Desculpa!

Autor: Fábio Anhaia.

Desculpa tomar teu tempo

Desculpa te fazer chorar

Desculpa te fazer sentir culpa

Por um amor que jamais existirá.

Desculpa te fazer se humilhar

Por alguém que não te merece

Desculpa te fazer se importar

Por alguém que não faz questão.

Desculpa te impedir de viver

Desculpa te forçar a acreditar

Em algo que já se foi, ou que talvez nunca existiu.

Desculpa te alertar só agora

Desculpa te fazer acordar

Mas saiba que ainda há tempo

Pois aqui estou, diante de mim mesmo, me pedindo desculpas.

O Preço de um Segredo: Capítulo 7 – O Preço de um Segredo.

Capítulo 7 – O Preço de um Segredo.

Na casa de Felipe, ele e sua irmã preparam tudo para o funeral de Álvaro, Vitória estava inconsolável e Felipe mantém a mesma postura firme. O fato é que ele não sente remorso por ter assassinado o pai, é como se de certa forma o rapaz estivesse aliviado.

Longe dali Elisa recebe a visita de uma velha amiga, Jade a enfermeira que trabalhou com Elisa durante muitos anos soube do estado de saúde da ex-colega e foi visitá-la.

— Que bom que você veio, a quantos anos não nos falamos? — Perguntou Elisa.

— A muito tempo Elisa. — Respondeu Jade.

— Como você se sente? — Questionou Jade.

— Ai Jade, não ando muito boa, as vezes passo o dia bem, mas as vezes não tenho vontade nem de levantar. Fiz alguns exames, mas não constam nada, minha saúde é de ferro. Acho que o que está me fazendo mal é o coração e os segredos que ele guarda. — Respondeu Elisa.

— Eu morro de medo de que Pedro descubra tudo um dia, ele nunca me questionou, mas e se ele resolver saber a origem dos pais? — Disse Elisa.

— Sabe Elisa, todos temos segredos, eu mesma tenho os meus, e o que você está me falando faz todo sentido, eu também não me sinto bem com meu coração, talvez tenha chegado o momento de Pedro saber. — Aconselhou Jade.

 — Eu não posso, fiz uma promessa a Lilian, não posso descumprir. — Afirmou Elisa.

— Elisa, eu também fiz uma promessa a uma pessoa a muito tempo atrás, mas vendo você aqui agora adoecendo por conta desse segredo, acho que chegou a hora de me acertar com o passado, e acho que você deveria fazer o mesmo! — Concluiu Jade.

— Do que você está falando? Que promessa? — Perguntou Elisa.

— É coisa minha Elisa, mas pense no que eu disse, você está velha como eu, não se deixe terminar, tenho toda a certeza que Pedro entenderá que tudo o que você fez foi por amor a ele! — Respondeu Jade.

— Agora preciso ir, fique bem minha amiga, e se precisar de algo é só chamar. — Despediu-se Jade.

Elisa ficou pensativa, que segredo Jade teria guardado por todos esses anos, a enfermeira pensa e repensa e não chega a conclusão alguma.

Na loja de suplementos Erick e Pedro encerram mais um dia de muitas vendas, mais cedo Erick havia recebido a visita da Aline, a maluca da fábrica de bolos, mas o que ela queria ali, todos ficaram de ouvidos em pé.

— Mais um dia concluído! — Disse Pedro.

— Mais um dia! Até amanhã Pedro. — Despediu-se Erick.

— Até amanhã! — Respondeu Pedro.

Pedro observa o quanto Erick está pensativo e preocupa-se.

— O que será que aconteceu lá em cima? — Se perguntou Pedro.

Mais um dia amanhece na cidade do Rio de Janeiro, Pedro chega cedo a loja de suplementos, no meio da manhã uma discussão se inicia entre Andressa, vendedora da loja, e Aline, a maluca da fábrica. Pedro pensa em ir verificar a confusão, mas Erick chega antes e leva Aline para o escritório, alguns minutos se passam e Erick chama Pedro na sua sala.

— Pedro, preciso da sua ajuda! — Revelou Erick.

— Claro, aconteceu alguma coisa Erick, eu vi a Aline sair daqui mais cedo… — Disse Pedro.

— Sim, Pedro a Aline veio até aqui para me fazer uma proposta e eu aceitei, foi ontem ainda, faria tudo sozinho se pudesse, mas hoje ela me disse que nós precisamos de testemunhas. — Disse Erick.

— Testemunhas? Mas o que aconteceu? — Questionou Pedro.

— Nós vamos nos casar! — Respondeu Erick.

— Casar? Você e a fera? Quer dizer, você e a Aline? — Perguntou Pedro.

— Sim, é tudo de fachada, ela vai fechar um contrato e me ofereceu uma grana para casar com ela. — Revelou Erick.

— Você sabe que a situação da loja não anda bem e tem aquele dinheiro que emprestei para o Afonso, você nos ajuda? — Perguntou Erick.

— Claro Erick, pode contar comigo! — Declarou Pedro.

Enquanto isso na casa de Felipe, ele e Vitoria decidem que a irmã irá estudar no exterior, como ele ficaria muito tempo no escritório não faria bem a ela ficar sozinha em casa.

            Alguns dias depois…

Felipe se levanta cedo e vai para o escritório, no meio da manhã ele está lendo em suas redes sociais e passa por um anúncio da loja de suplementos de Erick, Felipe lembra de Pedro no mesmo instante e começa a ficar irritado. Ele nunca esqueceu de tudo que Pedro fez a ele, como ele teve coragem, que espécie de amigo ele era? Essas perguntas martelavam na cabeça de Felipe desde a infância. Felipe recebe uma ligação da secretária, uma senhora estava aguardando para falar com ele.

— Bom dia! — Disse Jade, a ex enfermeira.

— Bom dia! — Respondeu Felipe estranhando a visita.

— No que posso ajudá-la? — Perguntou Felipe.

— Estou aqui porque preciso consertar um erro meu de muitos anos atrás! — Respondeu Jade.

— Erro? Do que a senhora está falando? — Perguntou Felipe.

— A muito tempo atrás eu era enfermeira e no hospital que trabalhava nasceram duas crianças ao mesmo tempo, uma delas era você. — Começou Jade.

— E daí? Praticamente todo mundo nasce no hospital, minha senhora, não tenho tempo para bobagens, por favor se a senhora puder sair… — Dizia Felipe.

— Não! Eu só saio daqui depois de dizer tudo o que vim para dizer! — Repreendeu Jade.

— Eu vi no jornal que o senhor Álvaro faleceu. — Recomeçou a enfermeira.

— Exatamente, morreu e agora eu como herdeiro legitimo assumi tudo, mas o que a senhora tem a ver com isso? — Questionou Felipe.

— Você não é o herdeiro legitimo, você nunca foi, porque você não é filho do senhor Álvaro! — Revelou Jade.

Felipe entra em estado de choque, ele não consegue acreditar no que ouviu, como pode? Aquela senhora aparece do nada e diz que ele não é filho de Álvaro. Felipe senta-se em sua cadeira incrédulo.

— Do que você está falando velha doida? — Questionou o rapaz.

— Eu troquei os bebês, naquela noite houveram dois partos ao mesmo tempo, menti que um dos bebês havia morrido, te sequestrei e te vendi a senhorita Marieta, ela me disse que precisava de um filho porque tinha medo de perder o marido, ela usou uma barriga falsa, apresentou ultrassons falsos que eu arrumei a ela, o senhor Álvaro sempre acreditou, eu roubei você e te entreguei a ela assim que você nasceu! — Continuou Jade.

— Os seus pais biológicos nunca souberam que roubava seus ultrassons e exames, acompanhei seu pré-natal e toda gestação, já havia planejado o sequestro meses antes de você nascer, a minha sorte foi o outro parto, foi ai que tive a ideia de trocar os bebês, minha colega que estava na sala comigo nem percebeu que você estava vivo, assim que você nasceu logo te tirei da sala, quando voltei informei a ela e o médico que você havia morrido, nós três entramos em consentimento e decidimos entregar a outra criança ao casal, a mãe biológica do outro bebê era moradora de rua, a criança não tinha mais ninguém. — Concluiu Jade.

— E o que você faz aqui agora? — Perguntou Felipe.

— Estive visitando uma colega doente, a enfermeira que me ajudou a trocar você e percebi que se eu morrer que seja com o coração leve! — Declarou Jade.

— Você contou essa história para mais alguém? — Perguntou Felipe.

— Não, nunca, guardei esse segredo comigo a minha vida toda. — Respondeu Jade.

Felipe limpa as lagrimas que escorriam no seu rosto e se levanta, ele começa a andar sorrateiramente pela sala, claramente estava pensando em algo. Felipe chega as costas da senhora e se aproxima.

— Tudo bem, vamos resolver isso da melhor maneira. — Diz o rapaz.

— Vou levá-la para casa! — Continuou Felipe.

— Está tudo bem meu filho, posso ir sozinha, não se preocupe. — Disse Jade.

— Eu faço questão, aproveito e vou para casa também, toda essa história me deixou abalado. — Respondeu o rapaz.

Felipe e a senhora saem do escritório e vão para o carro do rapaz, no caminho para a casa de Jade o rapaz a questiona sobre seus pais biológicos. Jade conta a Felipe que não sabe quem são, mas que o hospital tem um acervo com os registros de nascimento e óbito das pessoas, a enfermeira explicou para ele que os pais dele registraram a criança como Afonso Pinto, se encontrasse esse nome Felipe encontraria o nome de seus pais.

— Chagamos, obrigada pela carona. — Respondeu Jade.

— Imagina! — Respondeu Felipe.

— Você não quer subir, tomar um café, uma água? — Perguntou Jade.

— Seria um prazer! — Respondeu Felipe.

