Descobrindo o Amor – Capítulo 6: Irmãos de Vida.

Capítulo 6: Irmãos de Vida.

— Precisa da minha ajuda? — Perguntou Aline.
— É preciso, será que eu posso entrar? — Questionou Erick.
— Claro, entra. — Disse Aline dando passagem para que Erick entra-se.
Erick entra e se depara com duas pessoas na sala.
— Ah, esses são Raul e Natalia, meus dois melhores amigos, foi deles que eu falei para você aquele dia na loja, serão nossas testemunhas. — Disse Aline apresentando os amigos.
— Uau Aline, você não havia me dito que casaria com um gato desses, onde você conheceu esse pedaço de mau caminho? — Perguntou Raul deixando Erick envergonhado.
— É… então… obrigada, eu acho… — Respondeu Erick encabulado.
— Raul! — Repreendeu Natalia.
— O que é? Só estou dizendo a verdade, mas vem cá, você tem irmãos? Gêmeo de preferência. — Continuou Raul com suas cantadas.
— Bem, eu… — Iria completando Erick se não fosse salvo por Aline.
— Ah meu Deus, pare com essas perguntas Raul, Erick está aqui porque precisa da minha ajuda, que tal se vocês forem para o banho enquanto nós conversamos? — Disse Aline dispensando os amigos.
— Eu acho uma excelente ideia, venha Raul, vamos para o banho! Foi um prazer Erick. — Responde Natalia puxando Raul em direção aos quartos.
Raul revira os olhos mas acompanha Natalia.
— Bem, agora que estamos a sós sente-se e me conte tudo. — Disse Aline.
Contar tudo, mas por onde começar, a tanto o que dizer, mas Erick tinha vergonha de contar, imagine o que Aline pensaria, mas também não havia outra opção e Erick deveria contar toda a verdade para Aline, era o melhor a se fazer. Erick conta toda a história para Aline, tudo sobre Afonso, a promessa que fez a mãe, o vício do irmão e é claro a dívida de Afonso. Aline é claro ficou surpresa com tudo que Erick acabará de contar.
— Mas Erick, isso é horrível! — Disse Aline chocada.
— Eu sei, e por isso vim te pedir ajuda, eu não sei o que fazer Aline, você consegue me ajudar, talvez se você me emprestar o dinheiro… eu juro que te pago centavo por centavo. — Disse Erick.
— Bom, é claro, vamos nos casar, temos um acordo, eu posso abater o valor do acordo, deixe-me ver qual o valor da dívida. — Disse Aline.
Erick entrega o relatório com os valores das dívidas de Afonso com o cassino clandestino. Ao olhar o relatório Aline fica de queixo caído, a dívida era enorme e nem mesmo ela poderia pagar, era
muito dinheiro e o valor daria um desfalque terrível na fábrica e em suas confeitarias.
— Erick! Me desculpe, eu não imaginava que o valor fosse tão alto, não tenho toda essa quantia disponível, é muito dinheiro. — Disse Aline.
— Eu sinto muito. — Completo Aline visivelmente triste por não poder ajuda-lo.
— Tudo bem, eu vou pensar em alguma coisa, obrigada mesmo assim pela atenção. — Disse Erick triste.
— Eu vou indo agora, tenho que voltar para loja, preciso trabalhar. — Completou Erick levantando do sofá.
— Se eu tiver alguma ideia eu te aviso Erick, se cuida. — Disse Aline acompanhando Erick até a porta.
— Tudo bem obrigada. — Despediu-se Erick.
Na loja de suplementos Andressa termina de atender um cliente quando vê Erick chagar:
— Erick, está tudo bem? Saiu às pressas hoje cedo, aconteceu alguma coisa? — Questionou Andressa.
— Não, está tudo bem, bora trabalhar, precisamos faturar! — Respondeu Erick tentando disfarçar a tristeza.
De longe Pedro observa tudo com atenção, ele conhece Erick muito bem, sabe a fisionomia e trejeitos de Erick em cada sentimento, quando está triste, o que era raro, quando está feliz, quando está nervoso, enfim conhece Erick como se fossem da mesma família.
— Mas o que será que aconteceu? — Perguntou Andressa a Pedro.
— Não sei, mas foi algo sério, Erick está triste e isso não é normal, poucas coisas deixam ele triste. — Respondeu Pedro fazendo uma análise da situação.
Pedro sobe até o escritório de Erick e o encontra pensativo. O que poderia ter deixado Erick daquele jeito, porque tanta tristeza e preocupação, Erick era um cara tão feliz e de repente aparece assim.
