comigo não é rapaz? — Diz Erick e o bebê sorri.

— Muito bem, amanhã o papai precisa trabalhar, será que você poderia me deixar dormir? — Questiona Erick

O bebê o observa como se estivesse entendendo tudo o que ele dizia. Dez minutos após, Lucas adormece, Erick observa o pequeno por mais dez minutos e finalmente consegue dormir, aquele era o momento mais esperado do dia de Erick, poder dormir, descansar após um dia exaustivo e finalmente o momento havia chegado, seria perfeito se não fosse o despertador tocar.

Eram seis da manhã e Erick precisava levantar para trabalhar, o papai de primeira viagem levanta, bebe um café bem forte e vai até o quarto. No quarto Erick encontra Aline e Lucas dormindo como dois anjos, ele beija o rosto da esposa e do filho e os observa por mais uns minutos, Erick não havia dormido nada, mas mesmo assim não trocaria aquela vida por nenhuma outra.

2021

Autor: Fábio Anhaia

Dois mil e vinte um foi um ano cheio de desafios, com altos e baixos fomos tentando resistir, resistir as perdas, resistir as tristezas, resistir aos medos e incertezas, a política, a fome, as enchentes, as tragédias… que ano foi esse!

Ainda enfrentamos uma pandemia cheia de restrições, distanciamentos e protocolos de segurança. O que mais nos assusta é o fato de estarmos lutando contra algo que não pode ser visto, algo silencioso e mortal, mas graças a ciência encontramos a vacina e isso fez com que nossas esperanças renascessem, fez com que nossa fé se reforçasse, fé de que um dia isso tudo vai acabar e que tudo vai voltar a normalidade, vamos tirar as máscaras, vamos retomar o controle e seguir a diante.

Mas como seguir a diante depois de tantas perdas? Perdas difíceis de se engolir, mais de seiscentas mil vidas, tudo por conta da irresponsabilidade do governo atual, do descaso, da ignorância e falta de empatia. A essas vítimas só nos resta rezar para que Deus as receba de braços abertos e com muito amor, o que tenho certeza que aconteceu.

Pessoalmente, as perdas que esse ano me trouxe são irreparáveis, mas a cada dia que passa procuro entender que a vida não é eterna, estamos aqui só de passagem, assim como chegamos um dia partiremos independente da nossa vontade.

Mas além das angustias, dois mil e vinte um trouxe muitas alegrias, as famílias voltaram a se encontrar e agora mais fortalecidas, a chegada da vacina trouxe esperança, conforto e segurança. As pessoas voltaram a se abraçar, se beijar e sorrir sem medo, depois de dois anos seguidos sem poder, agora podemos e fazemos, com mais calor, com mais vontade, com mais verdade.

Tenho certeza de que estamos saindo desse ano diferentes do que quando entramos, hoje sabemos a importância de um abraço, a importância do “eu te amo”, hoje sabemos que as pequenas discussões do dia a dia não têm importância alguma pois temos a consciência de que a vida é frágil e que devemos aproveitar cada instante como se fosse o último. Hoje sabemos que o que realmente importa somos nós como família, como pessoa, como ser humano.

Dois mil e vinte um foi um ano marcado por muitas tragédias, mas com certeza foi o ano divisor de águas, desse ano levamos ensinamentos, sorrisos, lembranças e a esperança de que em dois mil e vinte dois tudo será melhor.

Carta de Amor

Autor: Fábio Anhaia

Nunca pensei que escreveria essa carta, desde que você se foi é um vazio enorme, os dias amanhecem menos colorido e a cada coisa que faço me lembro de ti.

Ontem mesmo tive um sonho, nele via você, com seus cabelos brancos e olhos azuis sempre sorrindo, pois esse era você, contigo não tinha tempo ruim.

Com você aprendi a amar três cores, azul, preto e branco, o time do coração me faz lembrar de momentos bons ao mesmo tempo que me apresenta a saudade.

Meus fins de semana ficaram mais tristes pois não tenho você mais neles, mas sigo sorrindo pois entendo que era assim que você gostaria que fosse.

A saudade é grande, mas o amor e ensinamentos que nos deixou são maiores, com eles seguiremos adiante com a certeza de que um dia estaremos todos juntos novamente em algum lugar especial.

Sinto não ter tido a chance de me despedir, sinto não o ter visitado mais vezes, mas vou guardar cada momento contigo em meu coração.

Isso não é uma despedida, é apenas uma carta de amor, de um neto para seu avô.

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