O rapaz entra com Jade no apartamento e eles vão até a cozinha, na cozinha Jade começa a preparar um café enquanto Felipe está sentado na mesa. Jade fica de costas o tempo todo para o rapaz.

— A senhora vive aqui sozinha? — Perguntou Felipe.

— Sim, não me casei e nem tive filhos, sempre vivi sozinha. — Revelou Jade.

— E a senhora não sente medo? Na sua idade é perigoso viver sozinha. — Disse Felipe.

— Ah meu filho, não tenho medo não, depois de velha a gente já não sente mais medo de nada. — Revelou Jade.

— E a senhora não tem nenhuma câmera? Deveria ter, é mais seguro! — Disse o rapaz.

— Não, que isso, não tenho nem dinheiro para essas coisas não, sou só uma velha enfermeira aposentada. — Respondeu a senhora.

Felipe levanta da cadeira e pega um jarro de vidro que está sobre a mesa, ele se aproxima de Jade que ainda está de costas para ele e nem percebe a aproximação.

— Obrigada por ter me contado tudo, e principalmente por ter guardado esse segredo por tanto tempo. — Disse Felipe.

Quando Jade se vira para o rapaz é atingida com o jarro na cabeça e cai desmaiada, ele então a leva até a escada de incêndio do prédio e a atira lá de cima. Jade vivia no terceiro andar e com a idade que tinha jamais resistiria, Felipe observa a senhora morta do topo da escada e volta para o apartamento. No apartamento ele limpa tudo que poderia ter deixado de digitas e sai pela porta da frente.

Em casa Felipe pensa em tudo que ouviu de Jade e ao mesmo tempo não tira o assassinato que cometeu da cabeça.

— Esse é o preço pelo seu segredo! — Disse Felipe tomando um gole de Whisky.

A Encruzilhada

Autor: Fábio Anhaia.

Existe um momento em nossas vidas que estamos em uma encruzilhada e é chegado a hora de decidir, seja qual for o assunto todas as pessoas chegam a esse momento. Até aqui carregamos as nossas incertezas, nossos medos, nossos dramas, desejos, amores e assuntos mal resolvidos. Essa hora um sentimento enorme invade nosso peito e a vontade de chorar é imensa, a de sorrir é maior ainda, a sensação de liberdade se mescla com o medo da rejeição, a tristeza se une a felicidade e o medo de decepcionar quem amamos abraçasse a coragem de ser quem somos e realizarmos o que queremos.

As pessoas que já passaram por isso tomaram seus caminhos e hoje, ou estão vivendo seus sonhos em sua mais perfeita harmonia ou estão decepcionadas por escolherem o caminho errado. Infelizmente essa escolha deve ser tomada por você unicamente e ninguém mais, não há colo para correr, não há abraço para amenizar, todo esse peso que se encontra em suas costas é seu.

Então se você está lendo esse texto e sente que chegou a esse momento saiba que não é o primeiro e nem será o último, todos vamos passar por isso e todos decidiremos que caminho seguir, se é certo ou errado, não cabe a ninguém julgar, mas saiba que essa chance de escolha é única e ela pode não voltar.

O Preço de um Segredo: Capítulo 6 – Uma Nova Chance.

Capítulo 6 – Uma Nova Chance.

Alguns dias depois da demissão de Pedro, o jovem volta a procurar emprego, ele passa pela Rio de Janeiro inteira e não consegue nada, na volta para casa Pedro passa em frente a uma loja de suplementos.

— Não custa tentar. — Pensou Pedro.

Ao entrar na loja Pedro se depara com um jovem que vem lhe receber, ele é alegre, animado e têm um brilho diferente, uma pessoa que faz com que o outro se sinta bem com um simples sorriso.

— Boa tarde, tudo bem? Posso ajudar? — Perguntou o rapaz.

— Boa tarde, meu nome é Pedro e gostaria de saber se poderia deixar um currículo aqui. — Disse Pedro.

De repente o telefone da loja começa a tocar, o rapaz pede para que Pedro aguarde um instante, nesse meio tempo que o rapaz atende o telefone chegam na loja alguns clientes, após desligar a ligação o rapaz pede para que Pedro aguarde mais um pouco até que ele consiga se liberar. Pedro observa todo aquele movimento e fica animado.

— É, ele realmente precisa de ajuda! — Pensou Pedro.

Nesse momento mais alguns clientes entram na loja e Pedro toma a liberdade de auxiliar o rapaz. Pedro mostra alguns suplementos aos clientes e o dono da loja o observa de canto.

— Eu vou levar! — Respondeu o cliente a Pedro.

— Pago onde? — Questionou o cliente?

— Isso já é com ele, mas você pode aguardar ali próximo ao caixa! — Respondeu Pedro.

Após se liberar o rapaz retorna para conversar com Pedro.

— Me desculpe, a loja é assim todo dia, uma correria. — Disse o rapaz.

— Seu nome é Pedro, não é? — Perguntou o rapaz.

— Isso! — Respondeu Pedro.

— Ótimo! Eu sou Erick! — Disse o rapaz cumprimentando Pedro.

— Bem, e se você começar agora? — Questionou Erick.

— Agora? — Disse Pedro.

— É, te ensino tudo, eu realmente preciso de ajuda como você mesmo percebeu. — Respondeu Erick.

— Tudo bem! Vamos lá! — Disse Pedro animado.

Durante o resto da tarde Erick explica tudo sobre a loja e o sistema de vendas a Pedro, ele aprende tudo com muita facilidade pois sempre foi um rapaz aplicado. No fim do dia Pedro e Erick fecham a loja.

— Foi um grande dia não é mesmo? — Questionou Erick.

— É, foi mesmo, e então, gostou dos meus serviços? Posso voltar amanhã? — Disse Pedro apreensivo com a resposta.

— Você está brincando? É claro que você volta amanhã, depois e depois hahaha. Está contratado! — Declarou Erick.

Pedro corre para casa contar a novidade para a avó, ele está muito animado com o emprego novo. Ao chegar em casa ele e Elisa comemoram a notícia.

— Eu não disse para você! — Disse Elisa.

— É, a senhora tinha toda razão! — Respondeu Pedro abraçando a avó.

No dia seguinte Pedro retorna para seu segundo dia de trabalho na loja de suplementos, ao chegar ele se depara com o primeiro cliente do dia, Felipe, sim o rapaz compra suplementos com Erick desde que ele havia aberto a rede Fit for Fit.

— Bom dia! — Disse Pedro.

— O que você faz aqui? — Questiona Felipe.

— Eu trabalho aqui agora. — Respondeu Pedro.

Erick chega para abrir a loja e se depara com os dois.

— Bom dia! — Disse Erick todo animado.

— Erick, não sabia que você contratava ladrãozinho para trabalhar com você! — Declarou Felipe.

— Ladrãozinho? — Questionou Erick.

— É, esse ladrãozinho trabalhou em um dos nossos supermercados, ele tentou roubar meu relógio. — Revelou Felipe.

— Isso é mentira Erick! Eu nunca tentei roubar nada! — Defendeu-se Pedro.

— Pedro, é melhor você subir e se trocar, depois a gente conversa. — Disse Erick sério, sem aquele sorriso cativante no rosto.

— Bom, você precisa de alguma coisa Felipe? — Perguntou Erick.

— Sim, o mesmo de sempre! — Respondeu Felipe.

— E Erick, abre o olho com esse Pedro! — Aconselhou Felipe.

Erick se libera do atendimento e em seguida Pedro desce, o patrão olha para o rapaz que está apreensivo sobre o que aconteceria.

— Pedro, vou te fazer uma única pergunta e quero que você responda olhando nos meus olhos! — Disse Erick.

— Você tentou roubar aquele relógio? — Questionou Erick.

— Não! Nunca faria aquilo! — Afirmou Pedro.

— Ótimo, acredito em você! — Respondeu Erick.

— Foi tudo uma armação Erick, o Felipe não gosta de mim e isso não é de hoje… — Revelou Pedro.

— Eu conheço esse tipo de gente, pessoas que se sentem superiores e ao mesmo tempo ameaçadas por gente como nós, são a pior raça! — Declarou Erick.

— Então você não vai me demitir? — Perguntou Pedro.

— Não, jamais faria isso! — Respondeu Erick.

Pedro se emociona com a atitude do patrão.

— Obrigada Erick! — Agradece Pedro.

Pedro e Erick trabalham o dia todo, aquele foi mais um dia produtivo para loja, além de trabalhar eles conversaram muito um sobre a o outro. Nos dias que passaram eles foram criando uma amizade forte, sempre apoiando um ao outro. Nos meses seguintes Erick precisou contratar novas pessoas, os dons administrativos de Pedro fizeram a loja expandir, em menos de três meses Erick abriu uma filial, os negócios só cresciam e muito desse crescimento foi influenciado por Pedro.

Janeiro de 2021.

Mais um ano chega e Erick se prepara para inaugurar mais uma filial da sua rede de suplementos, Pedro agora está com vinte e quatro anos e desde que começou a trabalhar com Erick a Fit for Fit só cresceu, atualmente eles são a maior rede de suplementos de toda a Rio de Janeiro. Pedro passou de vendedor a gerente da rede e de quebra se tornou o braço direito de Erick nos negócios.

— “Vambora” rapaziada! —  Disse Pedro aos funcionários da loja.

— Já tenho duas remessas de suplementos que estão para chegar. — Declarou Pedro.

O dia estava ótimo, a primeira remessa foi descarregada e tudo está às mil maravilhas, até que uma pequena confusão se inicia em frente à loja.

— Não, você não pode estacionar aqui! — Disse Pedro ao motorista do caminhão da fábrica de bolos Doce Mel que fica em frente à loja.

A fábrica é de uma moça chamada Aline, ela e Erick vivem em pé de guerra desde que se conheceram.