— Erick? Podemos conversar? — Perguntou Pedro.
— Pedro, claro, precisa de alguma coisa, algum problema na loja? — Disse Erick.
— Não, está tudo bem na loja, acho que o problema é com você, não é? — Questionou Pedro.
— Comigo? Por que? — Perguntou Erick.
— Sim, você saiu, demorou horas para voltar e quando volta está assim, triste e preocupado, quer conversar? — Disse Pedro.
Erick percebe que Pedro está preocupado com ele e resolve contar tudo o que Afonso havia aprontado. Pedro ficou chocado com o que Erick contou, nunca imaginou que Afonso seria capaz de perder tanto dinheiro com jogos e apostas e no fim de tudo ainda largou a responsabilidade nas costas de Erick. Pedro consola Erick e garante que ajudará o amigo com o que for possível para conseguir o dinheiro, Pedro era um ser humano sensacional, bondoso, trabalhador, gentil e educado, era totalmente o oposto de Afonso.
— Queria que você fosse meu irmão! — Declarou Erick ao amigo.
— Eu também, mas nós somos Erick, para ser irmão, não precisa ser de sangue, basta a gente se amar o bastante, e Erick eu te amo, amo como se fosse meu irmão. — Respondeu Pedro.
— Você tem razão, irmão de vida muitas vezes é melhor que irmão de sangue, e eu estou tendo essa prova hoje. — Disse Erick.
— Mas isso tudo depende muito da criação Erick, Afonso sofreu muito com a morte da mãe de vocês, ainda tem o abandono do pai, ele tem traumas e talvez o jogo, as apostas, talvez tudo isso faça ele se sentir melhor. — Disse Pedro.
— Isso não é motivo, você perdeu seus pais quando era bebe, e é uma excelente pessoa Pedro. — Afirmou Erick.
— É, eu fui criado pela minha avó, e ela me criou muito bem, cheio de amor e carinho, ela sempre esteve comigo.
Pedro de fato sempre foi criado com muito amor, a avó era enfermeira e sempre batalhou muito para que o neto tivesse tudo do bom e do melhor, assim ele não sentiria tanta falta dos pais, os pais de Pedro que sofreram um acidente quando ele ainda era bebê, uma trágica e triste história. Mas por que essa diferença, Afonso cresceu cheio de traumas e é angustiado até hoje, Pedro também teve seus traumas, mas cresceu honesto e trabalhador, é estranho como a vida nos apresenta formas distintas de lidar com a tristeza e solidão, e saber que a escolha de enfrentar a escuridão está em nossas mãos nos faz pensar se estamos ou não preparados para isso.
Pedro estava preparado pois nunca deixou a solidão tomar conta do seu coração, Afonso infelizmente iria precisar mais do que nunca da ajuda do irmão, Erick percebeu que era hora de uma nova chance ser dada a Afonso, e dessa vez ele iria ajudá-lo a se curar de vez dessa solidão, afinal esse é o papel do irmão, esse é o papel da família, e Erick é a única família que Afonso tem.
— Sabe Pedro, você tem razão, Afonso nunca foi amado o suficiente, quando nossa mãe morreu eu tive que trabalhar não podia deixa-lo passar fome, ele era uma criança e não teve a atenção merecida, esses traumas todos só me fazem sentir mais culpado. — Disse Erick.
— Não Erick, você não tinha escolha, você não fez por mau, mas ainda dá tempo, não fique assim e vamos trabalhar, vamos pagar essa dívida e depois, depois você traz Afonso aqui para loja, vocês precisam de uma conversa definitiva e se ele estiver disposto, vamos ajuda-lo! — Disse Pedro otimista com a conversa.
— É Pedro, mas pagar a dívida não vai ser fácil… — Dizia Erick até ser interrompido por Pedro.
— Não, não vai, mas nós vamos, apenas fique calmo e seja otimista as coisas ruins que acontecem na vida só antecedem as coisas boas que ainda vão acontecer! — Declarou Pedro levantando para deixar a sala.
— Você tem razão, obrigado por essa conversa Pedro, você com certeza é meu irmão de vida, eu te amo cara! — Disse Erick dando um abraço em Pedro.

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