— Mas moço, é questão de cinco minutos, eu carrego os bolos e já saio! — Declarou o motorista.

— Negativo, nosso caminhão já vem ali! — Insistiu Pedro.

Em meio a essa discussão Erick aparece e tenta resolver o assunto, porém antes que pudesse concluir Aline aparece e tudo vira uma confusão, voou bolo para todo lado. Após a confusão todos voltam a loja de suplementos para se limpar.

— Essa mulher é maluca! — Esbravejou Erick subindo para o escritório.

— Também acho ela maluca, mas também acredito que você goste dela! — Declarou Pedro.

— Nunca! Nunca que eu ia gostar de uma fera dessa! — Respondeu Erick.

— Erick, está na cara, não adianta se enganar! — Declarou Pedro.

— Você está maluco Pedro, entrou bolo dentro da sua cabeça é? — Revidou Erick.

Após mais um dia de trabalho Pedro retorna para casa, sua avó ultimamente não se sente muito bem e por esse motivo Pedro volta cedo para vê-la. Em casa Pedro prepara o jantar e senta-se para assistir à novela das nove com a avó.

— Eu adoro essa novela! — Disse Elisa.

— Eu também, adoro ver essa novela com você! — Respondeu Pedro olhando para a avó com ternura.

Pedro não sabe por que, mas ele sente que deve aproveitar esse tempo com a avó ao máximo, ele sabe que não será eterno e teme o dia da despedida.

Na casa de Felipe as coisas também haviam mudado, sua irmã Vitória está cursando direito, e o rapaz está prestes a assumir os negócios da família. Felipe não aparece mais na loja de suplementos desde que Erick optou por não demitir Pedro, ele ficou com raiva e desde aquele dia jurou que se vingaria de Pedro e Erick. Vitória se preocupa com o irmão, já faz um tempo que ela observa um comportamento estranho e agressivo nele.

No dia seguinte Felipe se veste no quarto, seu pai Álvaro está em seu último dia como presidente da empresa e anunciará nessa manhã quem assumirá seu lugar a frente da rede de supermercados. O rapaz está vestindo a gravata em frente ao espelho.

— Hoje é o dia! Pena que não poderemos nos despedir! Mas isso tudo é culpa sua! — Disse Felipe olhando seu reflexo no espelho.

Na sala Vitória beija o pai e vai para a faculdade, enquanto Álvaro espera por Felipe. Em seguida o rapaz aparece.

— Antes de sairmos, gostaria de brindar sua aposentadoria, pai você dedicou uma vida a essa empresa, vamos brindar! — Disse Felipe servindo uma taça de espumante para ele e para Álvaro.

— Você tem razão filho, uma vida digna de um filme, e você e sua irmã são a prova disso! Eu nunca errei em nenhuma escolha, tudo que fiz sempre foi por vocês! — Declarou Álvaro.

Felipe entrega a taça para o pai, os dois brindam e bebem o espumante.

— Mas você não está chateado com minha decisão meu filho? — Questionou Álvaro.

— Jamais estaria pai, até porque, ela não vai se concretizar! — Respondeu Felipe com um sorriso no rosto.

— Do que você está falando? — Perguntou Álvaro sentando-se no sofá.

— O que… eu estou tonto… Felipe? — Disse Álvaro enquanto sentava-se no sofá.

— Isso é pela minha mãe, ela morreu porque descobriu todas as suas traições. — Disse Felipe.

— Mas agora, vou resolver tudo! E de quebra, me vingo de todos que me abandonaram, a começar por você! — Continuou o rapaz.

— Não se preocupe pai, digo a Vitória que você mandou lembranças! — Concluiu Felipe bebendo o último gole de espumante e saindo de casa.

Não demora muito para uma funcionária da casa encontrar Álvaro na sala já sem vida, ela chama uma ambulância e avisa os filhos, Vitória corre para casa e Felipe faz um aviso na reunião com os acionistas.

— Meu pai faleceu essa manhã, mas deixou uma procuração assinada com a sua decisão… — Disse Felipe.

— A partir de hoje quem vai gerenciar a rede de supermercados sou eu! — Declara Felipe deixando a sala de reunião.

Na loja de suplementos Pedro emite alguns cupons fiscais para enviar as vendas do dia, o rapaz aderiu a um sistema de delivery nas lojas e isso alavancou ainda mais as vendas. Erick desce do escritório e percebe a quantidade de entregas que teria naquela manhã.

— Uau, Pedro com toda a certeza você é a melhor contratação que já fiz! Eu te amo cara! — Disse Erick.

— Que isso, eu que agradeço você, se não tivesse me dado uma nova chance para recomeçar, nem sei o que faria, obrigado irmão! — Respondeu Pedro.

Uma nova chance, Pedro teve essa nova chance com Erick, o rapaz poderia ter sido demitido em seu segundo dia, afinal a acusação de Felipe foi muito grave, mas Erick optou por confiar nele e talvez essa tenha sido a melhor decisão que Erick já tomou. Por outro lado, Felipe também tem uma nova chance, ele vai assumir as empresas da família, se vingou de seu pai que era o causador da morte da sua mãe, o que mais ele poderia querer? O jovem tem uma chance de apagar todas as suas magoas e seguir em frente, mas o lado sombrio dele o puxa cada vez mais para o fundo.

Você para mim!

Autor: Fábio Anhaia.

Eu só queria poder te ver, e ter a certeza de que é você

Queria poder te tocar e sentir que agora tudo vai mudar.

Eu só queria olhar em teus olhos e perceber o quanto tive que esperar

Só queria beijar tua boca, e saber que agora, tudo vai andar.

Eu só queria que estivesse aqui, mostrando para mim que vai ser diferente

Queria que me segurasse, e provasse que só de nós dois depende.

Queria sentir que posso confiar, e que o sentido da vida é apenas amar

Só queria que me escolhesse, e sem receio, comigo vivesse.

Eu só queria não sentir medo, saber que tudo pode ser superado

Queria você ao meu lado, e juntos deixarmos o mal no passado.

Só queria que a distância fosse menor, sem autoestradas, ou fazendas

Sem pedágios, curvas, campos, cidades ou estados.

Eu só queria poder te amar, amar como nunca fui amado

Amar intensamente, sem se importar com o que vão pensar.

Só queria você aqui, e espero um dia conseguir

Ter você para mim, é o que queria.

O Preço de um Segredo: Capítulo 5 — Vidas Opostas.

Capítulo 5 — Vidas Opostas.

Julho de 2008.

Pedro chega aos doze anos e como qualquer criança nessa idade ele é muito travesso. Elisa é chamada a escola por conta de uma travessura aprontada por Pedro e um coleguinha, Felipe.

— Senhora Elisa, é a diretora da escola, por gentileza solicitamos que a senhora compareça a diretoria imediatamente. — Disse a diretora.

— O que foi que ele fez dessa vez? — Questionou Elisa.

— Bem, aqui explicaremos melhor, mas já adiantando ele e Felipe devem ser separados de turma. — Respondeu a diretora.

Elisa corre até a escola para resolver o problema com Pedro, ao chegar no local a enfermeira tem uma surpresa, o pai de Felipe também foi chamado, e ao perceber quem é o pai do menino, Elisa entra em choque.

Dona Elisa, senhor Álvaro acompanhem-me até a direção. Na sala da direção a diretora contava as peripécias e confusões que Pedro e Felipe aprontaram, mas Elisa não consegue se concentrar pois entrou em choque ao ver Álvaro ali.

— Façam o que for melhor para escola, se eles não podem ficar juntos, então separem os dois de turma. — Disse Elisa a diretora.

— Pois bem, está resolvido! Se a senhora me dá licença eu preciso ir, desde que minha esposa morreu meus filhos e minha família dependem de mim! — Declarou Álvaro.

— Independente da situação, foi um prazer Senhora…? — Continuou Álvaro estendendo a mão a Elisa.

— Elisa! Meu nome é Elisa! — Respondeu a enfermeira cumprimentando o empresário.

— Tenham um bom dia! — Concluiu Álvaro deixando a sala.

No fim do dia Elisa e Pedro estão em casa, enquanto a avó prepara o jantar Pedro termina a lição de casa.

— Vó, a senhora está bem? — Questionou Pedro.

— Está triste por minha culpa? — Continuou o menino.

— O que, não meu filho, claro que não, só estou cansada, o dia no hospital foi puxado. — Respondeu Elisa.

— A senhora não deveria mais trabalhar tanto assim! — Disse Pedro.

— Ah que isso, tenho cinquenta e dois anos, não sou tão velha. — Respondeu Elisa fazendo os dois rirem.

— Mas também estou chateada com você, meu filho nós não temos condição de pagar aquela escola, a bolsa que você tem é preciosa, você não pode arriscar perder. — Disse Elisa.

— Eu sei, me desculpe vó, não farei mais esse tipo de brincadeira. — Respondeu Pedro abraçando a avó.

— Pedro, tem mais uma coisa que quero te pedir, quero que se afaste do Felipe! — Pediu a enfermeira.

— O que? Mas por quê? Eu já disse que não vou mais aprontar na escola. — Questionou Pedro.

— Pedro, não me questione, apenas faça o que digo, é para o seu bem! — Declarou Elisa.

— Mas Felipe é meu melhor amigo vó! — Insistiu o menino.

— Pedro! — Declarou Elisa.

— Tudo bem… — Disse Pedro renegado.

No dia seguinte Pedro chega à escola e encontra Felipe a sua espera.

— Oi Pedro! E aí, o que vamos aprontar hoje? — Perguntou o menino.

— Me desculpe Felipe, minha vó disse que não podemos mais nos falar. — Respondeu Pedro.

— O que? A sua vó é uma velha doida! Você é meu melhor amigo! Não pode parar de falar comigo! — Disse Felipe indignado.

— Não fale assim da minha vó, ela não é doida e tudo que faz é para o meu bem! — Respondeu Pedro chateado.

Felipe sai correndo para a sala de aula enquanto Pedro fica para trás. Na porta da sala Pedro é atacado pela professora que o impede de entrar.

— Venha comigo Pedro, a partir de hoje essa não será mais sua turma! — Declarou a Professora.

Pedro segue com a professora até sua sala nova, para ele não foi difícil entender o pedido da avó, ele a ama e quer dar muito orgulho a ela. Felipe já não aceitou a separação deles tão fácil, ele sempre foi uma criança problemática e nunca aceitou a morte da mãe, Felipe sempre teve certeza de que seu pai tinha alguma coisa a ver com a morte dela.

            Fevereiro de 2016.

Quatro anos se passaram desde que Pedro deixou de falar com Felipe, mas o menino sempre reparou que o amigo não conseguiu lidar com esse distanciamento como ele. Agora com dezesseis anos Pedro resolve dar um oi, eles já não são mais crianças, eles não irão aprontar e sua avó não os impedirá de serem amigos.

Na escola Pedro cumprimenta Felipe.

— Oi!

Felipe olha para Pedro com desprezo.

— O que o favelado da escola pensa que está fazendo?

— Felipe, eu só… — Dizia Pedro.

— Ei, ei ei ei… nem mais uma palavra, não falo com gentinha da tua laia não! — Respondeu Felipe.

Pedro sente-se constrangido e percebe que todos na escola estão olhando para ele. O rapaz não entendia por que daquela atitude de Felipe, ou talvez entendesse, afinal ele abandonou o amigo no momento mais difícil de sua vida.

— Tudo bem, entendo… — Dizia Pedro.

— Você não entende nada, gentinha como você não deveria estar no mesmo ambiente que gente como eu, vocês só servem para uma coisa, limpar a nossa sujeira! — Declarou Felipe.

Após a escola Pedro chega em casa e encontra a avó preparando o almoço, Elisa agora é aposentada e não precisa mais trabalhar, já é hora de Pedro cuidar do futuro dele, e o rapaz está ansioso para conseguir um emprego.

Pedro largou currículo em diversas empresas, mas ninguém ainda havia chamado o rapaz, mas ele mantém firme a esperança, ele sabe que quando fosse para ele o emprego virá.

Por outro lado, Felipe nem precisa procurar, ele já tem a vida feita, assumirá o lugar do pai no comando das redes de supermercados da família, fora isso ele ainda tem uma herança bem gorda da falecida mãe.

— Felipe, troque de roupa, vá vestir algo adequado, hoje você irá comigo para o escritório! — Disse Álvaro ao filho.

— Tudo bem, vou me tocar vossa excelência! — Respondeu Felipe irritando o pai.

No escritório Álvaro mostra e ensina todos os seus afazeres a Felipe, por todo o tempo que esteve aprendendo Álvaro se surpreendeu com o filho, ele parecia outra pessoa, dedicado e interessado em aprender.

Enquanto isso no RH de um dos supermercados a responsável seleciona um currículo, é o de Pedro eles selecionam e o chamam para uma entrevista, o rapaz como sempre muito carismático consegue o emprego.

Alguns meses depois…

Pedro está a alguns meses trabalhando como repositor do supermercado gerenciado pela família de Felipe, ele adora o emprego, têm bons amigos e é um funcionário excelente. Enquanto isso Felipe continua a aprender tudo o que o pai o ensina com muito empenho, Felipe têm tudo para se tornar um presidente ainda melhor que o pai para as empresas.

— Essa noite é seu aniversário filho, vamos fazer um jantar e comemorar! — Disse Álvaro.

— Não quero comemorar, meus aniversários perderam a graça desde que a mamãe se foi. — Respondeu Felipe.

Álvaro percebe a angústia do filho, mas nunca teve coragem de admitir que a esposa se suicidou porque descobriu de todas as suas traições.

— Você que sabe! — Respondeu Álvaro.

Álvaro deixa Felipe no escritório e parte para a uma das lojas da rede de supermercados, no meio de seu passeio pela loja ele observa um funcionário, ele é muito eficiente, cativante e muito prestativo, chamou tanto a atenção de Álvaro que o próprio foi até ele cumprimentar.

— Boa tarde Rapaz! — Disse Álvaro.

— Boa tarde! Posso ajudar? — Respondeu Pedro.

— Primeiro me diga seu nome? — Perguntou Álvaro.

— Meu nome é Pedro. — Respondeu o rapaz.

— Eu sou Álvaro! — Apresentou-se o empresário.

— Senhor Álvaro, o dono da rede? Nossa, é um prazer conhecê-lo — Falou Pedro estendendo a mão.

— Bom preciso ir, só queria te parabenizar pelo trabalho, você é muito bom mesmo, e me tem um rosto familiar… bem preciso ir! — Disse Álvaro indo em direção a saída do mercado.

A noite Pedro chega em casa e conta para a avó que conheceu o patrão, Álvaro, o dono da rede de supermercados.

— O que? — Diz Elisa derrubando um copo.

— Vó!! Cuidado, a senhora está bem? — Perguntou Pedro preocupado.

— Sim, estou, só… Pedro você o conheceu? — Disse Elisa ainda em choque.

— É, mas ele só me parabenizou pelo trabalho, cuidado com os cacos, deixa que eu limpo. — Disse Pedro a avó.

— E ele falou mais alguma coisa? — Questionou Elisa.

— Bem, ele disse que tenho um rosto familiar para ele, mas nem questionei, ele estava com pressa. — Respondeu Pedro.

— Pedro, eu não acho bom você continuar nesse emprego… — Disse Elisa.

— O que? Como assim vó? — Perguntou o rapaz.

— Não é nada demais, só estou com um pressentimento, você deveria sair desse mercado! — Declarou Elisa.

— Vó, levei anos para conseguir esse emprego, não vou desistir dele, está tudo bem, não precisa se preocupar! — Respondeu Pedro.

Depois do jantar eles vão para seus quartos e Elisa conversa consigo mesmo.

— Eu preciso arrumar um jeito de tirá-lo desse supermercado, ele não pode mais se encontrar com o Álvaro.

Na casa de Felipe, mesmo contra a vontade do rapaz, o pai e a irmã fazem um jantar para comemorar seu aniversário, o rapaz recebe alguns presentes e todos vão dormir. Em seu quarto Álvaro pensa no interesse de Felipe em comandar as empresas, ele conhece muito bem esse interesse pois ele fez o mesmo com seu pai.

— Preciso pôr mais alguém naquele escritório! — Disse Álvaro.

— Alguém que eu possa confiar. — Concluiu Álvaro.

No dia seguinte todos levantam e tudo se reinicia, Álvaro e Felipe vão para o escritório e Pedro vai para o trabalho, na chegada da loja Pedro dá de cara com Felipe que não gosta nada de rever o “ex-amigo”.

— O que esse cara faz aqui? — Pergunta Felipe ao gerente da loja.

— Ele é nosso funcionário senhor, um dos melhores inclusive! — Respondeu o gerente.

Algumas horas depois, Felipe está na sala da gerência cheio de ódio e arma um plano para demitir Pedro, ele não pode simplesmente demitir, existem todas as leis a favor do funcionário, mas Felipe é ardiloso e sabe bem o que fará. Ele vai até o vestiário, descobre o armário de Pedro e põem seu relógio dentro, Felipe chama o gerente e arma uma confusão afirmando ter sido roubado.

— Fechem as lojas! Revistem os armários! — Ordenou Felipe.

Pedro e os colegas ficam em choque com a possibilidade de um deles ser o culpado. Em meio a revista os seguranças encontram o relógio no armário de Pedro.

— O que? Eu não roubei nada! — Afirmou Pedro incrédulo.

— Não é o que parece, ladrão! — Declarou Felipe.

— Junte seus trapos e suma da minha loja, e agradeça por não chamarmos a polícia! — Continuou Felipe.

— Sempre soube que você passava fome, mas nunca achei que seria capaz de roubar! — Concluiu Felipe olhando com desprezo a Pedro.

— Eu não roubei nada! Isso tudo é uma injustiça! — Declarou Pedro.

— Suma daqui e nunca mais tente pedir emprego em uma das MINHAS lojas! — Disse Felipe o expulsando.

Pedro vai para casa e conta para a avó tudo que aconteceu, Elisa tenta acalmar o neto e o consola.

— Meu filho, tudo acontece por uma razão, não fique assim, Deus sabe de todas as coisas. — Disse Elisa.

— Você vai encontrar coisa melhor, eu te garanto! — Concluiu a avó.

A Última Existência: Texto III – O Dia em que a Terra ficou sem Água.

Texto III: O dia em que a Terra ficou sem Água. (Autor desconhecido, texto retirado da internet.)

Era final de fevereiro no verão de 2019. Acordei cerca de 4 da tarde nesse dia, mas não porque tinha qualquer compromisso cedo.   

Fui rapidamente despertar minha esposa e meus filhos já adolescentes: 

― Boa tarde! Vamos tentar novamente hoje antes que seja tarde demais. ― Sussurrei.

Isto vem acontecendo há alguns meses, a primeira vez foi realmente estranho, agora se tornou parte da nossa rotina, mas lembro-me ainda do primeiro aviso deste tipo no noticiário local, lia-se: 

 “ALERTA: amanhã esta cidade será incluída no rodízio nacional de conservação de água, durante os próximos 3 dias não haverá qualquer fornecimento de água para sua casa”. 

Três dias, pensei. Como nós vamos permanecer 3 dias sem água! 

Todas as casas agora tinham pelo menos duas caixas d’água para conseguir sobreviver durante os dias secos, não se tratava mais de conservação de água, em alguns casos tornou-se uma questão de sobrevivência.  

Alguns locais foram criados pelas autoridades, de modo que poderíamos ir pegar água em casos extremos, mas as pessoas tinham que esperar na fila durante cerca de 4 horas e houveram relatos de muitas brigas e discussões.   

Isto foi há um ano, agora a situação era diferente aqueles foram tempos mais fáceis, lembro-me que não muito tempo atrás, talvez dez anos, tudo era tão diferente me lembrei do tempo quando eu abria as torneiras enquanto escovava os dentes, olhando para o espelho enquanto a água descia, o som e o cheiro de água limpa e fresca fluindo continuamente, de quando abríamos nosso chuveiro por alguns minutos aguardando o banheiro ficar quente.  

Tudo isso soava tão natural, algumas vezes esquecíamos e começávamos a fazer outras coisas na casa, e talvez após 5 minutos voltávamos para encontrar o banheiro enevoado, úmido e quente. Ainda recordo a sensação gostosa daquele vapor no meu rosto, na frente de casa havia uma pequena lagoa que vimos secar em um mês quando a crise atingiu mais duramente.   

Agora ficamos sem água corrente durante cerca de 2 meses, a prefeitura libera água no encanamento no início da tarde, mas a pressão é muito baixa. Portanto, temos que acordar cedo da noite e preparar-nos para bombear o quando pudermos de água, quando o problema se tornou crítico as autoridades mudaram o horário de trabalho, com a escassez de água e o aumento das temperaturas nós agora dormimos durante o dia e saímos durante à noite.   

Banhos agora são um luxo, banheiros são lugares do passado, tudo foi adaptado para funcionar sem água. É inacreditável como somos criativos quando atingidos por uma catástrofe, e egoístas.  

A água, que é atualmente a mais cara de todas as coisas, uma vez foi desperdiçada de todas as maneiras possíveis, agora a água é exclusiva para beber e para produção de alimentos.   

Quase todos os rios e lagos desapareceram. As plantas de dessalinização da água do mar não estão sendo capazes de acompanhar a redução drástica em água doce ao longo dos últimos anos, os governos estão prometendo grandes investimentos em infraestrutura, mas levará tempo. 

Meus filhos voltam e me dizem que conseguiram bombear água suficiente para encher uma caixa, que provavelmente vamos ter que fazer durar pelo menos uma semana.  Ouvimos notícias que a produção de alimentos está em risco em algumas partes do mundo e que grande imigração deve ser esperada, o destino principal é a América do Sul, o lugar onde reside a última cachoeira do mundo. Nós estávamos planejando ir visitar com as crianças, pois eles não se lembram de como é um rio, mas tivemos que desistir, uma cidade foi construída em torno e é quase impossível chegar lá, você tem que literalmente brigar para passar pela cidade e o exército local está encarregado de proteger o lugar. Um Trabalho duro.  

Bem, vamos voltar a dormir, vai ser uma longa noite de trabalho, é engraçado como as decisões que não tomamos são tomadas por nós, no entanto, não necessariamente do modo que gostaríamos.   

Casa de Loucos ❤

Era uma casa cheia de gente,

Cheia de ideias, cheia de opiniões.

Uma casa cheia de problemas, mas também de soluções.

Uma casa cheia de graça, e também de frente para a praça.

Uma casa cheia de esperança, de sonhos e de crianças.

Uma casa cheia de adultos, de brigas e tumultos.

Uma casa cheia de bicho, de flores e envolta de um muro.

Uma casa de amigos, de pais e de filhos.

Uma casa cheia de novelas, de filmes e futebol.

Uma casa cheia de vontades, de viver, de construir e se reconstruir.

Uma casa cheia de piadas, de brincadeiras e de muita ironia.

Era uma casa de loucos, doidos de pedra, tão malucos a ponto de se amarem tanto que não cabe no peito.

Uma casa de amor, de compreensão, diversidade, trabalho e união.

Uma casa de loucos! ❤

Descobrindo o Amor: Últimos capítulos (15 e 16).

Capítulo 15: O Mau não compensa.

Na cadeia Andressa começa a preparação para ir para cela, ela deixa todos os seus pertences com o delegado e segue com os carcereiros, na cela Andressa conhece suas colegas, uma recepção nada amigável.

— Olha, uma coleguinha nova, como tu chama? — Perguntou uma presa.

— O que te interessa! Imunda! — Respondeu Andressa.

Andressa não teve tempo de reagir e levou um murro na cara, aquilo a deixou em choque e sem reação.

— Aqui, as coisas vão ser diferentes, se você está “acostumadinha” a pisar nos outros, aqui você vai ser pisada. — Declarou a presa pisoteando Andressa.

Na loja de suplementos desde que Erick retornou, as vendas voltaram a crescer e a loja estava a todo vapor. No horário do almoço Erick resolveu pagar uma pizza para todos os funcionários, ele queria comemorar as vendas da semana que foram muito além das expectativas.

— Parabéns pelas vendas Pedro, está se superando nas metas em? — Disse Erick batendo no braço de Pedro.

— Isso ai irmão, bora crescer, com a gente não tem marcha ré! — Respondeu Pedro.

— Agora falando sério Pedro, eu queria te agradecer por todo o apoio, você foi um verdadeiro irmão em tudo que fez! Depôs contra a Andressa, conseguiu as imagens das câmeras, doou sangue para o Afonso…. Obrigada cara. — Disse Erick.

— Que isso, não fiz nada que você não faria por mim e além do mais, nem foi tudo isso, eu não consegui doar sangue para o Afonso meu sangue é AB e ele não pôde receber, mas mesmo assim fiz a doação ao hospital. — Revelou Pedro.

— AB? — Questionou Erick.

— É, meu sangue é AB! — Confirmou Pedro, sem perceber que Erick ficou pensativo.

AB, o sangue de Pedro era AB assim como o de Erick, ele já sabia que Afonso não era seu irmão e que fora trocado na maternidade, mas será que seria possível que Pedro seria seu irmão trocado, essa ideia ficou na cabeça de Erick.

— O que foi Erick? — Perguntou Pedro.

— Nada, foi só uma ideia que passou pela minha cabeça, mas esquece é bobagem. — Respondeu Erick.

Na fábrica Aline resolve ir para cozinha, de repente bateu uma vontade louca de bater um bolo de fubá, Aline vinha tendo umas vontades malucas em horários malucos. Na cozinha ela termina o bolo e senta à mesa para comer a sobra da massa na vasilha, Taisa e Erick (advogado) chegam a sua procura.

— Aline, temos uma ótima notícia! — Disse Taisa.

— O que você está fazendo? — Questionou Erick.

— Ah, do nada me deu vontade de comer bolo de fubá e como não tinha no estoque eu mesma bati, mas anda qual a notícia? — Questionou Aline.

— Os investidores, nós entramos em contato com eles novamente, eles vêm ao Brasil fechar negócio! — Revelaram os advogados.

Na cadeia Andressa vai para a enfermaria, o soco que ela levou precisa de cuidados médicos, na cela as presas a tratam como um lixo, fizeram-na dormir no chão úmido e constantemente a xingam, mas mesmo assim Andressa sempre dá um jeito de provoca-las, é incrível como o ser humano não aprende, depois de toda maldade que fez com Aline e Erick, Andressa ainda é soberba, dormindo no chão frio e comendo da pior comida, ainda assim ela é soberba.

Alguns dias depois Aline acorda no meio da noite para comer brigadeiro, Erick vai até a cozinha quando dá falta da esposa.

— Aline? O que você está fazendo? — Questionou Erick.

— Amor, eu acordei agora com uma vontade louca de comer brigadeiro, toma come um pouquinho. — Disse Aline levando a colher em direção ao marido.

— O que? Não, obrigada, Aline são três da manhã, vamos deitar. — Disse Erick.

— Tudo bem, eu já vou, pode ir. — Respondeu Aline beijando-o.

No dia seguinte Aline chega na fábrica cedo, mas ao entrar pela porta corre para o banheiro, Taisa e Erick (advogado) se preocupam e vão atrás.

— Aline, está tudo bem? — Perguntou Erick.

— Sim… ops…. — Disse Aline vomitando.

— Tem certeza? — Questionou Taisa.

— É claro, eu só estou um pouquinho enjoada, certeza que foi o brigadeiro. — Respondeu Aline saindo do banheiro.

— Aline, não seja cínica! Você precisa fazer um teste. — Disse Taisa.

— Teste? Que teste? Está maluca Taisa. — Respondeu Aline.

— Aline, até eu que sou homem sei muito bem do que Taisa está falando, e quer saber, eu concordo com ela! — Disse Erick.

— Ahh meu Deus, vocês acham que… — Pergunta Aline.

— Só o teste irá dizer. — Respondeu Taisa.

Na loja de suplementos Erick chama Pedro em sua sala, desde o dia que descobriu o tipo sanguíneo de Pedro, Erick ficou com uma pulga atrás da orelha e hoje ele acordou disposto a esclarecer isso.

Na cadeia Andressa recebe uma visita inesperada.

— Você aqui? De todas as pessoas que eu conheço, você é uma das últimas que eu esperava que viesse me visitar. — Disse Andressa.

— Eu precisava ver sua decadência, e quer saber, estou satisfeita, dá até pena te ver aqui! — Disse Natalia.

Sim, Natalia foi até a cadeia para ver Andressa, mas porque ela iria se prezar a ir até lá, bem Andressa cometeu diversas atrocidades contra Aline e como sabemos Natalia é capaz de virar uma leoa para proteger seus amigos, ela precisava disso, precisava ver onde toda a arrogância, ganancia e inveja de Andressa a levaram.

— Veio ver minha desgraça então? — Disse Andressa.

— Sim, vim especialmente para isso, e quer saber, olhando para você agora eu sinto até pena. — Respondeu Natalia.

— Pois guarde sua piedade para você, eu ainda vou sair daqui, e quando sair acabo com vocês, um por um! — Declarou Andressa.

— Andressa, pelo amor de Deus, olha para você, olha onde você veio parar, e tudo porque? Por inveja da Aline, por ciúmes do Erick? Meu Deus você precisa acordar, acabou e você perdeu Andressa! — Disse Natalia.

Andressa começa a chorar, Natalia não entende muito bem, mas percebe que algo de muito errado acontece na mente de Andressa, mas agora era tarde e ela já estava pagando por tudo.

— Andressa, o Pedro me disse que te conhece a anos e que nunca imaginou que você faria o que fez, vim até aqui para te dizer que passei por diversos problemas na vida, conheço um lugar que pode te ajudar, mas para começar você precisa se ajudar. — Disse Natalia.

— Você precisa deixar essa ganancia, esse mau que está em você para trás, eu acredito na mudança Andressa, você precisa acreditar também, e tenha certeza de que sozinha você não vai conseguir. — Completou Natalia.

Andressa chora desesperadamente e revela a Natalia que não entende o que fez, ela nunca havia agido assim, mas quando descobriu do romance de Aline e Erick, algo acendeu uma chama que ela simplesmente não conseguia controlar.

— Mas agora, você pode deixar tudo isso para trás. — Disse Natalia.

— Como Natalia? Nem sei se vou sair daqui um dia, muito menos se sairei viva, sou humilhada e espancada na minha sela todos os dias, já não aguanto mais. — Revelou Andressa em meio as lagrimas.

— É para isso que estou aqui Andressa, quero te ajudar. — Falou Natalia.

— Me ajudar? Porque? Olha tudo que fiz? E mesmo assim você está disposta? — Diz Andressa.

— Sim! Estou! — Concluiu Natalia.

Na saída da cadeia Raul esperava Natalia.

— Eu não sei o que você veio fazer aqui, Naty olha tudo que ela fez para Aline. — Disse Raul.

— Raul, não sou assim, Andressa fez todas aquelas maldades sim, mas sempre vi no olhar dela que ela tinha problemas, quero ajuda-la, todo mundo merece um voto de confiança, todo mundo merece uma segunda chance. — Disse Natalia.

— Hum, se você acha, por mim ela apodreceria ai dentro. — Concluiu Raul.

Na loja de suplementos Erick e Pedro tem uma conversa definitiva.

— O que? Erick, isso é um absurdo, minha avó… ela nunca… — Disse Pedro.

— Eu sei que parece loucura, mas a única forma da gente descobrir é fazendo um teste de DNA, e é por isso que te chamei aqui você aceita? Aceita fazer esse teste? — Questionou Erick.

— Eu aceito, eu faço. — Respondeu Pedro.

Pedro vai para casa e põe sua vó contra a parede, a avó de Pedro conta toda a verdade ao neto, ela diz que Pedro foi deixado na porta de sua casa, mas ela nunca fez ideia de quem poderia ser seus pais, ela mentiu ao garoto pois achava que assim ele sofreria menos, Pedro abraça e perdoa sua avó, afinal ela não fez nenhum mal a ele, pelo contrário, ela cuidou dele. No dia seguinte Pedro e Erick fazem o teste de DNA, o resultado sairia só nos próximos dois dias.

Na fábrica Aline chega cedo e encontra Taisa e Erick (advogado) em sua sala com um teste de gravidez na mão.

— Anda, vai para o banheiro! — Disse Taisa entregando o teste a Aline.

Aline demora a sair do banheiro.

— Aline? Está tudo bem? — Perguntou Taisa na porta do banheiro.

Aline abre a porta com uma cara assustada e revela.

— Sim! Comigo, e com o bebe!

Erick e Taisa se olham cheios de alegria.

— Eu sabia! — Disse Taisa.

— Eu também! — Disse Erick.

— Mas e agora? Como vou contar ao Erick? — Questionou Aline.

— Aline, tenho certeza que Erick vai adorar a notícia. — Disse Taisa.

— É, ele é doido por criança! — Completou Erick (advogado).

No fim do dia, Erick vai até a fábrica, ele entra e não encontra ninguém no escritório, ele desce até a cozinha e percebe uma caixa sobre uma bancada, Erick se aproxima e abre a caixa, um bolo lindo e colorido anunciava a ele que Aline estava esperando um bebe, Erick vira-se e encontra Aline, ela estava ansiosa pela reação do marido, Erick não poderia fazer diferente, ele chora de emoção e corre em direção da amada a beijando.

— Eu te amo! — Disse Aline.

— E eu amo vocês! Vocês dois! — Disse Erick colocando a mão sobre a barriga de Aline.

Capitulo 16 – Felizes para Sempre (último capítulo).

No dia seguinte Aline e Erick vão para fábrica, os investidores desembarcaram pela madrugada e os aguardam para fechamento do contrato milionário. Na fábrica Taisa e Erick (advogado) aguardam junto a Robert e Jason.

— Bom dia, desculpem a demora, vocês sabem como o trânsito do Rio de Janeiro é caótico. — Disse Aline.

— Bom dia! Mas já estamos aqui! — Completou Erick.

Eles enfim assinam o contrato do investimento, após assinatura os investidores voltam ao hotel eles têm que partir logo pois já estão a fechar outro negócio em São Paulo. Erick parte para a loja de suplementos e Aline vai até a janela de seu escritório e observa Erick.

— Que engraçado né? — Disse Aline.

— Tudo isso começou com uma proposta, agora olha onde viemos parar. — Continuou Aline com a mão sobre a barriga.

— É, mas desde o começo eu disse que vocês deveriam se casar lembra? — Respondeu Taisa e os três riem.

— Bom, aproveitando o gancho da Taisa, eu tenho um convite a fazer, na verdade Raul queria estar aqui, mas ele anda ocupado no estúdio, ele vai lançar um single novo, enfim vocês aceitam ser madrinhas do nosso casamento? — Questionou Erick (advogado).

— Casamento? — Perguntam as duas simultaneamente.

— Mas é claro Erick, fico tão feliz por vocês! — Completou Aline.

— E eu também, será uma honra Erick. — Respondeu Taisa.

Após um longo dia de trabalho, todos vão para casa, no apartamento Erick e Aline se preparam para o jantar quando recebem uma ligação de Natalia, ela precisa conversar com os dois. Natalia vai até a casa deles e então revela de sua vontade de ajudar Andressa.

— Você está maluca Natalia, depois de tudo que ela me fez você ainda quer que eu a perdoe? — Perguntou Aline.

— Aline, o passado tem que ficar para trás, sim a gente aprende com ele, mas o processo da vida é a evolução, e a evolução pode começar com um simples pedido de perdão. — Disse Natalia.

— Eu não sei, o que a Andressa fez Natalia foi terrível, acho que a Aline está certa! — Disse Erick.

— Gente, acho que vocês têm que pensar melhor, pensem no que eu disse, a Andressa tem problemas e ela não vai conseguir sair dessa sem o perdão de vocês. — Concluiu Natalia.

No dia seguinte na loja de suplementos Erick recebe o resultado do exame de DNA, ele pede para que Pedro e Afonso subam até o escritório para que abram juntos, havia chegado o momento.

— Afonso, ainda não te contei nada porque não encontrava as palavras certas, mas agora você precisa saber. — Começou Erick.

— Pedro… — Falava Erick.

— Pode ser o seu irmão! — Concluiu Afonso.

— Como você sabe? — Questionou Erick.

— Erick eu soube das doações de sangue, e soube que não temos o mesmo tipo sanguíneo, o que na nossa família seria teoricamente impossível, só liguei uma coisa com a outra. — Declarou Afonso.

— Mas enfim, talvez seja melhor que Pedro seja seu irmão e não eu, eu só te trouxe dor e sofrimento Erick. — Concluiu Afonso com a voz embargada.

Erick e Pedro se olham, Pedro faz sinal com a cabeça e Erick entende o recado.

— Afonso, quero que você saiba que não importa o que diga esse exame, você é sim meu irmão, eu te criei e tudo que eu construí sempre foi pensando em você e não será um exame que vai mudar isso. — Declarou Erick.

— Pedro, você sempre foi meu irmão, não preciso de um exame para comprovar. — Concluiu Erick entregando o exame a Pedro.

Pedro olha para o envelope e então rasga-o deixando Erick e Afonso surpresos.

— Também não preciso de exame nenhum para saber que vocês dois são meus irmãos! Não preciso porque sei o quanto vocês me amam e só isso já basta! — Declarou Pedro.

Os três se abraçam emocionados, não precisam de exame, afinal quando a gente sabe que é amado, não precisa de comprovação alguma pois o nosso coração já sente.

Alguns meses depois é chagado o momento mais esperado na vida de Raul, o seu casamento com Erick, o dia está perfeito e tudo ocorre como o planejado, Aline e Natalia passaram o dia com Raul, os três tiveram um dia de muita nostalgia e emoção.

— É gente, quem diria que um dia estaríamos aqui! — Disse Natalia.

— Realmente, nunca achei que Raul casaria! — Completou Aline.

— O que? Não, estou falando da nossa situação atual, somos bem-sucedidos e estamos com a vida organizada! — Corrigiu Natalia fazendo com que os três caíssem em gargalhadas.

— Mas o fato de eu estar casando também é surpreendente! — Concluiu Raul.

— O fato é que eu sempre acreditei na gente e se estamos aqui hoje, é porque sempre estudamos, corremos atrás e nos sacrificamos, querem saber, coragem! Essa é a palavra que nos define! — Declarou Aline e os três brindam com uma taça de espumante.

Todos seguem para o sitio onde será realizado o casamento, tudo ocorre bem, estava tudo lindo e nada poderia estragar aquele momento.

— Muito bem, agora as alianças! — Disse o Juiz de paz.

Erick (advogado) fica branco e olha para Raul.

— O que foi? Meu bem, as alianças! — Disse Raul.

— Então, eu…. as alianças… eu meio que… — Dizia Erick.

— Você esqueceu as alianças? — Questionou Raul em choque.

— Eu estava tão nervoso meu bem, nem lembrei de ir buscar. — Explicou-se Erick.

Todos ficam surpresos, mas Aline tem uma ideia.

— Erick, anda tira a sua aliança! — Disse Aline.

— O que? Você está maluca! — Respondeu Erick.

— Anda logo seu brutamontes, tira isso! — Ordenou Aline.

— E o que você vai fazer? — Perguntou o rapaz.

— Me aguarde! — Disse Aline.

— Raul, toma! — Diz Aline entregando sua aliança e de Erick ao amigo.

— O que? Aline? — Questionou Raul.

— É só para casar, não vou deixar você perder essa oportunidade não, vai que depois você desiste! — Declara Aline piscando a Raul.

— Depois você me devolve, anda seu juiz, conclui isso ai, estou gravida e não aguento mais ficar de pé. — Disse Aline ao juiz.

O Juiz então conclui o casamento, Raul e Erick (advogado) se beijam e todos seguem para festa, na festa Raul devolve as alianças de Aline e Erick e os agradece. Após a linda festa de casamento Erick e Raul partem para uma viajem de lua de mel.

Alguns meses se passam e Aline está pronta, atingiu os nove meses e o bebê já está a caminho, Erick nessa reta final ficou muito nervoso e tratava Aline como um jarro de vidro. Natalia passou a gravidez toda auxiliando o casal, mas não negava que também estava ansiosa.

A hora havia chegado todos partem ao hospital, horas se passam e nada de notícias da Aline, Erick estava na sala de parto com a esposa.

— AAAAHHHHHHHHHHRRRGGGG — Gritava Aline.

— Calma meu bem, está quase lá… — Disse Erick.

— Está quase lá não é doutor? — Questionou Erick ao médico.

— AAAAAAAHHHHHRRRRGGGG — Gemia Aline.

— Isso meu bem, força! — Disse Erick branco de nervoso.

— Erick se você não calar a boca eu juro que te meto um murro! — Declarou Aline.

— AAAAAAAAHHHHHRRRGGG — Gritou Aline.

— Aaaaahh minha Nossa Senhora, essa criança não nasce! — Disse Erick.

— Ela é um pouco grande, mas está vindo, força Aline! — Declarou o doutor.

— É claro que ela não nasce, só pode ser cabeçuda como o pai, AAAHHHHHHRRRRHGGG — Gritou Aline.

— Ou é teimosa demais para nascer, como a mãe! — Revidou Erick.

— O QUEEEEE? ERICK EU AAAAAHHHHHRRRRGG. — Berrou Aline.

Ouve-se um choro de bebê na sala, finalmente havia nascido e era uma criança linda, grande e muito saudável.

— Nasceu! — Declarou o doutor.

Erick e Aline se emocionam e choram, estava ali o anjinho que os dois haviam trazido ao mundo, aos trancos e barrancos mas trouxeram e era só o que importava. Erick dá a notícia e todos se alegram.

Algumas semanas depois Aline e Erick saem da igreja com o pequeno Lucas batizado, todos vão até a festa de batizado que os pais prepararam, na festa uma surpresa. Natalia chega acompanhada de Andressa.

— Andressa? — Questionou Erick.

— Natalia, o que ela faz aqui? — Completou Erick.

— Erick! — Disse Aline pedindo calma ao marido.

— Antes de vocês me expulsarem queria pedir perdão, sei que o que fiz é imperdoável, mas saibam que me arrependo! — Declarou Andressa.

— Andressa, não posso te dizer que seremos amigas porque estaria mentindo, mas te perdoo, Natalia tem toda a razão, todos devem ter uma segunda chance! — Disse Aline.

Andressa chora emocionada e então questiona.

— E você Erick? Você me perdoa?

— É.… eu juro que vou trabalhar isso, mas por enquanto eu não consigo, mas eu vou tentar. — Disse Erick.

— Tudo bem, eu entendo! Eu vou indo, Natalia vai me levar a um lugar que segundo ela pode me ajudar. — Revelou Andressa.

— É, mas eu volto mais tarde para dar mais um cheiro no meu afilhado! — Concluiu Natalia.

Natalia leva Andressa até um retiro espiritual, Andressa entra no quarto e pensa em uma conversa que teve na cadeia.

 Alguns meses atrás…

— O chefe mandou um recado. — Disse Diogo.

— Um recado? Diogo olha onde eu estou, presa! E graças a seu chefe e o documento falso que ele me arrumou, eu acreditei naquele crápula e olha onde vim parar! — Declarou Andressa.

— Andressa, você não está presa por conta do documento, está presa porque é burra! — Respondeu Diogo.

— Eu trabalho com o chefe a anos e nunca fui pego. — Completou o rapaz.

Mas quem era Diogo? Ele aparece na cadeia de repente para uma visita a Andressa e nem se apresenta, pois bem Andressa o conhecia muito bem. Diogo era o motoqueiro misterioso, o mesmo que entregou o documento falsificado a jovem, o mesmo que assaltou e destruiu a confeitaria de Aline, o capacho que auxiliou Andressa em todas as suas maldades.

— Andressa você não tem alternativa, se você não ajuda-lo, ele manda te matar aqui mesmo na cadeia! — Continuou Diogo.

— E o que ele quer agora? — Questionou Andressa.

— Quer que você se reaproxime deles, apenas isso, futuramente ele mandará novas instruções. — Revelou Diogo.

De volta ao retiro…

— E agora? O que eu faço? — Se questionou Andressa.

— Está tudo em minhas mãos, eu posso mudar e quero me tornar uma pessoa melhor, mas e se Felipe mandar me matar? Ele é bem capaz disso…

É estranho quando o destino nos apresenta esse tipo de escolha, mas a vida é isso, ela é feita de escolhas, de desafios e apenas nós somos responsáveis por essas escolhas e as consequências que elas carregam. A mudança começa por nós, ser bom ou ser mau só cabe a nós decidir, errar é humano e todos temos direito a uma segunda chance, mas persistir no erro já é maldade.

No fim do dia Aline estava em casa sentada em uma poltrona da sala, ela reflete sobre tudo o que passou desde sua chegada ao Rio de Janeiro, e agora amamentando seu filho ela percebe que tudo valeu a pena, cada perrengue, cada decisão, cada discussão com Erick, tudo valeu a pena. Com aquele pedacinho de gente no colo, algo chama sua atenção, um raio do pôr do sol que ilumina sob a bancada uma vasilha de vidro, uma espátula e um pote de Whey Protein, uma nova ideia acabava de nascer.

FIM.

Descobrindo o Amor: Capítulo 10 – Os investidores.

Capitulo 10 – Os investidores.

Após o casamento Aline e Erick vão para o apartamento do rapaz, não era um apartamento ruim, muito pelo contrário, o condomínio era bem frequentado, o apartamento era grande, mas mesmo assim ainda era bem inferior ao apartamento de Aline no Leblon.

— Bem-vinda ao lar! — Disse Erick abrindo a porta.

— Lar? Você chama isso de lar? — Respondeu Aline.

— Olha não fale assim da minha casa, eu batalhei muito para conseguir. — Revelou Erick.

— Está bem, me desculpe, não quis te ofender. — Disse Aline.

— Só que eu tenho um apartamento no Leblon, nós poderíamos morar lá! — Completou Aline.

— Aline, eu aceitei casar com você e estou fazendo de tudo para mantermos uma boa convivência, mas uma coisa é certa, eu não vou sair da minha casa! — Disse Erick.

Os dois então vão ao quarto de Erick, Aline pede por um banheiro, precisava tomar banho, o dia foi cansativo e ela não aguentava mais, Erick mostra a ela o banheiro, Aline toma um banho quente, põem uma camisola e sai do banheiro, quando chega ao quarto tem uma surpresa, Erick está deitado na cama.

— O que você está fazendo? — Questionou Aline.

— Eu usei o banheiro principal e tomei banho lá, agora estou deitado, na minha cama. — Respondeu Erick.

— E eu vou dormir onde? — Perguntou a jovem.

— Do meu lado, estamos casados! Dormiremos na mesma cama, qual o problema? — Disse Erick.

— O problema é que esse casamento é de mentira! — Declarou Aline.

Erick então se levanta pensativo, se aproxima de Aline e a moça fica arrepiada.

— De mentira? — Disse Erick.

— Você realmente ainda está tentando se enganar? — Completou Erick.

— Erick… eu… — Dizia Aline.

— Eu não farei nada que você não queira Aline, mas quero que saiba que para mim esse casamento já não é mais de mentira! — Declarou Erick.

— É, para mim também não! — Disse Aline beijando Erick em seguida.

Os dois se amam a noite toda como deve ser na noite de núpcias de qualquer casal, Aline finalmente se entrega a Erick que retribui a entrega, os dois se amam como se fossem apaixonados de vidas atrás, e talvez fossem, bem era o que Aline pensava. Aline sempre acreditou em vidas passadas e acredita que grandes amores se reencontram na reencarnação, ela sabia que Erick era seu grande amor.

No outro dia eles levantam cedo e começam suas vidas de casados, Aline vai a fábrica para verificar sobre a chegada dos investidores e Erick parte para a loja de suplementos. Na loja, quando Erick entra não escapa das piadas de seus funcionários, mas não liga, nada importava mais, ele estava apaixonado pela fera sim e isso era maravilhoso.

Na fábrica Aline chegou com um sorriso de orelha a orelha, Taisa e Erick (advogado) é claro logo perceberam.

— Que sorriso é esse em? — Questionou Taisa.

— Aposto que é por conta da noite de ontem, foi boa não foi? — Completou Erick.

— Ahhh Erick, foi incrível! — Respondeu Aline deixando os advogados em choque.

— Sério? Mas vocês? — Disse Erick.

— Siiiiimm, nós estamos casados!! — Declarou Aline apaixonada.

— Uau, quem diria em. — Disse Taisa.

— É, quem diria! — Completou Aline.

— Mas e ai? Os investidores? Estão chegando, já organizaram um carro para ir busca-los? E o hotel? — Questionou Aline.

— Sim, está tudo pronto para recebê-los, não se preocupe com isso. — Respondeu Taisa.

— É, eles desembarcam hoje e amanhã eles virão até a fábrica para apresentarmos a situação das filiais, balanços e tudo mais. — Completou Erick.

— Ótimo, nada pode dar errado. — Disse Aline.

De volta a loja de suplementos, Andressa chega para trabalhar, é visível a tristeza em seu olhar e Erick sabia muito bem o motivo, mas o que ele poderia fazer ele sempre a viu como uma irmãzinha e nunca olhou para ela como mulher. Andressa sobe até o banheiro da loja para pôr o uniforme, quando desce encontra Erick no caixa da loja.

— Bom dia! — Disse Erick.

— Bom dia! — Respondeu Andressa.

— Tudo bem? Você não apareceu no casamento ontem. — Questionou Erick.

— E como eu poderia, Erick eu te amo e jamais vou aceitar esse casamento repentino com a doceira. — Disse Andressa.

— Andressa, eu não quero brigar com você, você precisa aceitar, eu amo a Aline e nada que você me disser vai mudar isso, eu nunca te olhei como mulher, você é como uma irmã para mim. — Respondeu Erick.

Andressa baixa a cabeça e começa a mexer em umas notas de produtos que haviam chegado na loja, ela começou a observar detalhe por detalhe da nota como se estivesse planejando algo. Erick sobe para o escritório e manda chamar Afonso, no escritório Afonso recebe uma notícia, ele irá trabalhar no Delivery da Fit for Fit, Afonso ficou muito animado com a notícia, ele gostava de motos e poder andar o dia todo era fenomenal.

— Que bom que você gostou, então pode descer o Pedro já está separando as primeiras entregas do dia. — Disse Erick.

— Tudo bem, obrigada Erick, por tudo que tem feito. — Respondeu Afonso.

Na fábrica Aline recebe a notícia de que os investidores já estão instalados no hotel, ela manda que enviem doces e uma carta de boas-vindas. No hotel os investidores recebem as boas-vindas de Aline mas tem uma conversa.

— Você acha que ela pode estar nos enganando? — Questionou um dos investidores.

— Eu não sei, mas acho estranho o casamento acontecer um dia antes da nossa chegada. — Respondeu o outro.

— Vamos pega-la de surpresa, vamos até a fábrica! — Declarou Robert, um dos investidores.

— Ok, vamos lá! — Concordou Jason o outro investidor.

Na loja de suplementos Afonso termina de carregar as primeiras entregas, ele está animado para sair, Pedro entrega a ele as últimas sacolas.

— Aqui Afonso, essas são as últimas de agora. — Disse Pedro.

— Certo, vou indo então, seremos o Delivery mais rápido do Rio de Janeiro, escreve aí. — Disse Afonso saindo com a moto.

— TOMA CUIDADO!! — Gritou Pedro enquanto Afonso saia para as entregas.

Na fábrica Aline tem uma surpresa, os investidores chegam para uma visita, mas uma visita sem agendar? Estava tudo combinado para amanhã, Aline não estava nem vestida adequadamente para recebê-los, devem estar investigando concluiu Aline em seus pensamentos. Aline manda avisar Erick da visita dos investidores, ela sabia que eles iriam querer conhece-lo então se adiantou e mandou o recado para Erick.

Na loja de suplementos Erick recebe o aviso de Aline e segue até a fábrica onde Aline já está recebendo Robert e Jason, na sala de Aline eles conversam sobre a fábrica, os rendimentos, lucros, despesas, funcionários, enfim tudo o que Robert e Jason precisam saber antes de investir, mas é claro que eles não esqueceriam de questionar o fato de Aline se casar um dia antes da chegada deles.

— Bem, eu sei que parece curioso, mas eu já estava com a data agendada desde o ano passado, eu e meu marido nos conhecemos quando eu cheguei ao Rio de Janeiro. — Disse Aline.

Erick entra na sala sem nem bater, o que assusta os investidores, ele da bom dia e vai até Aline e a beija deixando-a sem reação. Os investidores estranharam, mas ao mesmo tempo concluíram que nenhum casal falso faria esse tipo de coisa, esses tipos de intimidades só acontecem em casais que se conhecem a tempos.

— Ah, me desculpem, eu acabei pegando por mania entrar sem bater, sabe é tanto tempo juntos que a gente acaba se excedendo. — Disse Erick.

— É, mas nós estamos trabalhando isso, não é meu amor, tem que bater na porta antes de entrar! — Disse Aline.

— Bem, esse é Erick, ele é meu marido. — Disse Aline.

— Ah, é um prazer Senhor Erick, mas é Erick de que? — Questionou Jason.

— Erick Candido Pin… — Dizia Erick até ser interrompido por Aline.

— Não importa não é mesmo, então vamos descer conhecer a cozinha da fábrica? — Interrompeu Aline.

Erick olha para a amada com um ar de risos, os quatro descem para a cozinha e os investidores se apaixonam pela fábrica de Aline, ela era uma fábrica de dar inveja a qualquer confeiteiro, tudo era organizado, todos trabalhavam felizes e o aroma dentro da fábrica era como se estivessem confeitando em casa. Robert e Jason ficam felizes.

— Amanhã retornamos, veremos a documentação dos gastos e lucros da fábrica, foi um prazer conhece-los, são um belo casal! — Disse Robert.

Os investidores saem e Aline despede-se de Erick, agradece a ajuda e volta ao trabalho, Erick também retorna a loja de suplementos e ao chegar lá encontra Afonso saindo com a segunda remessa do dia, aquele dia estava fantástico, tudo corria muito bem, Aline e Erick se acertando, os investidores estavam satisfeitos e as lojas de Erick estavam a todo o vapor, sim as lojas, não era só a matriz que fica em frente a fábrica não, todas as lojas estavam vendendo muito.

No hotel os investidores conversam sobre Aline e Erick, será que o casamento era real, bem Erick e Aline pareciam ter bastante intimidade, não há motivos para desconfiança, pensava Jason.

— Amanhã vamos verificar os relatórios! — Disse Jason.

— Você encontrou algum motivo hoje para não investir? — Questionou Robert.

— Não sei, ainda acho estranha essa história do casamento, mas eles pareciam ter bastante intimidade. — Respondeu Jason.

— Acho que não há problemas, a fábrica parece render muito e as filiais, você viu quantas tem, são muitas lojas no Rio de Janeiro, três em São Paulo e duas no Rio Grande do Sul, elas devem render muito. — Disse Robert.

— Parece um excelente investimento Jason! — Completou Robert.

— É, realmente! — Concluiu Jason.

No dia seguinte eles chegam a fábrica cedo, afinal há muitos papéis a serem analisados e Robert e Jason querem ver um a um pessoalmente, eles analisam muito bem seus investimentos e é por isso que fecham ótimos negócios, são investidores renomadíssimos. No fim da Analise eles chamam Aline, Taisa e Erick (advogado).

— Concluímos as análises, precisamos de um tempo, uns dois dias e ai daremos a resposta, mas pode considerar negócio fechado Aline, suas empresas são muito bem administradas e a fábrica rende muito. — Disse Robert.

— Ah, fico feliz com a notícia, esse investimento será muito importante para mim, vocês não fazem ideia, poder expandir minhas confeitarias para outras regiões do país é um sonho! — Declarou Aline.

Os investidores voltam para o hotel e Aline corre para a loja de suplementos contar a novidade a Erick, quando chega a loja dá de cara com Andressa que não gosta nada de ver Aline ali e ainda mais toda feliz, Erick desce do escritório e vai ao encontro de Aline que quando o vê corre e dá um beijo em Erick, Andressa revira os olhos e volta para o caixa da loja. Aline conta a Erick a novidade que vibra de alegria com a amada, que dia estavam vivendo Aline e Erick, mais um dia onde tudo estava dando certo, a alegria tomava conta dos dois, até que Erick recebe uma ligação.          

A ligação era do hospital, Afonso acabará de dar entrada na emergência pois havia sofrido um acidente, Erick questionava o enfermeiro sobre a gravidade, porém o mesmo ainda não tinha resposta.

— Eu estou indo pra aí! — Disse Erick aflito.

— Indo para onde? O que aconteceu? — Questionou Aline.

— Afonso deu entrada no hospital, ele sofreu um acidente, eu preciso ir lá. — Respondeu Erick.

— Eu vou com você, olha seu estado, não pode dirigir. — Disse Aline.

No caminho do hospital Erick chora, agora que ele e o irmão estavam se dando bem, porque isso aconteceu, estava tudo se arrumando, tudo estava dando certo, aquilo não podia ser real. Aline consolava Erick.

— Fique calmo, vai ficar tudo bem, Afonso é jovem, é forte, ele vai sair dessa! — Disse Aline.

— E além do mais, ainda não sabemos a situação, não devemos nos preocupar à toa. — Completou Aline.

Mas Erick só conseguia pensar no pior, e quem não pensaria no lugar dele, ele sabia exatamente como Afonso era, não tinha cuidado algum no trânsito, e o trânsito do Rio de Janeiro, ah esse trânsito caótico do Rio de Janeiro. Erick fechou os olhos e em meio as lágrimas começou a rezar, por que a fé move montanhas, a fé salva, a fé transforma e Erick tinha uma fé gigantesca.

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